Ministério da Saúde recomenda vacinação contra HPV no SUS para mulheres tratadas por lesões cervicais de alto grau

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O Ministério da Saúde publicou a Nota Técnica nº 32/2026 recomendando a inclusão de mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau (NIC 2+ e adenocarcinoma in situ — AIS), submetidas a procedimento excisional do colo do útero, como grupo prioritário para vacinação contra o HPV no âmbito do Programa Nacional de Imunizações.

A orientação insere a imunização também como estratégia de prevenção secundária no SUS.

CONFIRA A NOTA TÉCNICA Nº 32/2026

Quem entra na nova recomendação

Segundo a nota técnica, a indicação passa a contemplar mulheres tratadas por lesões intraepiteliais cervicais de alto grau, classificadas como NIC 2+ e AIS, após procedimentos excisionais como LEEP ou conização. 

A vacinação é recomendada independentemente da idade, desde que ocorra no mesmo ano do procedimento, no período perioperatório ou em até 12 meses após o tratamento.

O esquema vacinal previsto é de três doses, nos intervalos de 0, 2 e 6 meses. A aplicação deverá ser feita em unidades de vacinação do SUS, mediante prescrição médica e registro do diagnóstico com o CID correspondente.

  • Público-alvo: mulheres tratadas por NIC 2+, NIC 3 ou AIS
  • Idade: sem limite etário
  • Esquema vacinal: três doses (0, 2 e 6 meses)
  • Momento da vacinação: perioperatório ou até 12 meses após o procedimento 
  • Local de aplicação: unidades do SUS, mediante prescrição médica 

O que embasa a ampliação

De acordo com o documento, a infecção pelo HPV é associada a diferentes cânceres, incluindo colo do útero, pênis, vulva, vagina, canal anal e orofaringe. 

O Ministério da Saúde destaca que, globalmente, são estimados 570 mil novos casos anuais de câncer do colo do útero e cerca de 311 mil óbitos associados ao HPV. 

No Brasil, esse câncer corresponde ao terceiro tumor mais incidente entre mulheres e à quarta causa de morte por câncer na população feminina, com cerca de 17 mil novos casos e aproximadamente 7 mil óbitos anuais.

A nota também aponta que, apesar da efetividade do tratamento das lesões precursoras, há risco de persistência ou recorrência da doença, com taxas descritas na literatura de até 17%. 

Procedimentos repetidos estão associados a maior ocorrência de complicações ginecológicas e obstétricas, como parto prematuro, ruptura prematura de membranas e estenose cervical.

O que dizem as evidências e a recomendação

O texto afirma que estudos observacionais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas indicam que a vacinação contra o HPV no período perioperatório ou após procedimento excisional está associada à redução significativa da recorrência de NIC 2 e NIC 3, em comparação com a não vacinação. 

A nota ressalva, porém, que ensaios clínicos randomizados em andamento ainda apresentam resultados conflitantes sobre esse desfecho, sem permitir conclusões definitivas até o momento.

Na conclusão, o Departamento do Programa Nacional de Imunizações recomenda a inclusão da vacinação contra o HPV como estratégia de prevenção secundária para esse grupo. 

Entre os efeitos esperados estão a prevenção de infecção por outros tipos virais contidos na vacina, a redução do risco de recorrência das lesões, a diminuição da necessidade de procedimentos repetidos e o fortalecimento das ações de controle do câncer do colo do útero.

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Thais Sardinha

Thais Sardinha

Professora da Medway de GO. Médica e mestre pela UNICAMP. Residência de Ginecologia e Obstetrícia e especialização em Oncologia Pélvica pelo CAISM/UNICAMP. Atualmente cursando doutorando pela mesma instituição. Siga no Instagram: @sardinha.medway