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Alcalose respiratória: tudo que você precisa saber

Salve, salve, meus queridos! Hoje vamos abordar de uma forma mais refinada um distúrbio ácido-básico muito frequente no departamento de emergência: a alcalose respiratória

“Mas isso não é consequência de uma hiperventilação?” Em parte, sim, mas uma hiperventilação pode esconder várias patologias de nós! Por isso, a interpretação deve ser em conjunto com os achados na anamnese e no exame físico.

Assim sendo, junte-se a mim para nos aventurarmos nesse distúrbio ácido-básico! 

Definição de alcalose respiratória

A alcalose respiratória ocorre quando há um aumento da ventilação minuto no paciente, ocasionando uma redução da pressão parcial de gás carbônico (PaCO2) no sangue. Ou seja, quanto maior a frequência respiratória, maior será a eliminação de CO2! 

Quer saber mais a respeito da alcalose respiratória? Fique neste texto!?
Continue lendo este texto para saber mais a respeito da alcalose respiratória

Até aí tudo bem, mas voltando às aulas de bioquímica da faculdade, vocês se lembram da equação do sistema tampão bicarbonato-dióxido de carbono? 

H+ + HCO3- H2CO3 CO2 + H2O

Pois bem, com a redução da PaCO2, ocorrerá uma diminuição da concentração do íon H+, o que consequentemente acarretará no aumento de pH! 

Eis que chegamos na definição de alcalose respiratória: 

→ O pH do sangue está em alcalemia (pH > 7.45) 

→ A PaCO2 do sangue estará reduzido (PaCO2 < 35 mmHg) 

Quais são as principais etiologias de alcalose respiratória? 

Didaticamente, podemos dividir as causas de alcalose respiratória em dois grandes grupos: aquelas causadas por etiologia pulmonar e aquelas causadas por etiologia não pulmonar. 

Dentre as causas pulmonares, podemos citar: 

  • pneumonias;
  • edema pulmonar;
  • embolia pulmonar; 
  • broncoaspiração. 

Agora, dentre as causas não pulmonares, podemos citar: 

  • dor;
  • síndrome do pânico;
  • febre;
  • acidente vascular encefálico;
  • meningite;
  • trauma;
  • anemia severa;
  • intoxicação por salicilatos;
  • insuficiência cardíaca congestiva;
  • sepse;
  • gravidez;
  • insuficiência hepática;
  • hipertireoidismo.

Notem nos inúmeros diagnósticos diferenciais o que uma hiperventilação pode esconder. Por isso, uma excelente anamnese e exame físico são essenciais antes da interpretação dos valores gasométricos! 

Resposta metabólica: é agudo ou crônico?

“Como assim? É possível ter alcalose respiratória crônica?!” Sim, meu caro, é possível!

A gasometria de uma paciente gestante mostrará uma alcalose respiratória crônica, como resposta às alterações metabólicas e fisiológicas da própria gestação. Em outros casos, também é possível observar alcalose respiratória crônica, tais como pacientes com hipertireoidismo ou insuficiência hepática compensada. 

Mas, para diferenciar, vamos considerar algumas regras: 

→ Em situações agudas, o pH estará aumentado, enquanto o PaCO2 e o bicarbonato estarão em níveis baixos (resposta renal à redução de PaCO2). 

→ Em situações crônicas, o pH tenderá a normalidade, enquanto que o PaCO2 e o bicarbonato permanecerão em níveis mais reduzidos. 

A compensação aguda de uma alcalose respiratória segue o seguinte padrão: 

→ O bicarbonato reduz 0.2 mEq/L para cada redução de 1 mmHg de PaCO2.

Para aqueles que gostam de fórmulas: 

Bicarbonato esperado = 24 – 2 x [(PaCO2 – 40) / 10] 

Já a compensação crônica de uma alcalose respiratória segue o seguinte padrão: 

→ O bicarbonato reduz de 0.4 a 0.5 mEq/L para cada redução de 1 mmHg de PaCO2.

Para aqueles que gostam de fórmulas: 

Bicarbonato esperado = 24 – 4 (ou 5) x [(PaCO2 – 40) / 10] 

E se decair mais que o esperado? Haverá uma acidose metabólica associada! 

E se decair menos que o esperado? Haverá uma alcalose metabólica associada!

Avaliação do gradiente alvéolo-arterial 

“Mas que palavrão é esse?” Nada mais é do que a diferença entre a pressão parcial de oxigênio (PaO2) existente no alvéolo e no capilar arterial!

Em indivíduos jovens e sadios, o valor normal dessa diferença é em torno de 5 a 10 mmHg, enquanto que em indivíduos idosos, esse valor é estimado entre 15 a 20 mmHg. 

“Por que isso ocorre?” Algumas áreas pulmonares são pouco ventiladas, gerando essa diferença entre o alvéolo e o capilar arterial. 

“E no que isso pode me ajudar?” Basicamente, a elucidar se a causa da alcalose respiratória é de etiologia pulmonar ou não! 

“Show, mas como faço isso?” Coletando uma gasometria arterial em ar ambiente e aplicando na fórmula: 

G (A–a) = 150 – PaO2 – 1.25 x PaCO2 

→ Se esse valor for < 10 mmHg em jovens ou < 20 mmHg em idosos, a causa da hiperventilação NÃO decorre de uma doença pulmonar intrínseca (exemplo: febre, gestação, anemia etc.) 

→ Agora, se esse valor for > 10 mmHg em jovens ou > 20 mmHg em idosos, a hiperventilação decorre de uma doença pulmonar intrínseca, uma alteração na razão ventilação/perfusão ou por ambos motivos (exemplo: pneumonia, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca, sepse etc.). E lembre-se de que essa regra também vale para pacientes que tenham alcalose respiratória crônica!

E qual o tratamento disso tudo? 

Não há um tratamento específico para a alcalose respiratória por si só. O que devemos realmente fazer é tratar a doença que está gerando a alcalose respiratória no paciente! 

Por exemplo: se o paciente tiver uma embolia pulmonar, devemos dar suporte ventilatório e anticoagulação plena, se não apresentar contraindicação. 

É isso, meus queridos! Espero que com o post de hoje, vocês fiquem mais experientes. Caso ainda não dominem o plantão de pronto-socorro 100%, fica aqui uma sugestão: temos um material que pode ajudar com isso: nosso Guia de Prescrições. Com ele, você vai estar muito mais preparado para atuar em qualquer sala de emergência do Brasil.

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Abraços e até a próxima, pessoal!

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