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Protocolo SPIKES: melhorando a comunicação de más notícias

Os médicos devem sempre estar preparados para abordar um paciente da maneira adequada, especialmente quando há a necessidade de comunicar uma notícia delicada. O protocolo SPIKES foi criado para aprimorar a comunicação nesse caso. Continue a leitura e confira informações a respeito desse assunto.

Como surgiu?

Criado nos Estados Unidos, no ano de 2000, esse protocolo de comunicação de más notícias foi construído direcionado para pacientes com câncer e comunicação de notícias difíceis. Existem diversos outros protocolos, mas esse é o mais aceito na literatura.

Apesar dele ser validado para notícias difíceis aos pacientes com câncer, é possível estendê-lo e utilizá-lo como base para diversos outros cenários de comunicação de notícias difíceis.

O que é uma má notícia?

É uma informação que muda a visão do paciente, ou do familiar, sobre o futuro ou a dinâmica familiar. Além disso, uma má notícia causa imensa tristeza, raiva, indignação, entre outras emoções intensas.

Uma má notícia pode ter significados muito diferentes, dependendo da pessoa que a está recebendo. Abaixo, confira alguns exemplos que podem acontecer:

  • o rompimento de um ligamento/fratura de algum osso pode significar que um praticante de esporte ou dançarino estará fora do torneio para o qual mais treinou/ensaiou; 
  • a esterilidade é uma condição indesejada para muitas pessoas e pode ser difícil de comunicar;
  • a morte de um parente, um estado vegetativo e até a necessidade de procedimentos de emergência que apresentam alto risco de morte.

O dever do médico

De qualquer maneira, os médicos são os responsáveis por dar as notícias, tendo o dever de estudar para estar apto a fazer isso. As notícias não vão se modificar ou se tornar melhores, mas pelo protocolo SPIKES, é possível transmitir conforto, apoio e esperança tanto para o paciente quanto para os familiares.

O uso de “más notícias”

Em um estudo, foram avaliados termos usados em uma situação ruim. Os pacientes responderam que a melhor expressão seria “notícia séria” no lugar de “má notícia”. Isso porque não cabe aos médicos julgar a qualidade da notícia.

Ao lerem isso, muitas pessoas podem julgar como o uso de determinados termos como algo banal. Porém, é muito importante saber como os receptores das mensagens (pacientes e familiares) pensam. Até porque, nem sempre estarão do lado dos “contadores” da notícia.

Protocolo SPIKES: letra a letra

Você já parou para se perguntar qual é o significado desse termo? As letras dessa expressão representam cada uma das etapas do protocolo SPIKES, que utiliza essa abordagem para a comunicação de más notícias. Abaixo, confira o significado de cada uma das letras.

Letra “S”

A primeira letra S de SPIKES quer dizer “setting”. Ou seja, é necessário marcar, preparar ou arranjar a entrevista. Portanto, esse é o momento de comunicar a notícia.

Letra “P”

A letra P quer dizer “perception”. Aqui, procura-se saber a percepção do paciente ou da família acerca da doença, do diagnóstico e do que está acontecendo. Muitas vezes, há dificuldade no entendimento, devido à complexidade do caso ou porque ninguém explicou a situação de forma clara.

Então, é o momento de perguntar para o paciente/familiar qual é o entendimento da doença, o que ele espera da situação, se ele sabe porque tais exames foram feitos, etc.

Letra “I”

A letra I no protocolo SPIKES significa “invitation”, em português, “convite”. Nessa etapa, deixe o paciente convidar para contar a ele sobre a doença. Respeite a vontade do paciente de querer saber detalhes (ou não) do quadro.

Letra “K”

A letra K simboliza o termo “knowledge”, ou seja, dar informação e conhecimento ao paciente. Nessa fase, é importante ser direto e simples acerca das informações. Não há necessidade de pressa.

A informação deve ser passada aos poucos, com pausas para perceber a reação do paciente/familiar sobre as informações passadas. É importante usar palavras de fácil compreensão para facilitar o entendimento do paciente/familiar.

Letra “E”

A letra E quer dizer “emotions”, relacionada à preocupação com as emoções do paciente e dos familiares. A reação às notícias ruins é muito individual e varia entre as pessoas. A maioria das pessoas entra em estado de choque, dor, choro, raiva, tristeza, negação, indignação, silêncio.

Os médicos devem estar preparados para amparar o receptor da mensagem da melhor maneira possível. Mostre apoio e compaixão, deixando claro que está sempre à disposição para ajudar no que for possível.

O espaço para o silêncio é muito importante no protocolo SPIKES. Após dada a notícia ruim principal, espere para o receptor falar primeiro. Se ele necessitar de alguns minutos de silêncio ou choro, deixe que dite o ritmo nesse momento.

Letra “S”

O segundo S de SPIKES significa “strategy and summary”, isso é, estratégia e resumo. Aqui, pergunte ao paciente se ele está pronto para continuar e discutir os próximos passos (plano terapêutico, cuidados paliativos, etc). 

Caso ele opte por esperar ou não saber, suas escolhas, seus direitos e sua autonomia devem ser sempre respeitados. A relação entre médico-paciente-família é extremamente flexível e única. Guie-se sempre pela vontade do paciente/familiar.

Não limite as informações médicas passadas. No entanto, isso deve ser feito com cuidado, para tudo não ter um efeito negativo ainda maior que a omissão do fato.

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Como visto, o protocolo SPIKES é uma prática da Medicina de Emergência extremamente importante para a abordagem de um paciente. Quer saber de outros assuntos que envolvem os procedimentos de urgência? Então, conheça a Academia Medway. Por lá, disponibilizamos uma série de materiais gratui

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FláviaTroiani

Flávia Troiani

Nascida em Santos em 1995 e formada pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2019, agora cursa sua residência de Clínica Médica pela Secretaria Municipal de Saúde (SUS - SMS) em São Paulo. Seu próximo passo é entrar em Cardiologia, inspirada pela sua mãe, médica da área.