Estudo japonês aponta probióticos como possível estratégia para reduzir parto prematuro recorrente

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Probióticos para prevenir parto prematuro espontâneo foram avaliados em um estudo clínico conduzido no Japão e publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology. A pesquisa investigou se a administração oral de probióticos poderia diminuir a recorrência de parto prematuro em gestantes com histórico prévio dessa complicação obstétrica.

O parto prematuro espontâneo segue como um dos principais desafios da obstetrícia, associado a elevada morbimortalidade neonatal. Mulheres que já tiveram um parto prematuro apresentam risco significativamente maior de recorrência em gestações futuras, com taxas estimadas próximas de 30% em diferentes populações.

O que o estudo apontou sobre a relação entre microbiota e gestação

A hipótese investigada pelos pesquisadores parte da relação entre microbiota intestinal materna e resposta imunológica na gravidez. Estudos recentes indicam que determinadas bactérias intestinais podem contribuir para a manutenção da tolerância imunológica na interface materno-fetal.

Entre elas estão espécies do gênero Clostridium, especialmente aquelas produtoras de butirato, substância associada à indução de células T reguladoras. Essas células desempenham papel importante na modulação da resposta imune durante a gestação.

A menor presença dessas bactérias em mulheres que evoluem com parto prematuro motivou a investigação sobre o possível benefício da suplementação com probióticos.

Como o estudo sobre probióticos para prevenir o parto prematuro espontâneo foi conduzido?

O ensaio clínico prospectivo, multicêntrico e de braço único foi realizado em 31 hospitais japoneses entre 2021 e 2024. Participaram gestantes entre 18 e 43 anos com histórico documentado de parto prematuro espontâneo anterior e com menos de 15 semanas de gestação no momento da inclusão.

Após a entrada no estudo, as participantes iniciaram o uso oral de probióticos entre 10 e 14 semanas de gestação, com formulação contendo Clostridium butyricum, Enterococcus faecium e Bacillus subtilis. A administração foi mantida até 36 semanas e seis dias de gestação ou até o parto prematuro.

Resultados do estudo indicam redução de recorrência do parto prematuro espontâneo

Entre as 315 gestantes incluídas na análise final, a taxa de recorrência de parto prematuro antes de 37 semanas foi de 14,9%, valor inferior à taxa histórica japonesa de 22,3%. A análise estatística indicou redução aproximada de 33% no risco de recorrência utilizando os probióticos indicados.

Os pesquisadores também observaram resultados relevantes em desfechos mais precoces. A taxa de parto prematuro antes de 34 semanas foi de 3,5%, enquanto a recorrência antes de 28 semanas em mulheres com histórico de prematuridade extrema foi de 1,5%.

Durante o acompanhamento, não foram registrados eventos adversos graves relacionados ao uso dos probióticos, e a adesão ao tratamento foi elevada, com a maioria das participantes ingerindo pelo menos 80% das doses prescritas.

Potencial em aplicações clínicas

Os resultados sugerem que a administração precoce de probióticos pode representar uma estratégia promissora para reduzir a recorrência de parto prematuro em gestantes de alto risco. 

Ainda assim, especialistas apontam que novos estudos, especialmente ensaios clínicos randomizados, são necessários para confirmar os achados e avaliar a aplicabilidade em diferentes populações.

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Thais Sardinha

Thais Sardinha

Professora da Medway de GO. Médica e mestre pela UNICAMP. Residência de Ginecologia e Obstetrícia e especialização em Oncologia Pélvica pelo CAISM/UNICAMP. Atualmente cursando doutorando pela mesma instituição. Siga no Instagram: @sardinha.medway