Muitos médicos que encerram a residência médica ou já atuam há alguns anos no mercado começam a pensar em dar o próximo passo: abrir um consultório próprio ou firmar sociedade?
Ambas as opções têm vantagens e desvantagens e podem ser o início de uma trajetória de sucesso, desde que a escolha esteja alinhada com seu perfil profissional, seus objetivos e sua capacidade de investimento. Por isso, é importante avaliar o que cada opção oferece e o que mais combina com seu momento.
Não sabe por onde começar? Neste artigo, explicamos as principais diferenças entre abrir um consultório próprio e abrir um consultório em sociedade, analisamos os prós e contras de cada alternativa e trazemos dicas práticas para ajudar você a tomar essa decisão com segurança. Continue a leitura!
Abrir um consultório próprio significa assumir sozinho todas as responsabilidades do negócio, do investimento inicial à gestão administrativa e estratégica. É o modelo mais comum entre médicos que desejam total autonomia e liberdade de atuação, mas também exige um perfil mais empreendedor.
Já o consultório em sociedade envolve a parceria com outros profissionais, que podem ser médicos da mesma ou de outras especialidades. Nesse modelo, os sócios compartilham os custos e as responsabilidades da empresa, o que pode facilitar o crescimento e diversificar os atendimentos.
No entanto, também exige mais flexibilidade, alinhamento de expectativas e atenção jurídica para evitar conflitos. Em ambos os casos, vale a pena contar com respaldo profissional para garantir que todos os processos sejam executados da maneira correta.
A decisão de abrir um consultório próprio ou em sociedade, deve ser cuidadosamente planejada. Veja os principais fatores a considerar!
Um consultório médico exige uma estrutura adequada, equipamentos, móveis, software de gestão, contratação de secretária e custos com registro, alvarás e comunicação. Ao optar por atuar sozinho, todo esse investimento será de sua responsabilidade. Em uma sociedade, os custos podem ser divididos.
Você prefere tomar todas as decisões sozinho, tem facilidade com gestão e gosta de liderar? Ou prefere trabalhar em equipe, compartilhar responsabilidades e decisões? O seu perfil influencia diretamente no modelo ideal.
Inclusive, quando se trata de sociedade, é importante conhecer bem as pessoas que estarão envolvidas nessa modalidade. Se você conhecê-las bem ou tiver pelo menos uma boa relação profissional, o dia a dia pode ser muito mais fácil.
O risco financeiro e administrativo de um consultório próprio é maior, especialmente nos primeiros meses, quando o fluxo de pacientes ainda está se formando. Na sociedade, os riscos são diluídos entre os sócios, mas os conflitos e divergências de gestão também podem trazer problemas.
Ter um consultório próprio garante liberdade total de atuação: você decide desde os horários até a estratégia de marketing. Em contrapartida, exige maior carga de trabalho. Em uma sociedade, as decisões devem ser compartilhadas e muitas vezes mediadas.
Antes de abrir um consultório, é fundamental ter um planejamento financeiro sólido: prever despesas fixas e variáveis, fluxo de caixa, reserva de emergência e metas de crescimento. Também é importante definir seus objetivos: você quer construir uma clínica de referência? Atender em horários reduzidos para conciliar com outras atividades?
Você já conheceu os detalhes que envolvem ter um consultório próprio ou investir em sociedade. Mas agora, é hora de conhecer de uma forma mais prática as vantagens e desvantagens do primeiro modelo. Vamos lá!
Com seu próprio consultório, você decide tudo: localização, estrutura, equipe, precificação, parcerias e estratégias de marketing. Além disso, conta com maior controle financeiro: todo o lucro líquido da operação será seu e não há divisão com outros sócios.
Há ainda mais liberdade para mudar sempre que for preciso. É possível adaptar rapidamente o consultório às suas necessidades sem depender de aprovação de terceiros.
Sem dizer que é uma ótima forma de construir uma marca pessoal. Ao investir no seu nome e na sua imagem, você fortalece a sua autoridade e fideliza pacientes.
Em contrapartida, essa modalidade tem um custo mais elevado. Todo o investimento inicial e os custos fixos ficam sob sua responsabilidade.
O risco também é maior. Qualquer erro de gestão ou oscilação na agenda impactam diretamente seu faturamento. Então, é preciso ter atenção.
Vale a pena pontuar também a respeito da sobrecarga de funções. Além da atividade médica, você terá que lidar com questões administrativas, jurídicas, financeiras e de marketing.
Por fim, pode haver certo isolamento profissional. A ausência de troca constante com colegas pode dificultar o aprendizado e a evolução clínica e empresarial.
E um consultório em sociedade, o que acarreta? Confira alguns pontos para se levar em consideração ao analisar essa possibilidade.
Aqui, há uma boa divisão de custos e riscos. Os gastos com estrutura, equipamentos e marketing são compartilhados, reduzindo o peso para cada sócio.
Outro ponto interessante é a variedade de especialidades oferecidas no consultório. Sócios de áreas diferentes podem formar uma clínica multidisciplinar e ampliar o público-alvo, o que pode render mais retorno financeiro.
Além disso, os consultórios com mais de um especialista tendem a gerar mais confiança e praticidade para o paciente. É possível pontuar também a divisão de tarefas. Você não precisa carregar sozinho as demandas administrativas, o que libera mais tempo para a atividade médica.
E, é claro, ainda existe mais chance de crescer. Afinal, a soma de conhecimentos e contatos pode acelerar o crescimento do negócio.
Conflitos entre sócios podem surgir quando há diferenças de visão, valores ou estilos de gestão, o que frequentemente gera atritos e compromete o bom andamento da operação.
Outro ponto sensível diz respeito à distribuição dos lucros, que deve ser feita entre os sócios mesmo quando o desempenho individual é desigual, o que pode gerar insatisfação se não houver acordos claros desde o início.
Para reduzir esses riscos, é fundamental contar com um contrato social detalhado que estipule, entre outras coisas, como será feita a divisão dos ganhos e o que acontece em caso de saída de um dos sócios. Essa burocracia jurídica, embora pareça complexa, é indispensável para garantir segurança e transparência.
No que diz respeito às obrigações legais, tanto um consultório próprio quanto um em sociedade precisam cumprir uma série de exigências. O primeiro passo é obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e na Vigilância Sanitária. Também é necessário solicitar o alvará de funcionamento junto à prefeitura da cidade onde o consultório estará localizado.
A inscrição no CNPJ e a escolha do regime tributário adequado, seja o Simples Nacional, o Lucro Presumido ou o Lucro Real, também fazem parte do processo de formalização do negócio. A emissão de notas fiscais e a contratação de um contador para gerenciar a parte fiscal e contábil são medidas indispensáveis para garantir o funcionamento legal da clínica.
Para completar, o consultório deve estar em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialmente no que diz respeito ao armazenamento seguro de prontuários e informações sensíveis dos pacientes. No caso de uma sociedade, entra ainda a necessidade de redigir um contrato social bem estruturado, com cláusulas que estabeleçam claramente as responsabilidades de cada sócio, regras para retirada de lucros, entrada e saída de novos membros e formas de resolução de conflitos.
A decisão sobre abrir um consultório próprio ou em sociedade depende de uma análise sincera: sobre seu momento de carreira, como se você é recém-formado ou não, seus objetivos a longo prazo e suas competências.
Médicos com perfil mais individualista, que gostam de liderar, tomar decisões rápidas e têm familiaridade com gestão, tendem a se adaptar melhor ao consultório próprio. Já profissionais com perfil colaborativo, que gostam de trabalhar em equipe e preferem dividir responsabilidades, geralmente se sentem mais confortáveis em uma sociedade.
Não existe um perfil melhor do que o outro. O importante é identificar onde você se encaixa melhor e qual modelo valoriza seus pontos fortes.
Aqui estão algumas perguntas que você deve se fazer antes da grande decisão. Com respostas claras, com certeza fica mais simples fazer a escolha correta:
Escolher entre abrir um consultório próprio ou em sociedade é uma decisão estratégica que vai impactar sua carreira médica nos próximos anos. Ambos os caminhos são viáveis, mas exigem planejamento, conhecimento e autoconhecimento.
Analise seu perfil, seus recursos, seus objetivos e os prós e contras de cada alternativa. E lembre-se: a decisão ideal é aquela que equilibra liberdade, segurança financeira e realização profissional.Quer saber mais sobre gestão médica, empreendedorismo e carreira na Medicina? Acesse nosso blog e confira outros conteúdos exclusivos para médicos que desejam crescer com estratégia.
Foi residente de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) de 2016 a 2018. É um dos cofundadores da Medway e hoje ocupa o cargo de Chief Executive Officer (CEO). Siga no Instagram: @alexandre.remor