Bartolinite: o que é, sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e mais!

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A bartolinite é uma das infecções vulvares mais frequentes na prática ginecológica. O quadro se caracteriza pela inflamação das glândulas de Bartholin, estruturas vestibulares localizadas na entrada da vagina responsáveis por lubrificar a vulva. 

Quando o ducto ou o orifício externo dessa glândula é obstruído, o muco produzido se acumula e forma um cisto de Bartholin, que pode infectar-se e evoluir para um abscesso doloroso.

Embora geralmente benigna, a bartolinite pode causar grande desconforto e impacto funcional, especialmente em quadros mais avançados. 

Por isso, conhecer sua fisiopatologia, manifestações clínicas e condutas é essencial tanto para a prática médica quanto para as provas de residência. Vamos nessa? 

O que é bartolinite e como se manifesta

O cisto de Bartholin surge quando o ducto de drenagem da glândula fica bloqueado, levando ao acúmulo de secreção. Quando ocorre contaminação bacteriana, instala-se o processo infeccioso — a bartolinite propriamente dita.

Sintomas

Os sintomas variam conforme a fase e a gravidade do quadro:

  • Dor intensa na região vulvar, que piora ao andar, sentar ou durante relações sexuais;
  • Abaulamento visível e doloroso próximo ao pequeno lábio vaginal;
  • Vermelhidão, calor e aumento da sensibilidade local;
  • Febre e eliminação de pus, em casos de abscesso;
  • Dificuldade de locomoção ou para se sentar em estágios avançados.
Fonte: https://mdsearchlight.com/womens-health/bartholin-gland-cyst/

Cistos pequenos e não infectados tendem a ser assintomáticos, sendo encontrados incidentalmente no exame ginecológico de rotina. Já a bartolinite franca é um quadro agudo, com dor importante e sinais inflamatórios evidentes.

Principais causas e fatores de risco

A principal causa da bartolinite é a infecção bacteriana secundária à obstrução do ducto glandular. Os agentes mais frequentemente envolvidos são:

Diversos fatores predisponentes aumentam o risco de obstrução e infecção:

  • Relações sexuais desprotegidas;
  • Higiene íntima inadequada;
  • Trauma ou irritação local;
  • Estados de imunossupressão.

Essas condições favorecem o bloqueio do fluxo glandular e a proliferação bacteriana, culminando na inflamação.

Diagnóstico: clínico e direto

O diagnóstico da bartolinite é essencialmente clínico e baseado no exame ginecológico. O médico observa a presença de massa dolorosa, geralmente unilateral, localizada no terço inferior do grande lábio, próxima ao introito vaginal.

Alguns exames podem ser úteis em situações específicas:

  • Cultura bacteriana da secreção, especialmente em casos de pus, para identificação do agente;
  • Exames laboratoriais complementares (urinálise, pesquisa de ISTs) conforme o contexto clínico;
  • Biópsia da glândula em mulheres acima de 40 anos ou em casos atípicos, visando excluir neoplasia de glândula de Bartholin, que embora rara, deve ser sempre considerada nessa faixa etária.

O início precoce do tratamento é recomendado — o atraso pode agravar o quadro e aumentar o risco de complicações.

Tratamento: do conservador ao cirúrgico

A abordagem terapêutica depende da gravidade do quadro, da presença de infecção e da recorrência.

1. Tratamento conservador

Nos casos leves ou quando há apenas o cisto não infectado, o manejo pode ser feito com banhos de assento mornos e compressas quentes, que ajudam a aliviar a dor e favorecer a drenagem espontânea. O uso de analgésicos e anti-inflamatórios complementam o alívio sintomático.

2. Antibioticoterapia

Indicada quando há sinais de infecção bacteriana, presença de abscesso ou secreção purulenta. O antibiótico deve cobrir os principais agentes causais, como Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e E. coli.
O tratamento pode ser combinado a medidas de suporte e analgesia, conforme o quadro clínico.

3. Tratamento cirúrgico

Quando as medidas conservadoras e medicamentosas não são suficientes, ou em casos de recorrência, indica-se intervenção cirúrgica. As opções incluem:

  • Drenagem simples do abscesso, realizada sob anestesia local;
  • Marsupialização, técnica que cria uma nova abertura permanente no ducto para permitir drenagem contínua e prevenir recidivas;
  • Excisão da glândula de Bartholin (bartholinectomia), indicada em casos crônicos, recorrentes ou com comprometimento significativo da qualidade de vida. Não é indicada se houver infecção, preferencialmente em cenários eletivos..

A escolha do procedimento deve considerar a idade da paciente, frequência dos episódios e impacto funcional.

Prevenção e cuidados pessoais

Alguns hábitos podem ajudar na prevenção da bartolinite e na redução de recorrências:

  • Manter boa higiene íntima e evitar produtos irritantes;
  • Utilizar preservativos em todas as relações sexuais;
  • Evitar roupas muito justas ou tecidos sintéticos, que aumentam a umidade local;

O cuidado contínuo é essencial para evitar a reobstrução do ducto e o reaparecimento dos sintomas.

O tema nas provas de residência médica

A bartolinite é tema frequente nas provas de residência. Costuma ser cobrada em três principais eixos:

  1. Reconhecimento clínico: identificar sintomas clássicos e diferenciar bartolinite de outras patologias vulvares (como cistos epidermóides, câncer ou abscessos não glandulares);
  2. Conduta terapêutica: saber indicar corretamente o momento da drenagem, da marsupialização e do tratamento clínico com a antibioticoterapia adequada;

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Thais Sardinha

Thais Sardinha

Professora da Medway de GO. Médica e mestre pela UNICAMP. Residência de Ginecologia e Obstetrícia e especialização em Oncologia Pélvica pelo CAISM/UNICAMP. Atualmente cursando doutorando pela mesma instituição. Siga no Instagram: @sardinha.medway