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DIU de cobre: saiba quem pode utilizá-lo

Fala, pessoal! Hoje vamos falar a respeito do DIU de cobre, apenas um dentre os vários métodos contraceptivos. 

Os contraceptivos refletem um importante progresso para a população, especialmente para a população feminina, uma vez que eles permitem liberdade de decisão em relação a quando gestar. Existem muitos métodos anticoncepcionais na atualidade e a lei do Planejamento Familiar afirma que todos os métodos devem ser oferecidos para que as pacientes possam escolher em conjunto com o médico o melhor método para sua realidade, de acordo com a indicação médica e as expectativas da mulher. 

Saiba quem pode usar o DIU de cobre
Saiba quem pode usar o DIU de cobre

O dispositivo intrauterino com cobre (DIU TCu 380A) é um método contraceptivo distribuído pelo Ministério da Saúde que possui alta eficácia, é prático, seguro, possui longa duração, não contém hormônios e é um método reversível. Ele é amplamente utilizado no mundo, entretanto, no Brasil, a estimativa de uso é baixa: apenas cerca de 2% da população feminina brasileira na menacme opta por esse método. 

Isso ocorre devido ao desconhecimento do método e a informações incoerentes sobre o uso dele. Portanto, cabe aos profissionais da saúde informarem aos pacientes sobre esse excelente método contraceptivo, sendo o de maior duração e de menor número de contraindicações. 

Introduzindo o assunto

O DIU de cobre é um método anticoncepcional que pertence ao grupo dos LARCs – Long Acting Reversible Contraceptives, em inglês, juntamente aos DIUs hormonais de Levonorgestrel (Mirena e Kyleena) e ao implante subdérmico de Etonogestrel. 

Os LARCs, por sua vez, abrangem contraceptivos muito eficientes e que possuem ação contraceptiva duradoura. Eles possuem excelente eficácia, assegurando menos de 1% de gravidez por ano em uso perfeito e em uso típico. Depois da inserção, os LARCs não dependem de atitude médica ou da paciente para se manterem eficazes. 

Pela praticidade da manutenção da anticoncepção e boa durabilidade, a maioria das pacientes fica satisfeita com os métodos de longa ação e opta por continuar o uso. Por isso, recomenda-se que esses métodos sempre sejam oferecidos como primeira linha para contracepção.

O DIU de cobre desempenha ação local no sistema reprodutivo feminino e nos gametas masculinos para evitar fecundação e implantação embrionária. Ele é um método seguro que pode ser contraceptivo por até dez anos. Seu uso é muito interessante e prático, pois não depende de ação diária da paciente e isso confere maior adesão ao método e melhor eficácia. Além disso, ele não interfere na fertilidade feminina, portanto, quando retirado possibilita gravidez sem delongas. O aumento da acessibilidade ao DIU de Cobre nas unidades básicas de saúde e nas maternidades é uma estratégia excelente para promoção de saúde reprodutiva e planejamento familiar. 

Mecanismo de ação do DIU de cobre

Pessoal, o mecanismo de ação do DIU de Cobre se baseia na ação de corpo estranho que ele tem na cavidade uterina. O cobre proporciona uma resposta inflamatória local com liberação de citocinas e prostaglandinas no endométrio, resultando em ação tóxica nos óvulos e espermatozoides

Nos gametas masculinos, ele dificulta a mobilidade e possui ação espermicida. No endométrio, ele causa uma reação inflamatória crônica dificultando a implantação do embrião. 

Eficácia 

O DIU de cobre é um método contraceptivo muito eficaz, além de possuir excelente custo- benefício, uma vez que, depois da sua inserção, ele pode durar até uma década. O DIU de cobre apresenta índice de Pearl (taxa de falha) de 0,8 a cada 100 mulheres em um ano no uso típico (ou seja, 8 a cada 1000 usuárias podem engravidar em um ano) e de 0,6 a cada 100 (ou 6 a cada 1000) em um ano no uso perfeito. Depois do primeiro ano de uso, a taxa de falha reduz.

Características do DIU de Cobre

O DIU de cobre (TCu 380) é um dispositivo pequeno e maleável de polietileno com formato de T, coberto com cobre em sua haste vertical e com dois anéis de cobre nas suas hastes horizontais. 

Além disso, é um método anticoncepcional distribuído pelo Ministério da Saúde muito relevante, pois:

  • possui boa eficácia;
  • longa ação (até dez anos);
  • é prático;
  • é seguro;
  • não contém hormônios;
  • tem bom custo-benefício;
  • pode ser inserido em mulheres que amamentam;
  • apresenta altas taxas de continuidade do uso;
  • pode ser colocado após o parto ou aborto;
  • promove retorno rápido da fertilidade quando removido e tem ação local, sem repercussões sistêmicas.

Efeitos adversos

Os principais efeitos adversos relacionados ao uso do DIU de Cobre são aumento do volume e/ou da duração da menstruação e surgimento ou aumento das cólicas menstruais. Esses efeitos são notados, especialmente, no primeiro trimestre após a inserção, porém podem ser duradouros. 

Tanto a dismenorreia quanto o aumento do fluxo menstrual podem ser tratados clinicamente com anti-inflamatórios e antiespasmódicos no período das queixas e a grande maioria das pacientes relata melhora dos sintomas e opta por continuar com o método. Porém, se a mulher não se adaptar e considerar os sintomas deletérios à sua qualidade de vida, devemos indicar a remoção do DIU de cobre. 

Indicações do DIU de Cobre

Pessoal, o DIU de cobre é uma opção incrível de contracepção para pacientes que desejam um método reversível, altamente eficaz, com longa duração, sem hormônios e que não depende de sua memória diária. Portanto, ele deve ser oferecido e orientado para todas as pacientes em qualquer fase da vida reprodutiva. 

Ele pode ser utilizado em pacientes que não podem usar métodos com estrogênio ou progesterona e em mulheres que amamentam, pois não interfere na composição e na quantidade de leite produzido. Não é à toa que ele é o “queridinho” dos ginecologistas.

Pacientes adolescentes podem usar o DIU de cobre, inclusive, ele é um dos métodos anticoncepcionais com melhor custo-benefício para as pacientes jovens devido à sua duração de até dez anos. Lembrando que sempre temos que orientar utilizar concomitantemente o preservativo para evitar infecções sexualmente transmissíveis. 

Pacientes que nunca engravidaram, ou seja, nuligestas, e que nunca tiveram um parto, ou seja, nulíparas, também são boas candidatas ao uso do DIU de cobre, uma vez que não há diferença significativa na expulsão nesse grupo de pacientes. 

Para pacientes na perimenopausa o DIU de cobre também é uma boa opção de método contraceptivo, principalmente se houver contraindicações aos métodos hormonais combinados, como:

  • hipertensão; 
  • diabetes;
  • tabagismo;
  • histórico de trombose. 

Após a menopausa, aguardamos um ano para a retirada do DIU de cobre, porém, se a paciente permanecer com o dispositivo após esse período, não há problema. 

Inserção do DIU de Cobre

O DIU de cobre é um dispositivo que é inserido dentro da cavidade uterina para sua ação contraceptiva. A sua inserção é, na maioria das vezes, simples e pode ser feita no consultório, com ou sem anestesia local do colo uterino, ou no centro-cirúrgico sob bloqueio anestésico ou sedação.

Ele pode ser inserido em qualquer fase do ciclo menstrual após exclusão de gravidez (em algumas situações, recomenda-se um teste urinário de gestação antes da inserção). Em pacientes menstruadas, a inserção tende a ser mais fácil, pois o colo uterino está aberto, porém ele também pode ser inserido fora do período menstrual. 

O DIU de Cobre pode ser inserido após parto vaginal, cesariana e aborto, no entanto, apresenta uma taxa de expulsão maior nesses períodos. Porém, a inserção nesses momentos é muito importante para prevenir futuras gestações não planejadas, como uma janela de oportunidade. 

É imprescindível realizar o exame ginecológico, incluindo exame especular e toque vaginal bimanual, previamente à inserção do DIU de cobre para determinar o conteúdo da vagina, o volume e a posição do útero. O exame físico é fundamental e mandatório em todas as pacientes que vão colocar o DIU para eficácia e segurança do método.

Para as pacientes que irão substituir o DIU de cobre, a retirada do antigo e colocação de um novo pode ser feita no mesmo momento, em qualquer fase do ciclo menstrual, desde que a paciente seja previamente examinada.

Não indicamos rotineiramente profilaxia com antibióticos para inserir o DIU de cobre. Devemos orientar as pacientes sobre possíveis sintomas de infecção, como dor pélvica, febre e corrimento vaginal anormal e, nesses casos, procurar algum serviço médico para serem avaliadas. 

Para finalizar

Galera, o DIU de cobre é o método contraceptivo “queridinho” dos ginecologistas e obstetras, pois ele é o método com maior duração (até dez anos) e aplicabilidade, ou seja, pode ser usado em diversas situações, inclusive quando os métodos hormonais não podem ser utilizados. Ele pode ser usado em todas as fases da vida reprodutiva da mulher, inclusive na adolescência, pós-parto e na perimenopausa.

Além disso, ele é um método anticoncepcional acessível, disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, com poucas contraindicações, que possui ação local, não contém hormônios, não interfere na lactação, permite retorno precoce da fertilidade após a retirada e apresenta bom custo-benefício, pois é o método com maior durabilidade. 

Portanto, nós, como profissionais da saúde, devemos orientar todas as pacientes na menacme sobre a existência desse excelente método contraceptivo, seus benefícios e seus possíveis efeitos adversos. Assim, as mulheres poderão escolher sua contracepção orientadas e cientes das opções.

Bom, pessoal, é isso! Revisamos um pouquinho a onda Q patológica no artigo de hoje. Ficou com alguma dúvida acerca do assunto? Deixe um comentário aqui embaixo, será um prazer respondê-lo.

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Referências 

Manual de Anticoncepção, FEBRASGO, 2015

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Métodos anticoncepcionais reversíveis de longa duração. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO-Ginecologia, no 64/ Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção).

Manual técnico para profissionais de saúde – DIU com Cobre T Cu 380 A – Ministério da saúde. (https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2018/12/manual_diu_08_2018.pdf)

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MarinaNobrega Augusto

Marina Nobrega Augusto

Paulista, nascida em Ribeirão Preto em 1994. Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2019. Atualmente, residente do segundo ano de Ginecologia e Obstetrícia na EPM-UNIFESP. "Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo." - Paulo Freire.