Edema agudo de pulmão: sintomas, diagnóstico e tratamento

Fala galera, tudo certo por aí? Espero que sim, porque hoje o tema não é moleza! Vamos falar do edema agudo de pulmão, desde o conceito até o tratamento. A ideia é que você fique conhecendo tudo que precisa saber sobre essa doença, para não passar aperto nenhum na sala de emergência, hein?

Então bora começar!

O que é edema agudo de pulmão?

O edema agudo de pulmão (EAP) é uma emergência hipertensiva, caracterizada por uma transudação de líquido nos espaços alveolares e intersticiais do pulmão e que leva a uma insuficiência respiratória aguda hipoxêmica. Em geral, ocorre no contexto da descompensação da insuficiência cardíaca.

Sintomas do edema agudo de pulmão

Em casos de edema agudo de pulmão, normalmente o paciente se apresenta na sala de emergência com dispneia, ansioso, sudoreico, má perfusão periférica e cianose.

Muita gente tem fixa na cabeça a velha história dos estertores crepitantes até terço médio e ápice, mas em pacientes com insuficiência cardíaca crônica, na qual o paciente convive com um processo congestivo, o sistema linfático reduz a quantidade de líquido extravasado, normalmente ocorrendo uma ausculta com estertores finos, em terço médio ou base, ou ainda com ausculta limpa.

Normalmente temos uma PA bem aumentada, principalmente em casos de EAP de causa hipertensiva, mas não podemos esquecer das etiologias de EAP com hipotensão, como choque cardiogênico e miocardiopatias avançadas.

Em casos extremos, vemos os estertores crepitantes até ápice, associados a frêmitos em regiões superiores do tórax e a saída de líquido de coloração rósea da boca e do nariz do paciente.

Diagnóstico

O diagnóstico do EAP é clínico, e a etiologia deve ser investigada através de exames complementares.

Na chegada do paciente é de extrema importância o ECG, pois ele pode identificar as principais etiologias do EAP — arritmias, infarto agudo do miocárdio, sinais de sobrecargas ventriculares.

A gasometria arterial é importante para quantificar a hipoxemia e a hipercapnia, além de quantificar a qualidade das medidas terapêuticas realizadas.

O raio X de tórax pode nos mostrar aumento das câmaras cardíacas, sinais de congestão pulmonar ou de processos infecciosos.

(Créditos: Stritch University)

O ecocardiograma transtorácico é fundamental para elucidação etiológica, além de determinar a terapêutica a depender do seu resultado.

O BNP (peptídeo natriurético cerebral) é um exame que ajuda a diferenciação entre a dispneia de origem cardiogênica e não cardiogênica, sendo aumentado em patologias que causam aumento da pressão intracardíaca e estiramento das fibras miocárdicas. 

A ultrassonografia point of care é uma ferramenta cada vez mais utilizada em serviços de urgência e emergência no Brasil, sendo importante nos casos de dúvida diagnóstica, onde a ausculta gera dúvida em relação a hipervolemia. Um achado com mais de 3 linhas B em um único espaço intercostal indica edema pulmonar.

Linhas B no ultrassom pulmonar, sintoma de edema agudo de pulmão
Linhas B no ultrassom pulmonar (Créditos: Scielo)

Etiologia

A principal causa de EAP é a insuficiência cardíaca, porém há algumas outras causas, como:

  • arritmias — por isso a importância do ECG logo na entrada —, e se julgar que a causa do EAP é a arritmia, há indicação de cardioversão elétrica;
  • má aderência medicamentosa;
  • infarto agudo do miocárdio;
  • disfunção de prótese;
  • complicações da endocardite infecciosa;
  • hipertireoidismo;
  • feocromocitoma;
  • estenose de artérias renais.

Tratamento do edema agudo de pulmão

Primeiramente, é importante levar o paciente para a sala de emergência e providenciar suporte de oxigênio, monitorização contínua, acesso periférico e elevação da cabeceira.

A ventilação não invasiva (VNI) é um dos pilares no tratamento do EAP, pois aumenta a pressão positiva. A VNI evita em grande parte das vezes a intubação. Porém fique esperto, paciente que não suporta fazer VNI, hipotenso, sonolento, não protele a intubação.

Após conseguir o acesso venoso, faremos a furosemida (um diurético de alça), de 0,5 a 1mg/kg, a depender das condições clínicas do paciente. No EAP existem pacientes mais ou menos hipervolêmicos, havendo sempre a necessidade de individualização. A diurese costuma ocorrer cerca de 30 minutos após administração. Novas doses podem ser realizadas a depender da resposta do paciente a medicação. A furosemida também causa venodilatacao, diminuindo a pré carga.

O uso dos vasodilatadores endovenosos é o outro pilar no tratamento do EAP. Normalmente utilizamos o Nitroprussiato de sódio (Nipride), importante vasodilatador arterial e venoso, diminuindo a pós carga. O cuidado que devemos ter com esse vasodilatador é nos casos de síndrome coronariana aguda, devido ao efeito de roubo coronariano. Nesses casos específicos, a nitroglicerina (Tridil) é o vasodilador de escolha.

A morfina pode ser usada em casos selecionados, por diminuir a pré carga, a pós carga e diminuir a sensação de dispneia, porém pode causar depressão respiratória e do sistema nervoso central.

Nos casos de choque cardiogênico, lembrar de introduzir um inotrópico (se a pressão arterial sistólica tolerar) antes do vasodilatador, sendo a dobutamina a mais usada.

E aí, preparado pra lidar com o edema agudo de pulmão na sala de emergência?

Só pra não esquecer, hein? O tripé do tratamento do EAP é: VNI, vasodilatador endovenoso e furosemida. Pode ler e reler esse post quantas vezes precisar — o importante é que, após todo o conhecimento acumulado, você esteja pronto para atender um edema agudo de pulmão, passando segurança a toda equipe e ao paciente.

Esperamos que tenham gostado! Se quiser ver mais algum conteúdo, que tal dar uma olhada no nosso Guia de Prescrições? Com ele, você vai estar muito mais preparado para atuar em qualquer sala de emergência do Brasil!

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Bons estudos!

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Nascido em 1993, formado pela Universidade de Santo Amaro (Unisa). Residente de Clínica Médica da Santa Casa de São Paulo, apaixonado por Emergências clínicas, pelo aprendizado e pelo ensino.