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Laqueadura tubária: saiba mais sobre o procedimento

Fala, pessoal! Tudo em cima? No texto de hoje, vamos entender como pode ser feito um procedimento muito relevante na ginecologia: a laqueadura tubária (esterilização cirúrgica feminina definitiva). 

Laqueadura tubária - procedimento
Saiba mais sobre o procedimento da laqueadura tubária

No planejamento familiar, a esterilização cirúrgica é o único método contraceptivo definitivo. A laqueadura tubária é uma cirurgia simples que evita gestações não planejadas, reduzindo, assim, a morbimortalidade materna e infantil. 

A esterilização cirúrgica é um método anticoncepcional adotado por diversas pacientes. Porém, não são todas que podem realizá-la. Neste post, você pode conferir quem está apta para fazer esse procedimento. Confira!

Para começar…

Galera, o planejamento familiar representa um progresso na sociedade e na ginecologia, uma vez que ele permite a programação de quando e quantas vezes gestar. 

Além disso, ele previne gravidez não planejada, condição que põe em risco a saúde da mãe e do feto. Atualmente, existem diversos métodos contraceptivos, sendo os principais classificados da seguinte maneira:

Métodos contraceptivos modernos

  • Contraceptivos orais combinados;
  • Pílulas orais de progestagênio;
  • Injetável trimestral de progestagênio;
  • Injetável mensal combinado;
  • Adesivo combinado;
  • Anel vaginal combinado;
  • Contracepção de emergência.

LARC (Long Acting Reversible Contraceptives)

  • Implantes subdérmicos;
  • DIU de cobre;
  • DIU de Levonorgestrel.

Esterilização definitiva

  • Esterilização feminina (laqueadura tubária);
  • Esterilização masculina (vasectomia ou deferentectomia).

A paciente deve escolher o método anticoncepcional que atinge suas expectativas, levando em consideração os efeitos colaterais, a eficácia e a posologia de cada método. 

A escolha do contraceptivo não é simples, pois cada anticoncepcional possui prós e contras, e muitas mulheres experimentam alguns métodos até encontrarem um que se adeque à sua realidade. 

Sobre a laqueadura tubária

Pessoal, a laqueadura tubária é uma forma de contracepção cirúrgica definitiva e, na maior parte dos casos, ela é irreversível. Portanto, devemos indicar para pacientes sem desejo reprodutivo futuro, devendo ser tratada como uma forma definitiva de anticoncepção. 

O procedimento cirúrgico caracteriza-se por ligadura e secção das tubas uterinas. Sendo assim, impossibilita que o espermatozoide atinja o óvulo, impedindo a fecundação e a gestação.

Aproximadamente 30% dos casais e 10% das pacientes sexualmente ativas solteiras escolhem a laqueadura tubária como método contraceptivo. 

A esterilização cirúrgica feminina é eficaz como anticoncepcional, e o índice de Pearl (índice de falha) das diferentes técnicas de laqueadura tubária é de 0,1 a 0,3 a cada 100 mulheres ao ano.

Lei da Laqueadura Tubária no Brasil

Os principais aspectos da Lei da Laqueadura estão presentes abaixo. 

Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações:

I – em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco  anos  de  idade  ou,  pelo  menos,  com  dois  filhos  vivos,  desde  que  observado  o  prazo  mínimo  de  sessenta  dias  entre  a  manifestação  da  vontade  e  o  ato  cirúrgico,  período  no  qual  será  propiciado  à  pessoa  interessada  o  acesso  ao  serviço  de  regulação  da  fecundidade,  incluindo  aconselhamento  por  equipe  multidisciplinar,  visando  a  desencorajar a esterilização precoce;

II – risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

§ 1º É condição para que se realize a esterilização o registro  de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após  a  informação  a  respeito  dos  riscos  da  cirurgia,  possíveis  efeitos colaterais,  dificuldades  de  sua  reversão  e  opções  de  contracepção reversíveis existentes.

§ 2º É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.

§  3º  Não  será  considerada  a  manifestação  de  vontade,  na  forma  do  §  1º,  expressa  durante  ocorrência  de  alterações  na  capacidade  de  discernimento  por  influência  de  álcool,  drogas,  estados  emocionais  alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente.

§  4º  A  esterilização  cirúrgica  como  método  contraceptivo  somente  será executada através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada através da histerectomia e ooforectomia.

§  5º  Na  vigência  de  sociedade  conjugal,  a  esterilização  depende  do  consentimento expresso de ambos os cônjuges.

§  6º  A  esterilização  cirúrgica  em  pessoas  absolutamente  incapazes  somente  poderá  ocorrer  mediante  autorização  judicial,  regulamentada  na forma da Lei.

Métodos para laqueadura tubária

Existem, basicamente, três formas (e suas modificações) para realizar a ligadura tubária. Podemos utilizar clipes ou anéis permanentes para ocluir as tubas uterinas, realizar eletrocoagulação em um segmento das tubas uterinas ou ligar as tubas uterinas com fios para sutura. A longo prazo, todas essas técnicas possuem eficácia favorável. 

Ela pode ser feita por laparotomia, cirurgia videolaparoscópica ou pelo fundo de saco vaginal. A videolaparoscopia, atualmente, é o padrão-ouro para o procedimento, porque possui tempo cirúrgico mais breve, menor morbidade, cicatrização mais estética e recuperação mais veloz.

Salpingectomia parcial de intervalo

Essa é a forma de realizar laqueadura tubária via abdominal por minilaparotomia. Ela corresponde à remoção do terço médio da tuba uterina, e as extremidades seccionadas sofrem fibrose e reperitonealização, então, serão fechadas. As técnicas mais utilizadas são de Parkland e Pomeroy. 

A salpingectomia parcial de intervalo é realizada em apenas cerca de 4% das pacientes nos Estados Unidos da América (EUA), pois se realiza muito mais a técnica laparoscópica, devido à melhor recuperação pós-operatória. 

Portanto, a realização por minilaparotomia fica reservada para os casos em que a laparoscopia não é recomendada ou disponível. 

Passo a passo da cirurgia:

  1. Anestesia, colocação da paciente em posição de litotomia, antissepsia e colocação de campos cirúrgicos estéreis;
  1. Minilaparotomia: incisão transversa de 3-5 cm na região do fundo uterino;
  1. Identificação das tubas uterinas (um dos motivos de falha do método é a ligadura da estrutura errada, por exemplo, o ligamento redondo. Logo, é fundamental identificar e isolar as tubas uterinas previamente à ligadura, beleza?).
  1. Método de Parkland para ligadura tubária: identificamos um espaço avascular inferior à porção média da tuba uterina, na mesossalpinge, e criamos um orifício. Aplicamos um nó na porção distal da tuba no orifício criado e, em seguida, da porção proximal com fio absorvível. A tesoura de  Metzenbaum é introduzida no orifício da mesossalpinge e secciona a porção proximal e depois distal da tuba uterina. A porção removida da tuba uterina é enviada para avaliação histológica;
  1. Método de Pomeroy para ligadura tubária: pinçamos a porção média da tuba uterina e elevamos 2 cm do segmento medial para formar uma alça. Realizamos ligadura dessa alça com fio categute e a seccionamos a região distal da alça. Após a cirurgia o fio absorve rapidamente, portanto, as porções unidas desaparecem e surge uma distância de 2 a 3 cm entre as extremidades da tuba uterina.  

Esterilização laparoscópica

Pessoal, cerca de 700.000 laqueaduras tubárias são feitas por ano nos EUA e a maioria é pela via laparoscópica, porque ela possui menor tempo cirúrgico e melhor recuperação pós-operatória. 

A esterilização laparoscópica pode ser realizada ligando as tubas uterinas com grampos, clipes, bandas ou suturas e com eletrocauterização com a pinça bipolar. 

Orientações pré-operatórias

Temos que dizer a todas as pacientes que desejam realizar laqueadura tubária que esse procedimento é definitivo e irreversível. 

Uma pequena parcela das pacientes submetidas à esterilização cirúrgica se arrepende e as taxas de arrependimento são maiores nas pacientes mais jovens, portanto, elas devem ser especialmente orientadas sobre o caráter permanente do procedimento. 

Além disso, é muito importante orientar que a laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico que possui riscos, como qualquer outro procedimento cirúrgico, podendo ocorrer infecção, sangramento e lesão de órgãos pélvicos.

Também temos que informar às pacientes que as chances de sucesso da laqueadura tubária são altas e sua eficácia é boa, porém o método, como qualquer outro, pode falhar. 

A esterilização cirúrgica pode não ter sucesso devido a erros operatórios (principalmente quando o ligamento redondo é ligado ao invés da tuba uterina), formação de fístulas tubárias ou reanastomose espontânea das porções tubárias. 

Ademais, é relevante falar à paciente que a laqueadura tubária é um método anticoncepcional, sendo assim, ela não aumenta as taxas de gestação ectópicas. Porém, se ocorrer fecundação após a esterilização cirúrgica feminina, existe um risco maior de implantação ectópica. 

Por fim, é imprescindível informar a paciente que a reversão da laqueadura nem sempre é possível. Então, se ela optar por realizar o procedimento, deve entender que, se mudar de ideia, talvez não consiga engravidar espontaneamente. 

A reanastomose das tubas uterinas é um procedimento difícil e que às vezes não é plausível. Além disso, a gravidez, após a reversão da esterilização, possui risco aumentado de ser ectópica. 

Conclusões

A laqueadura tubária é a forma de esterilização definitiva feminina que pode ser realizada em pacientes com mais de 25 anos ou pelo menos dois filhos vivos. Ela é um procedimento cirúrgico simples, que pode ser feito pela via abdominal, vaginal e laparoscópica. 

No entanto, possui riscos que devem ser informados para a paciente, assim como deve ficar claro o seu caráter permanente, pois nem sempre é possível reverter a laqueadura. 

O método cirúrgico padrão-ouro na atualidade é a laqueadura tubária por videolaparoscopia, porque esse método possui menor tempo cirúrgico e melhor recuperação após a operação. 

No entanto, nem sempre ele é disponível, pois seus equipamentos são mais caros e alguns cirurgiões não sabem realizar cirurgias laparoscópicas. Nesse contexto, a cirurgia por via abdominal é mais realizada. Por minilaparotomia, existem duas técnicas que são mais utilizadas: Parkland e Pomeroy. 

E aí, curtiu saber mais sobre a realização da laqueadura tubária? 

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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Entendeu tudo sobre a realização da laqueadura tubária? Então, confira outros conteúdos que publicamos aqui no blog. Eles foram feitos especialmente para você mandar bem no seu plantão e ficar por dentro dos mais variados assuntos. Pra cima!

Referências

  1. Freitas, Menke, Rivoire & Passos – Rotinas em Ginecologia – 6. ed.
  2. Williams Gynecology, Second Edition.
  3. Manual de Anticoncepção, FEBRASGO, 2015
  4. https://www.sogesp.com.br/noticias/laqueadura-informacoes/

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MarinaNobrega Augusto

Marina Nobrega Augusto

Paulista, nascida em Ribeirão Preto em 1994. Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2019. Atualmente, residente do segundo ano de Ginecologia e Obstetrícia na EPM-UNIFESP. "Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo." - Paulo Freire.