Se você está estudando para o TEP, já percebeu que “infecções de repetição” aparecem com frequência nas provas. O que a banca costuma avaliar é se você reconhece quando o padrão infeccioso (ou de desregulação imune) ultrapassa o esperado e deve levantar suspeita de um possível erro inato da imunidade (EII).
A proposta deste post é revisar os pontos de maior rendimento para a sua prova: conceitos, fenótipos clínicos, sinais de alerta, investigação inicial, triagem neonatal e condutas gerais. Vamos lá?
Erros inatos da imunidade (EII) são doenças genéticas que comprometem componentes da imunidade inata e/ou adaptativa. Na prática, podem se manifestar por:
O termo erros inatos da imunidade (EII) passou a substituir (ou, em sentido mais amplo, a englobar) a nomenclatura tradicional de “imunodeficiências primárias” porque se reconheceu que “imunodeficiência” nem sempre descreve adequadamente esse grupo heterogêneo de doenças. Muitos EII não se manifestam apenas por infecções, mas também por fenótipos de desregulação imunológica.
A classificação fenotípica mais recente da International Union of Immunological Societies (IUIS) descreve mais de 550 condições dentro do espectro de EII.
Em lactentes e pré-escolares, especialmente ao iniciar creche/escola, é esperado um aumento de infecções virais de vias aéreas por maior exposição e maturação imunológica.
O que muda a nossa suspeita é o padrão clínico, principalmente quando há gravidade, recorrência desproporcional ou achados associados.
Você deve pensar em EII quando houver um ou mais destes elementos:
Os 10 sinais de alerta para imunodeficiência primárias foram publicados em 1993 pela Jeffrey Modell Foundation (JMF) (https://site-medway.s3.sa-east-1.amazonaws.com/wp-content/uploads/sites/5/2026/01/27165143/JMF_10_Signs_Illustrated_080724_v2_a9b4bb218e.pdf).
Em 2023, a ASBAI divulgou uma atualização dos sinais de alerta, englobando também sinais de desregulação imune (https://asbai.org.br/sinais-de-alerta-para-eii-passam-por-atualizacao/).



Em geral, a prova não exige que você identifique o gene (exceto em síndromes clássicas). O mais comum é avaliar se você consegue inferir qual eixo do sistema imune pode estar comprometido e escolher uma investigação inicial coerente.
Padrão típico: infecções sinopulmonares bacterianas recorrentes (OMA, sinusite, pneumonia), especialmente por germes encapsulados, além de alguns casos com infecções gastrointestinais recorrentes. Esse raciocínio costuma vir associado à interpretação de imunoglobulinas e resposta vacinal.
Exemplos que você deve reconhecer:
Aqui entram infecções oportunistas, quadros graves e precoces, e candidíase persistente.
Exemplos:
Padrão típico: abscessos profundos/recorrentes, infecções cutâneas e de órgãos, às vezes com agentes específicos, além de recorrência importante e inflamação exuberante.
A triagem neonatal para imunodeficiências graves vem ganhando espaço porque o diagnóstico precoce muda o prognóstico, especialmente em condições como SCID.
TREC (T-cell receptor excision circles) e KREC (kappa-deleting recombination excision circles) são pequenos fragmentos circulares de DNA (episomas) gerados durante a a maturação dos linfócitos T e B no timo e na medula óssea, respectivamente.
Em geral, TRECs/KRECs são quantificados por PCR em tempo real a partir do papel-filtro do teste do pezinho. Aqui é importante lembrar: triagem não é diagnóstico. Resultados alterados devem ser confirmados com avaliação clínica e exames laboratoriais (por exemplo, imunofenotipagem linfocitária, imunoglobulinas e painel genético, quando indicados).
Também é essencial conhecer limitações: TRECs/KRECs podem estar baixos em situações não primariamente genéticas, como prematuridade extrema, condições críticas neonatais e algumas síndromes/condições com linfopenia secundária.
A abordagem diagnóstica começa com história clínica e exame físico, seguida de exames de triagem. Para a sua prova, pense em:
Para a prova e para a prática, o ponto central é: reconhecer sinais de alerta e iniciar a investigação corretamente. O tratamento é específico do defeito, mas existem pilares:
E um lembrete que rende ponto: criança com infecção grave e suspeita de EII continua sendo criança grave. Se há disfunção orgânica/instabilidade, o manejo da sepse vai ser sempre igual. Não caia em pegadinha de prova!
Vacinas vivas atenuadas (como a BCG) podem ser problemáticas em imunodeficiências com comprometimento celular/combinado. Por isso o evento adverso importante pós-BCG é um sinal de alerta relevante e aparece com frequência em revisões e em prova.
Agora que você já revisou os principais conceitos sobre EIIs, vale dar o próximo passo é aprofundar esse tema. Vamos seguir nessa revisão juntos? Vem estudar com a gente e conhecer nosso Extensivo R+ Pediatria!
Sugestões para complementar seus estudos
Graduação em Medicina pela USF - Bragança Paulista/SP. Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Infantil Sabará