Este artigo fornece uma visão detalhada sobre as Pneumonias Intersticiais, um subgrupo complexo das Doenças Pulmonares Intersticiais (DPIs), que sofreu atualização da ATS/ERS em 2025. Navegue pelos tópicos abaixo para compreender as manifestações clínicas e os critérios diagnósticos.
As Pneumonias Intersticiais são doenças pulmonares parenquimatosas difusas que acometem principalmente o compartimento intersticial (porção do parênquima situada entre as membranas basais e epiteliais e endoteliais), mas podem também acometer vias aéreas e espaços alveolares.
Essa condição envolve um infiltrado de células inflamatórias, que pode vir acompanhado de fibrose em diferentes graus.
Atualmente, a ERS/ATS evita utilizar termos como “pneumonias intersticiais idiopáticas”, tentando enquadrar essas doenças em padrões morfológicos (como veremos a seguir) e fazer a correlação clínica para chegar ao diagnóstico.
Os sinais clínicos são frequentemente inespecíficos, o que exige atenção redobrada no exame físico. Os achados mais comuns incluem:
A nova classificação das pneumonias intersticiais divide em 2 grandes grupos: Padrão Intersticial e Padrão de Preenchimento Alveolar. Esses padrões podem ser divididos em formas primárias ou secundárias; quando primárias, são classificados como idiopáticos.
Padrão Intersticial
Padrão de Preenchimento Alveolar
Outros
Ufa! Como podemos ver, existem diversos padrões possíveis de pneumonias intersticiais e, atualmente, o principal motor para diagnóstico se dá pela junção de anamnese detalhada e Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR); muitas vezes com ambos dispensamos a necessidade de realizar procedimentos invasivos (como biópsia) quando temos história clássica com padrão morfológico compatível.
Além disso, como exames complementares, temos:
O tratamento deve ser individualizado conforme o subtipo identificado.
As abordagens principais envolvem:
Pessoal, antes de mostrarmos o “bizu” para entender a pneumonia intersticial, temos um recado importante pra dar: embora exames como TC e UCG estejam se tornando mais comuns, a gente sabe que, em grande parte dos serviços, o raio-x continua sendo o único método de imagem disponível.
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Agora, voltando ao assunto principal do texto, fizemos uma tabelinha com os principais pontos para facilitar a compreensão de cada subtipo! Confere aí:
Tabela comparativa de alguns dos principais subtipos de Pneumonias Intersticiais
| Subtipo | Mais Afetados | Pródromos | TC (Achados na Tomografia Computadorizada) | Tratamento | Prognóstico |
| Fibrose Pulmonar Idiopática | Homens, >50 anos | Crônico (>12 meses) | – Padrão Morfológico: Pneumonia Intersticial Usual (PIU) – Distorção da arquitetura – “Favo de mel” reticular, periférico, subpleural e basal – Bronquiectasia de tração | – Nintendanibe, Pirfenidone e Nerandomilaste- Transplante de pulmão | Taxa de mortalidade: 50-70% em 5 anos |
| Pneumonia Alveolar Macrófagica (Antiga Descamativa) | Homens, 30-50 anos** tabagismo | Subagudo a crônico (semanas a anos) | – Opacificação em vidro fosco – Linhas reticulares – Zona inferior (geralmente periférico) | – Cessação do tabagismo | Taxa de mortalidade: 5% em 5 anos |
| Pneumonia Intersticial Não Específica (PINE) | Mulheres, 40-60 anos | Subagudo a crônico (semanas a anos) | – Opacificação em vidro fosco – Linhas irregulares – Periféricas, basais e simétricas. Associação com doenças autoimunes (esclerose sisêmica, miopatias inflamatórias, entre outras) | – Corticoides com ou sem terapias imunossupressoras | Taxa de mortalidade: variável, mas geralmente melhor que a fibrose pulmonar idiopática |
| Pneumonia em Organização | Geralmente 40-50 anos | Subagudo (<3 meses) | – Consolidação irregular, nódulos ou ambos – PeribrônquicoAssociação comum com pneumotoxicidade por drogas | – Corticoides | Taxa de mortalidade: rara |
| Doença Pulmonar Intersticial Associada à Bronquiolite Respiratória | 30-50 anos **tabagismo | Subagudo (semanas a meses) | – Opacificação irregular em vidro fosco – Nódulos centrolobulares – Espessamento da parede brônquica – Padrão difuso | – Cessação do tabagismo | Taxa de mortalidade: rara |
| Pneumonia Intersticial Aguda | Qualquer idade | Abrupto (1-2 semanas) | – Opacificação em vidro fosco (muitas vezes poupando lobos) – Consolidação difusa – Bronquiectasias de tração posteriormente | – Cuidados e suporte | Taxa de mortalidade: 60% em < 6 meses |
| Pneumonia Intersticial Linfocítica | Mulheres de qualquer idade | Crônico (> 12 meses) | – Nódulos centrolobulares – Opacificação em vidro fosco – Espessamento dos septos e broncovascular – Cistos de paredes finas – Padrão difusoAssociação comum com HIV, Artrite Reumatoide, Síndrome de Sjogren | – Corticoides | Não bem definido |
| Fibroelastose Pleuroparenquimatosa Idiopática | ~ 57 anos | Crônico (>12 meses) | – Distorção da arquitetura – Bronquiectasias por tração – Consolidação subpleural densa – Perda de volume do lobo superior | – Tratamento adequado desconhecido, frequentemente corticoides | Progressão da doença em 60% dos casos. |
Bem, agora você já está afiado para quando o assunto for pneumonia intersticial! Espero que tenha feito um bom proveito! Agora, é claro: se bater a dúvida, corre aqui no nosso blog e confere de novo o artigo! Se você quiser entender mais sobre o assunto pneumonia, temos vários artigos relacionados, com o que te ajudamos a entender os escores PORT e CURB-65 no manejo da Pneumonia Aguda Comunitária.
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Formado em Medicina pela Unicamp especialista em Clínica Médica pelo Iamspe.