Tratamento da colite pseudomembranosa: confira mais sobre!

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Fala, meu povo! Chegamos ao último post da nossa série sobre essa doença! Nesse post vamos explorar sobre o tratamento da colite pseudomembranosa, tanto em seu primeiro episódio, quanto nas recorrências.

Antes de continuarmos, vamos dar uma “palinha” sobre o que foi visto antes, fechado?

Relembrando

A bactéria da colite pseudomembranosa habita nosso trato gastrintestinal como comensal, sem produzir suas toxinas. Porém, quando há alguma perturbação da flora intestinal (leia-se uso de antimicrobianos de amplo espectro), há espaço para o C. difficile proliferar e iniciar a produção de suas toxinas.

A manifestação principal é a diarreia líquida, associada a dor abdominal. Geralmente,  separamos os casos em doença leve/moderada, doença grave e doença recorrente.

Já o diagnóstico dessa condição depende de uma alta suspeição, sendo considerado suspeito qualquer caso da diarreia aguda em paciente com uso atual e/ou recente de antibióticos, especialmente pacientes internados.

Tratamento da colite pseudomembranosa

Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento é realizado com as seguintes medidas:

  • Interrupção do antibiótico em uso, se possível;
  • Precaução de contato para o paciente:
  • Aqui temos um fato interessante:não basta higienizar as mãos com álcool em gel após o contato com o paciente, pois o C. difficile produz esporos que são resistentes ao álcool. A recomendação é lavar as mãos com água e sabão após examinar um paciente com diagnóstico ou suspeita de C. difficile.
  • Manutenção da volemia e correção dos distúrbios hidroeletrolíticos
  • Antibioticoterapia específica para o C. difficile: as opções que temos são vancomicina via oral, fidaxomicina (um macrolídeo) ou metronidazol via oral ou endovenosa. Antes de iniciar o tratamento, temos que classificar a colite em não grave, grave ou fulminante. da seguinte forma:
  • Não grave: creatinina sérica < 1,5 mg/dL e leucocitose ≤ 15.000 células/mL
  • Grave: creatinina sérica ≥ 1,5 mg/dL e/ou leucocitose > 15.000 células/mL
  • Fulminante: colite grave + hipotensão/choque, íleo ou megacólon

O tratamento do 1º episódio e das recorrências fica sumarizado da seguinte forma:

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CLASSIFICAÇÃO 1ª LINHA ALTERNATIVA





1º EPISÓDIO

NÃO GRAVE
Fidaxomicina 200 mg 2x/dia ou vancomicina via oral, 125 mg, 4x/dia, por 10 dias Metronidazol via oral 500 mg, 3x/dia, por 10 dias
GRAVE Fidaxomicina 200 mg, 2x/dia, por 10 dias Vancomicina via oral, 125 mg, 4x/dia, por 10 dias

FULMINANTE
Vancomicina 500 mg, 4x/dia E Metronidazol EV 500mg, 8/8h Transplante de microbiota fecal


1ª RECORRÊNCIA




Fidaxomicina 200 mg 2x/dia por 10 dias
Vancomicina via oral descalonada:125 mg, 4x/dia, 14 dias → 125 mg, 2x/dia, 7 dias → 125 mg, 1x/dia, 7 dias →125 mg 2/2 dias, 2-8 semanas

2ª RECORRÊNCIA

Fidaxomicina 200 mg 2x/dia por 10 dias
Vancomicina descalonada ou vancomicina por 10 dias seguida de rifaximina por 20 dias
≥ 3ª RECORRÊNCIA Transplante de microbiota fecal

Tratamento da colite pseudomembranosa. Fonte: adaptado de Colleen R. Kelly, MD. ACG Clinical Guidelines: Prevention, Diagnosis, and Treatment of Clostridioides difficile Infections, 2021.

Ficamos por aqui!

Esse texto sobre o tratamento da colite pseudomembranosa foi o último dessa série, espero tenha te ajudado bastante! Não esqueça de dar uma olhadinha nos outros textos sobre esse assunto, caso não tenha visto.

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Referências Bibliográficas

  1. KELLY, Ciarán P. LAMONT, Thomas. BAKKEN, Johan S. Clostridioides difficile infection in adults: Treatment and prevention. © 2023 UpToDate, Inc. and/or its affiliates.
  2. Colleen R. Kelly, MD. ACG Clinical Guidelines: Prevention, Diagnosis, and Treatment of Clostridioides difficile Infections, 2021.

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