Um paciente que chega à emergência com queimaduras graves sente uma dor intensa. Para piorar, o risco de infecção é alto, e cada minuto faz diferença no prognóstico. É nesse cenário que entra em ação uma equipe treinada para oferecer o atendimento ao queimado, uma área multidisciplinar e fundamental dentro da Medicina.
Vamos explorar o que é essa especialidade, como atuam os profissionais envolvidos, as principais responsabilidades do médico e como funciona a residência médica na área.
Leia e confira também os desafios e recompensas de trabalhar com pacientes queimados e por que esse campo representa tanto impacto na vida das pessoas.
O atendimento ao queimado é o conjunto de medidas médicas e multiprofissionais voltadas ao cuidado de pacientes que sofreram lesões térmicas, químicas, elétricas ou por radiação.
Essas lesões variam de casos leves, como queimaduras solares, até situações críticas que exigem internação em unidades especializadas.
Um adolescente de 15 anos chega ao pronto-socorro após encostar em um fio elétrico exposto. Ele apresenta queimadura profunda na mão direita e sinais de lesão inalatória.
A conduta imediata exige não apenas o cuidado da lesão, mas também suporte de vias aéreas e monitorização cardíaca.
Esse exemplo mostra como o atendimento ao queimado é mais do que apenas os cuidados com a pele, alcançando funções vitais.
O cuidado ao paciente queimado exige integração de várias especialidades. Além de tratar uma lesão cutânea, é preciso considerar o indivíduo como um todo.
Cirurgiões plásticos, cirurgiões gerais, intensivistas e emergencistas participam ativamente do processo. Eles são responsáveis por:
Os enfermeiros têm papel central no controle de curativos, administração de medicamentos e monitorização contínua.
Também oferecem suporte emocional ao paciente e orientam familiares quanto aos cuidados diários.
A Fisioterapia previne contraturas, mantém a mobilidade articular e estimula a recuperação funcional.
Por exemplo, uma criança com queimaduras em ambos os joelhos recebe exercícios de mobilização precoce. Isso previne retrações cicatriciais que poderiam comprometer a marcha no futuro.
O paciente queimado apresenta alto gasto energético e necessidade aumentada de proteínas.
O nutricionista ajusta a dieta para favorecer a cicatrização, ganho de massa muscular e melhora da resposta imunológica.
O impacto emocional das queimaduras pode ser devastador. Psicólogos e psiquiatras ajudam o paciente a lidar com dor, traumas e mudanças na autoimagem.
O papel do assistente social envolve orientação sobre benefícios, apoio ao processo de reinserção social e o acesso a recursos de reabilitação.
O médico tem papel central e múltiplas responsabilidades no atendimento ao queimado. Essas funções vão desde a primeira avaliação, na emergência, até o acompanhamento prolongado. Entre as ações de um especialista nessa área estão:
O Atendimento ao Queimado é uma área de atuação, e não uma residência médica isolada. Para trabalhar com queimaduras, o médico precisa concluir a residência em Cirurgia Geral e, em seguida, em Cirurgia Plástica.
A especialização em Atendimento ao Queimado tem duração de 1 ano. Atualmente, o programa conta com 8 vagas autorizadas.
Em geral, o candidato precisa concluir Cirurgia Geral e, em seguida, Cirurgia Plástica.
No Brasil, destacam-se hospitais universitários e centros de queimados. Veja uma tabela com alguns dos mais relevantes:
| Instituição | Cidade/Estado | Tipo | Perfil de Atendimento |
| Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) | São Paulo (SP) | Público | Adulto e pediátrico, alta complexidade |
| Hospital João XXIII (FHEMIG) | Belo Horizonte (MG) | Público | Adulto, grandes queimados, emergência |
| Hospital da Restauração | Recife (PE) | Público | Adulto e pediátrico, referência no Nordeste |
| Instituto Dr. José Frota (IJF) | Fortaleza (CE) | Público | Adulto e pediátrico, referência regional |
| Hospital Israelita Albert Einstein | São Paulo (SP) | Privado | Adulto e pediátrico, alta complexidade |
| Hospital Sírio-Libanês | São Paulo (SP) | Privado | Adulto, suporte especializado em queimados graves |
| Hospital Alemão Oswaldo Cruz | São Paulo (SP) | Privado | Adulto, foco em reabilitação e multidisciplinaridade |
| Hospital Universitário Evangélico Mackenzie | Curitiba (PR) | Privado | Adulto e pediátrico, centro de alta complexidade |
Durante a residência, o médico vivencia um conjunto amplo de temas diretamente ligados ao atendimento ao queimado.
O residente aprende a indicar e realizar enxertos cutâneos para cobrir áreas queimadas extensas.
Mais do que os enxertos, o médico aprende a executar retalhos locais, regionais e livres. São usados em áreas onde a exposição óssea, tendinosa ou nervosa não permite apenas enxerto.
Envolvem conhecimentos de microcirurgia, anastomose vascular e cobertura de defeitos complexos.
O residente é treinado no reconhecimento precoce de sinais infecciosos em queimaduras. Aprende sobre antibioticoterapia racional, evitando o uso indiscriminado.
Muitos pacientes apresentam lesão inalatória ou complicações respiratórias secundárias.
O residente acompanha protocolos de intubação precoce.
Além das citadas, o médico se aprofunda em áreas como: nutrição do paciente crítico; reabilitação funcional; reabilitação estética e psicológica.
O atendimento ao queimado é uma das áreas mais exigentes da Medicina. Veja alguns desafios e recompensas associados ao trabalho:
O atendimento ao queimado é uma área complexa, que envolve desde cuidados emergenciais até reabilitação de longo prazo.
Exige dedicação, preparo técnico e sensibilidade humana, mas oferece recompensas únicas. Para quem busca uma carreira com forte impacto social, é uma excelente escolha.
O sistema de saúde (público ou privado) precisa se aprimorar continuamente para prestar um atendimento ao queimado de ótima qualidade.
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Professora da Medway. Médica pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Cirurgiã Geral pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Cirurgiã de Cabeça e Pescoço pela Santa Casa de Limeira-SP (ISCML). Siga no Instagram: @laradamedway