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O que é Neurocirurgia: saiba tudo sobre essa especialidade

Fala moçada! Está na hora de saber tudo o que você sempre quis  sobre a especialidade médica que mais atrai  médicos que adoram um desafio na atualidade: a Neurocirurgia! Duvida? Então vem aqui que a gente vai te contar mais sobre ela! Bora lá falar sobre o que é Neurocirurgia e o que faz esse especialista! 

O que faz o neurocirurgião?

Alguns questionamentos podem surgir quando se fala da atuação do neurocirurgião e do  neurologista. Eles são especialistas que em muitos casos vão trabalhar juntos, complementando a atuação um do outro. No entanto,  eles possuem diferenças práticas no que tange ao tratamento aplicado, aos meios de diagnóstico, a necessidade de intervenção cirúrgica e no acompanhamento pós-cirúrgico dos pacientes.  E olha só a principal diferença: enquanto o neurologista se insere no campo clínico, o neurocirurgião é quem vai realizar os procedimentos cirúrgicos. E se você quiser saber mais a fundo o que faz cada um desses dois especialistas, confere aqui o artigo que fizemos pra você explicando com detalhes as semelhanças e diferenças entre o neurocirurgião e o neurologista. 

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre qual especialista procurar quando se trata de problemas ou doenças do sistema nervoso central e periférico a crença de que o médico neurocirurgião não vai ter muito contato com pacientes afasta a realidade: ele vai sim lidar com todas dificuldades de diagnóstico tanto de patologias leves quanto cirurgias complexas, vai ter bastante interação com o paciente e seus familiares e vai tomar decisões em conjunto com uma equipe multifuncional, então, ter habilidades sociointerativas vai ajudar muito esse profissional. Mas é exigente e vai demandar sempre muito compromisso, estudos constantes pra se qualificar a realizar atendimentos com eficiência e segurança. 

E pra nos ajudar nessa tarefa de te trazer o melhor conteúdo, a gente bateu um papo super bacana com o Dr. Charles Pedrozo e ouvimos, de quem terminou recentemente a especialização, todas as suas impressões pessoais. E nada melhor do que ouvir a informação direto da fonte, né? Com a residência médica concluída em 2021 na Santa Casa de São Paulo, a gente logo perguntou: 

Para você, qual é a melhor definição da sua especialidade? Diz pra gente o que faz um médico que se especializa na sua área?

“Neurocirurgia é a especialidade responsável pelo diagnóstico e tratamento de patologias relacionadas ao cérebro, medula espinhal, coluna e nervos periféricos, com enfoque nas doenças de manejo cirúrgico.”

E depois disso, é claro que a gente não poderia deixar passar a clássica pergunta: 

O que te levou a escolher a sua especialidade? 

Olha só o que ele contou pra gente: 

“Acho que essas grandes decisões da nossa vida levam várias questões em consideração, não costuma ser uma resposta simples e direta. Acho que a quantidade de motivos fortalece a decisão e torna mais difícil encontrarmos alguma desilusão no caminho. 

No meu caso começa na infância, meu pai é médico e sempre acompanhei ele no hospital, então o ambiente hospitalar pra mim é confortável, sempre quis ser médico. Quanto a especialidade, defini mesmo no último ano. Sabia que queria algo com procedimentos, gosto de trabalhos manuais, gosto de centro cirúrgico e da interação entre os colegas durante a cirurgia – é um pouco clichê entre os cirúrgicos, mas realmente não queria ficar apenas em consultório. Fui monitor de neuroanatomia por 2 anos na faculdade, adorava a matéria e isso ajudou a escolher essa área. É uma especialidade complexa cujas patologias requerem o manejo do especialista e não do generalista. Gosto de cirurgias delicadas e um pouco mais longas. 

Acho fascinante a fisiologia do sistema nervoso, as interações e funções cerebrais e a forma como nossa mente trabalha. Ainda assim, gosto de ter um tempo livre e aprender e estudar outras coisas, por isso durante a faculdade, achava que o neurocirurgião não conseguia fazer outra coisa além de trabalhar. Quando expressei essa dúvida para um colega neurocirurgião, ele me incentivou e disse que qualquer profissional tem autonomia para fazer sua própria agenda. É óbvio, mas às vezes esquecemos que nós direcionamos a nossa vida, por isso temos que saber quais são nossas prioridades e onde queremos chegar.”

E quais você acha que são as características fundamentais que um médico tem que ter ou desenvolver para seguir essa especialidade?

É claro que o Dr. Charles  respondeu essa e ainda listou pra gente o que considera que são as características essenciais para que  um médico precisa ter ou desenvolver para seguir nessa especialidade:

“Todo médico tem que ter 2 características fundamentais: o conhecimento técnico e também a inteligência social para se relacionar bem com o paciente, ser compreendido e transmitir informação de forma clara e também estabelecer empatia. Além disso, todo cirurgião também requer um terceiro pilar que é a aptidão manual, que pode ser aprendida ou aprimorada. Não difere muito das outras áreas e qualquer um pode se adaptar se tiver esses 3 pilares. 

Particularmente, considero que a neurocirurgia casa muito bem com quem é detalhista, calmo e paciente, além de ter uma boa resistência física, já que as cirurgias tendem a ser longas e delicadas. Também é essencial ser resiliente, visto que muitos pacientes são graves, as patologias são complexas, alguns resultados não são imediatos e o ambiente de trabalho pode ser estressante devido à constante pressão.”

A gente incrível seu detalhamento e pensamos: muita gente vai querer saber também como é a residência, né? Mandamos: 

Charles, como era sua rotina como residente? Conta pra gente um pouco sobre a sua residência e onde você rodou ao longo de cada ano.

“O primeiro ano de residência foi mais tranquilo, estágios na neurologia e UTI. Poucas atividades pela neurocirurgia, apenas quando um R+ solicitava alguma ajuda para coletar liquor ou acompanhar alguma tomografia, mas não havia abuso por parte deles. Dava para estudar bem e manter atividades extra curriculares. 

O segundo ano é quando a residência de neurocirurgia verdadeiramente começa. Cuidamos inteiramente da rotina da especialidade e começamos a operar – inicialmente os casos de trauma. Pacientes têm que estar vistos e evoluídos antes da passagem de plantão, quem não está em cirurgia deve ajudar no ambulatório, além de ver as intercorrências dos pacientes internados. É o ano mais desgastante fisicamente (ficamos em pé horas ininterruptas, emendamos cirurgias e passamos várias noites em claro) e psicologicamente (pelos motivos mais diversos), mas também é o ano que mais crescemos e amadurecemos. O residente aprende a lidar com pressão, definir prioridades, descobre a importância de ter boa relação interprofissional e também a criar uma parceria com seus colegas e R iguais. A mudança é enorme após o R2.

O R3 melhora, mas ainda é puxado. Na Santa Casa, o R3 faz o trabalho braçal relacionado aos pacientes eletivos – cuida da enfermaria, entra nas cirurgias eletivas para fazer o acesso, convoca os pacientes. Ainda dá plantão presencial do PS, dividindo a escala com o R2. Também tem o estágio de neurocirurgia pediátrica no R3.

No nosso R4 acontece uma grande promoção, o residente não dá mais plantão presencial. Fica de sobreaviso e comparece ao hospital durante os plantões apenas se tiver cirurgia. Essa mudança já promove um grande alívio na rotina. O R4 da Santa Casa também fica responsável pelas cirurgias de urgência, junto com o R2, além de ficar com as cirurgias eletivas quando o R5 não quiser. Além disso, nesse ano há rodízio para passar nos estágios da neuropatologia e endovascular. O R4 e o R5 também ficam responsáveis pelo ambulatório de neurocirurgia funcional e vascular.

O residente passa por bons perrengues até chegar no último ano, quando fica com o “”filé”” da neurocirurgia. O R5 monta a escala das cirurgias eletivas e define o que quer operar, obviamente levando em conta a disponibilidade e urgência dos casos ambulatoriais. Basicamente o ano de um R5 vai depender muito do seu empenho em conseguir os casos e conduzi-los. Acho que a vida de um R5 costuma ser melhor do que a vida do formado em começo de carreira (pelo menos é minha impressão até aqui).

Quanto às rotinas extracurriculares, o R2 costuma ser um ano puxado onde o residente precisa sacrificar muitas atividades em prol da residência – a residência é a primeira, segunda…até a décima prioridade e a fim de se desenvolver bem nesse ano e ser um bom residente, não tem outro caminho senão esse. Conforme chega no fim da residência, o seu tempo livre também aumenta e é possível incluir outras atividades na rotina.

Claro que esse relato é baseado na residência na Santa Casa de São Paulo, mas apesar de cada instituição ter as suas particularidades, no geral não difere muito disso.”

E falando em residência médica, prepare-se pra estudar e muito! Aqui no Brasil,  depois da conclusão da graduação em Medicina, com duração de seis anos, você vai ter que fazer uma residência que vai levar mais 5 anos de estudos, com muita prática clínica e cirúrgica, até que possa se tornar de fato, um neurocirurgião.  Quem define esse  programa de Residência Médica é o Ministério da Educação (MEC)  juntamente com a Associação Médica Brasileira e a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. A residência médica em Neurocirurgia é de acesso direito mas depois do seu término  você pode ainda fazer um ou mais anos opcionais, as famosas subespecialidades da neurocirurgia.

Pensando nisso, a gente perguntou para o Dr. Charles: 

O que você levou em consideração na hora de escolher onde faria residência?

“Quis vir para São Paulo devido à dinâmica da medicina na capital. A cidade tem muito volume, muitos casos, oportunidades de trabalho e aprendizado e também tem influência no cenário nacional e até no internacional. 

Após escolher a cidade, fui influenciado a escolher a Santa Casa porque já tinha um grande amigo que foi meu veterano na faculdade e que era residente na instituição, então ele me contou como eram os serviços, vantagens e desvantagens, além de ser um grande apoio dentro da residência. Além disso, a Santa Casa tem uma tradição de ter uma boa relação entre os residentes, uma verdadeira amizade que torna o ambiente mais cooperativo. Posso dizer que tornou a minha vida de residente um pouco mais fácil.”

Mas como escolher o melhor lugar pra se fazer a residência, né? Essa é a pergunta que não quer calar! O Dr. Charles nos contou quais são as mais desejadas pra quem quer cursar a residência médica em Neurocirurgia no país! 

Quais são as instituições mais desejadas para fazer residência na sua área?

“Diria que depende do estado. Cada um tem os seus centros de referência e de influência regional ou nacional. O Brasil tem excelentes instituições e São Paulo, por sua influência e importância no cenário nacional, costuma ser o objetivo de muitos formandos. HC-USP, Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Santa Casa de São Paulo, Iamspe, Unicamp costumam figurar entre as primeiras opções. Além disso, existe a possibilidade de fazer a especialidade fora do país, como nos Estados Unidos – se preencher as requisições exigidas.”

Mas nem tudo são flores, né? A gente quis saber o que ele achava sobre a especialidade e se tinha algum contra, né? 

Na hora de escolher uma especialização, o que geralmente atrai os médicos para a área que você escolheu? E quais são as suas objeções quanto à especialidade?

“A neurocirurgia costuma atrair aqueles que gostam de desafios, doenças graves e de tratamentos complexos. Também não posso negar que atrai aqueles que buscam um bom retorno financeiro e um reconhecimento adequado pelo seu trabalho (não é errado ter isso como um fator na decisão, contanto que não seja o único ou o principal motivo). 

Por outro lado, muitos relutam em escolher essa especialidade porque costuma ser puxada, ter muita pressão no dia-a-dia e preencher muito tempo, talvez até todo o tempo disponível. Muitos não estão dispostos a sacrificar algumas coisas no caminho. Por um período, não temos escolha se não nos dedicar exclusivamente à neurocirurgia, porém conforme nos estabelecemos, é o profissional que faz a sua própria rotina.

E por falar em rotina, como é que é o dia a dia de quem atua nessa especialidade? Claro que é essa é a maior curiosidade de quem quer saber sobre a vivência dessa profissão: como atua, que tipo de paciente aparece mais, as doenças, o que se faz… O Dr. Charles, que passou por muitas experiências contou pra gente como era o seu cotidiano, porque a gente perguntou: 

Onde você atua hoje e como é a sua rotina como médico especialista? E mais, conta pra gente quais são as doenças mais prevalentes na sua área e o que você mais atende.

“Atualmente estou acompanhando um colega neurocirurgião para aprender endoscopia de coluna. Trabalho com ele e portanto minha rotina é a dele. Nosso foco é em patologias de coluna, trabalhamos basicamente com convênios e casos particulares – consultório de segunda à sexta e agendamos os casos cirúrgicos conforme demanda, também de segunda à sexta, às vezes nos sábados. Também estou numa escala de plantões, um de sábado quinzenal e outro de quinta feira diurno onde faço cirurgias eletivas.”

Mas, a gente quer dicas! Como  se inserir depois? Como o recém-formado pode encarar o mundo lá fora? 

Quais são os caminhos possíveis para um médico da sua especialidade em início de carreira? Que dicas você dá para quem vai iniciar essa jornada?

“Minha dica é saber onde você quer chegar, porque muitos não sabem e só vão seguindo, sem pensar muito sobre as escolhas. No fim, nos temos um papel em criar as nossas oportunidades e com elas, algumas portas se abrem. Dito isso, um recém formado pode embarcar num Fellow no Brasil mesmo ou fora do país a fim de aprimorar alguma subespecialidade dentro da neurocirurgia ou aprender técnicas novas ou não tão difundidas. Dentre as subespecialidades, há: endovascular, funcional/dor, nervos periféricos, coluna, vascular, oncologia, base de crânio, infantil, epilepsia, trauma. 

O recém-formado também pode optar por tentar entrar no mercado de trabalho e obviamente, depende da necessidade da cidade/estado ou equipe. Dentro do mercado de trabalho, é possível abrir consultório e atender sob demanda, ou fazer parte de em algum serviço, atender no ambulatório ou ficar de sobreaviso no PS. Os plantões na neurocirurgia são sempre presentes no início de carreira, já que costumam ser fonte de renda garantida.”

E já pensando no futuro, por que todo mundo quer crescer na sua profissão , né? O que esperar? Mandamos essa pergunta e o Dr. Charles foi incisivo: 

E depois de adquirir experiência, quais são os caminhos possíveis que um médico da sua especialidade pode seguir e alavancar a carreira? 

“Reforçando a resposta da questão anterior, depende dos objetivos do profissional. A maioria não quer trabalhar pelo resto da vida com plantões e casos de emergência, por isso acho que a tendência é fortalecer nosso nome como uma Marca a fim de ter um consultório consistente com casos eletivos e previamente agendados e, portanto, montar a nossa rotina. Mas um neurocirurgião também pode se manter em plantões ou ligado à serviços de emergência, como “portas” de hospitais, sendo responsável pelo manejo dos casos que chegarem. Além disso, conforme se ganha experiência, a carreira acadêmica também é opção de muitos profissionais, associando-se a universidades ou instituições de ensino, tanto para transmitir conhecimento para novos alunos em formação ou para produzir trabalhos científicos.”

E agora uma pergunta polêmica, mas que não tem jeito, todo mundo quer saber! Queremos engordar o cofrinho e manter os boletos em dia! 

Qual é a expectativa salarial da sua área para um médico recém-formado? E para um profissional já estabelecido?

“O salário depende obviamente de qual caminho decidiu trilhar. Um fellow vai continuar recebendo como residente se a instituição tiver bolsa, ou até nem receber, e assim o salário vai depender da quantidade de plantões que der por fora do estágio. Um plantão paga entre 1000 e 1500 reais, na maioria das oportunidades para recém formados. Sendo objetivo como a pergunta requer, diria que a média dentre os que se formam é conseguir receber entre 15000 – 30000 em São Paulo. Porém, conforme se ganha experiência e nome, diria que o céu é o limite, dependendo (novamente) das suas escolhas e das oportunidades.”

Gostou de saber mais sobre o que é Neurocirurgia e o que faz o neurocirurgião? 

Viu que incrível que  é fazer a  residência nessa área? E pelas coisas que o Dr. Charles nos contou, a residência médica em Neurocirurgia é uma experiência intensa e exigente, mas também muito gratificante. Isso tudo além de ser marcada por estágios  que  oferecem uma carga de trabalho que ajudam — e muito — a pegar mão, não é mesmo?

Agora, pra garantir sua vaga numa instituição padrão-ouro, assim como  o nosso entrevistado, você precisa iniciar seus estudos. Já! Por conta disso, você não vai deixar de conferir na Academia Medway todos os conteúdos gratuitos que podem apoiar sua preparação, como o Guia Definitivo da Santa Casa, né? 

Ainda não tem certeza de qual instituição seguir? Que tal dar uma olhadinha nas instituições mais buscadas pra fazer residência médica em Neurocirurgia em São Paulo! Depois é só partir pro abraço! E se você já quer começar a estudar, saiba que você pode dar os primeiros passos nessa jornada no Intensivo São Paulo, nosso curso com foco total nas instituições paulistas de residência médica! Conheça para treinar conforme seu objetivo e bora pra cima!

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.