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Sobrecarga ventricular esquerda: tudo que você precisa saber

Fala, pessoal! Hoje vamos falar sobre um assunto muito importante: a sobrecarga ventricular esquerda. Quer saber mais a respeito desse tema? É só continuar a leitura para aprender e aprimorar seus conhecimentos. 

Muitas condições estão associadas a sobrecargas ventriculares. Realizar uma análise correta do eletrocardiograma em conjunto com a clínica pode impedir que as mudanças no eletrocardiograma sejam atribuídas incorretamente a outras condições, como a isquemia, por exemplo. 

Bora lá? 

Quais são as causas de sobrecarga ventricular esquerda?

A sobrecarga ventricular esquerda ocorre quando há um aumento substancial da massa muscular do ventrículo esquerdo associada a padrões concêntricos, excêntricos ou assimétricos.

As principais patologias que podem levar a sobrecarga ventricular esquerda são:

  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Cardiomiopatia dilatada;
  • Cardiomiopatia hipertrófica;
  • Doenças valvares esquerdas;
  • Uso de álcool e drogas.

Como identificar a sobrecarga ventricular esquerda no eletrocardiograma

Como falamos no texto anterior, para uma correta interpretação é  importante sabermos as condições normais de ativação dos ventrículos.

Vamos relembrá-las?

  • Amplitude máxima do complexo QRS em pacientes com eixo normal é de 5 a 20 mm no plano frontal, e de 10 a 30 mm nas precordiais;
  • Duração máxima do complexo QRS normal é menor que 120 ms;
  • V1 com padrão rS com aumento progressivo da onda R até seu máximo em V5 e padrão qR em V6;
  • Orientação normal do complexo QRS é de -30° a +120°.

Vários critérios de ECG foram propostos para o diagnóstico de sobrecarga ventricular esquerda. Vamos citar aqui os critérios recomendados pela Diretriz Brasileira.

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Critérios de Romhilt-Estes

Por esse critério, uma pontuação de 5 ou mais indica sobrecarga ventricular “definitiva”; uma pontuação de 4 indica HVE “provável”.

  • Critérios de 3 pontos: aumento de amplitude do QRS (20 mm no plano frontal e 30 mm no plano horizontal); padrão de strain na ausência de ação digitálica; e índice de Morris;
  • Critério de 2 pontos: desvio do eixo elétrico do QRS além de -30º;
  • Critérios de 1 ponto: aumento do tempo de ativação ventricular ou deflexão intrinsecoide além de 40 ms; aumento da duração do QRS (> 90 ms) em V5 e V6; e padrão strain sob ação do digital.

A deflexão intrinsecoide é definida como o tempo desde o início do QRS até o pico da onda R e representa o início da despolarização ventricular a partir da superfície endocárdica e epicárdica ventricular esquerda, sendo uma medida mais precisa da ativação elétrica do VE do que a duração do QRS, que mensura a despolarização ventricular completa. 

Índice de Sokolow Lyon

É considerado positivo quando:

  • A soma da amplitude da onda S na derivação V1;
  • A amplitude da onda R da derivação V5/V6 (o que for mais alto) > 35 mm. Nos jovens, esse limite pode ser de 40 mm.

Índice de Cornell

Quando a soma da amplitude da onda R na derivação aVL + a amplitude da onda S de V3 for > 28 mm em homens e 20 mm em mulheres.

Alterações de repolarização ventricular

Ondas T achatadas nas derivações esquerdas (D1, aVL, V5 e V6).

Padrão strain (infradesnivelamento do ST com onda T negativa e assimétrica).

Sobrecarga ventricular esquerda - imagem ilustrativa
Figura 1: A soma da amplitude da onda S em V1 com a onda R em V6 > 35 mm é representativa do critério de Sokolow-Lyon. As alterações da repolarização ventricular, com infradesnivelamento do segmento ST e inversão final da onda T, é característica do padrão strain, um dos critérios de pontuação no Romhilt-Estes

Sobre a sobrecarga ventricular esquerda, é isso!

Sobre a sobrecarga ventricular esquerda, é isso! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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Referências

O’NEAL, W.T.; QURESHI, W.T.; NAZARIAN, S. et al. Electrocardiographic time to intrinsicoid deflection and heart failure: the multi-ethnic study of atherosclerosis. Clin. Cardiol., v.39, p.531-536, 2016.

Hancock E, William D, Barbara J, Mirvis DM, Okin P, Kligfield P et al.  AHA/ACCF/HRS. Recommendations for the standardization and interpretation of the electrocardiogram: Part V: Electrocardiogram changes  associated with cardiac chamber hypertrophy – A scientific statement from the American Heart Association Electrocardiography and Arrhythmias Committee, Council on Clinical Cardiology; the American College of Cardiology Foundation; and the Heart Rhythm Society Endorsed by the  International Society for Computerized Electrocardiology. Circulation 2009; 119:e251-e261.

Pastore, CA et al. III DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA SOBRE ANÁLISE E EMISSÃO DE LAUDOS ELETROCARDIOGRÁFICOS. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2016, v. 106, n. 4 Suppl 1 [Acessado 23 Dezembro 2021] , pp. 1-23. Disponível em: <https://doi.org/10.5935/abc.20160054>. ISSN 1678-4170. https://doi.org/10.5935/abc.20160054.   

Surawicz B, Knilans TK. Chou’s electrocardiography in clinical practice, 6th ed. Philadelphia: Elservier; 2008.

 de Luna, B. Clinical Electrocardiography. pg 107. 2012.

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AmandaMazetto

Amanda Mazetto

Acadêmica do quarto ano de Medicina na Universidade Nove de Julho pelo FIES e pesquisadora no Instituto do Coração de São Paulo da Faculdade de Medicina da USP