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Diagnóstico do beribéri: o que eu preciso saber?

Para tratar o beribéri, primeiro, é necessário medir os níveis séricos de tiamina. Isso porque, como já abordamos aqui, no blog, essa doença é causada pela deficiência de vitamina B1 no organismo. 

Se você quer aprender como fazer o diagnóstico correto do beribéri, continue a leitura! Vamos falar sobre alguns métodos e exames utilizados para detectar o beribéri tanto em crianças quanto em adultos.

Quais são os sintomas do beribéri?

Antes de falarmos sobre como fazer o diagnóstico certo, vamos apresentar uma lista com os principais sintomas de beribéri. Afinal, esses são os primeiros sinais de que o paciente pode ser portador da doença:

  • dificuldade ao respirar;
  • irritabilidade;
  • insônia;
  • palpitação no coração;
  • prisão de ventre;
  • fadiga;
  • cãibra muscular;
  • pernas inchadas;
  • memória comprometida;
  • perda de apetite;
  • fraqueza.

Lembrando que sintomas isolados não são suficientes para o diagnóstico final. É necessário realizar exames e outros métodos para confirmar a presença da doença. Vamos a eles.

Medida direta da concentração de tiamina no sangue

Como dissemos acima, o beribéri é causado pela deficiência de vitamina B1 ou tiamina no organismo. Dessa forma, a medição dessa vitamina é um método importante para o diagnóstico.

A medição pelo sangue pode ser feita com sensibilidade e especificidade limitadas em casos graves, já que o composto pode estar falsamente reduzido durante condições inflamatórias. Além disso, os resultados são variáveis em casos de hipoalbuminemia. A faixa normal é entre 70 e 180 nmol/L (3,0 a 7,7 mcg/dL);

Níveis de ETKA (atividade da transcetolase eritrocitária)

Esse método consiste em um teste funcional influenciado pela concentração de hemoglobina. É uma alternativa para descobrir as condições atuais do paciente.

Excreção urinária de tiamina

O teste para medir a dosagem de tiamina pode apontar se a ingestão da vitamina é adequada em determinadas populações, porém tem baixa correlação com a identificação de deficiência clinicamente significativa em pacientes. Portanto, usualmente, não é utilizado no diagnóstico.

Outros exames

Alguns outros exames inespecíficos podem ser úteis. Geralmente, creatinoquinase – CPK, CK-MB, AST e DHL encontram-se com resultados elevados, indicando lesão das células musculares e liberação dessas enzimas. Os níveis séricos de piruvato e lactato também costumam ser elevados.

Embora tais testes existam, eles são poucos disponíveis na maioria dos hospitais brasileiros. As testagens diretas e indiretas de deficiência de tiamina citadas não estão disponíveis no SUS, por exemplo. Usualmente, portanto, o diagnóstico surge de uma suspeita clínica e uma prova terapêutica. 

Considera-se confirmado todo caso suspeito que apresente melhora ou desaparecimento dos sinais pelo uso da vitamina B1 em até 30 dias de tratamento, tendo descartado outros diagnósticos diferenciais. Isso vale para todos os tipos de manifestações da doença.

Diagnóstico do beribéri infantil

Deve ser considerado um caso suspeito toda criança em situação de risco (com sinais de desnutrição ou filhos de mães desnutridas por pobreza extrema, alcoolismo, drogadição, monotonia alimentar, hiperêmese gravídica, diarreia crônica, etc) que apresente quadro clínico característico. 

A doença pode atingir o coração em crianças de um a três meses. Ela se manifesta com cólicas, agitação, anorexia e vômitos, com progressão para edema generalizado, cianose e dispneia, incluindo sinais de insuficiência cardíaca. 

O tipo afônico ocorre em lactentes de quatro a seis meses. Ele se manifesta com paresia ou paralisia das cordas vocais devido à neurite. A voz da criança altera-se, e o choro fica cada vez mais rouco, até que nenhum som seja produzido. Sem tratamento, os casos evoluem em dias para agitação, edema, dispneia e morte. 

O tipo encefalítico ocorre em lactentes entre sete e nove meses. Ele se manifesta como a encefalopatia de Wernicke, com ataxia de marcha, alterações oculomotoras e confusão.

Diagnóstico do beribéri adulto

Os pacientes com risco de desenvolver a doença na faixa etária adulta são alcoólatras, trabalhadores braçais submetidos a jornadas extenuantes e pessoas com diarreia crônica ou qualquer outra condição que cause desnutrição (doenças disabsortivas e caquetizantes). 

Pacientes em uso crônico de diuréticos de alça, nutrição parenteral total e aqueles em terapia dialítica também devem ser considerados de risco. Conforme discutimos no artigo de quadro clínico da doença, existem alguns espectros possíveis de manifestações que norteiam o diagnóstico. Eles estão listados a seguir. 

Beribéri seco

O beribéri seco pode atingir pacientes com fatores de risco que apresentem parestesia ou dores em membros inferiores e diminuição da sensibilidade dos reflexos da força muscular, gerando dificuldade de deambulação. 

O exame físico revela neuropatia periférica sensitivo-motora bilateral e simétrica, usualmente ascendente em membros inferiores. Cãibras musculares em panturrilhas podem estar presentes.

Como exames complementares, pode-se solicitar a eletroneuromiografia, que demonstra anormalidades compatíveis com polineuropatia sensitivo-motora simétrica de predomínio distal, com padrão axonal desmielinizante ou predomínio nitidamente desmielinizante. O líquor é normal.

Beribéri úmido

Esse tipo é possível sempre que há insuficiência cardíaca de alto débito, após outras causas terem sido descartadas. Os sintomas incluem taquicardia sinusal, pressão arterial divergente, pulso célere, estase jugular, sopro sistólico, edema em membros inferiores e dispneia sem ausculta de congestão pulmonar. 

Os diagnósticos diferenciais incluem todas as demais causas de insuficiência cardíaca de alto débito: anemia grave, crise tireotóxica, gravidez, intoxicação por metais pesados, síndrome nefrótica, etc.

Além da radiografia de tórax para avaliação da área cardíaca, eletrocardiograma com alterações mínimas e inespecíficas, ecocardiograma demonstrando dilatação difusa das câmaras cardíacas e ressonância cardíaca podem ajudar a demonstrar edema miocárdico difuso em T2.

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Referências

1.     BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria Especial de Saúde indígena. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Consulta para Vigilância Epidemiológica, Assistência e Atenção Nutricional dos Casos de Beribéri/Ministério da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 66 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).

2.     Uptodate: Overview of water-soluble vitamins. Sassan Pazirandeh, MD, David L Burns, MD

3.  Uptodate: Clinical manifestations, diagnosis, and management of high-output heart failure. Michael M Givertz, MD; Amir Haghighat, MD, FACC

4.     Uptodate: Wernicke encephalopathy. Yuen T So, MD, PhD

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