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Por que ficar atento sobre epilepsia infantil?

De acordo com a Liga Internacional contra Epilepsia (ILAE), a epilepsia infantil é uma doença do cérebro, muito embora os reflexos das crises possam impactar diversas partes do corpo. 

As crises epilépticas podem ser parciais ou generalizadas, com diagnósticos diferentes. Os tipos de crises são: focal, generalizada, de queda, tônico-clônica generalizada e mioclônica. 

Não é difícil encontrar casos de epilepsia em crianças. Assim como os tipos de crises acima, cada uma possui um conjunto de manifestações, embora algumas possam ser semelhantes. Por isso, é muito importante ter amplo conhecimento para o diagnóstico ser assertivo com tratamento precoce.

Entenda o que é a epilepsia infantil

A epilepsia infantil é uma doença neurológica que tem episódios mais recorrentes no primeiro ano de vida. É caracterizada por contrações involuntárias do músculo, conhecidas como convulsões, e pode apresentar ou não perda de memória. 

Essa disfunção do cérebro é ocasionada por um desequilíbrio na transmissão dos neurônios, que se traduz nas formas de repetição, a epilepsia. Cada criança pode apresentar sintomas diferentes. O tempo de duração também pode variar, já que todo o contexto precisa ser analisado, incluindo o cérebro afetado. 

Muitas crianças conseguem conviver tranquilamente com a doença mediante um diagnóstico precoce para iniciar o tratamento adequado e controlar os espasmos epilépticos, oferecendo melhor qualidade de vida.

Encefalopatias epilépticas na infância

Entende-se que as encefalopatias epilépticas são distúrbios que variam por diversos formatos ao acometer a criança, e também possuem diferentes etiologias,  apresentam déficits neuropsicológicos também diferentes, assim como tipos de crises e prognóstico.

As formas de encefalopatias epilépticas apresentam diferenças muitas vezes sutis entre elas, assim sendo é importante ficar atento à faixa etária da criança e as formas de manifestação. Confira a seguir os diferentes tipos:

Imagem mostrando Hipsarritmia no eletroencefalograma, um tipo de epilepsia.
Imagem mostrando Hipsarritmia no eletroencefalograma. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_West 
  • Encefalopatia mioclônica precoce: acontece no período neonatal, no primeiro mês de vida até o terceiro mês, essas crises são difíceis de controlar através de medicamentos.
  • Síndrome de Ohtahara: é uma encefalopatia epiléptica precoce que também acontece no período neonatal e se apresenta através de crises tônicas neonatais. Casos relevantes de crianças que evoluem para Síndrome de West.
  • Síndrome de Doose: inicia-se com 2 anos até 5 anos, se manifestam através de  constantes crises mioclônicas, astáticas e mioclônico-astáticas, e predomina nos meninos. 
  • Síndrome de Lennox-Gastaut: é uma forma grave de encefalopatia epiléptica, se manifestando entre 1 ao 7 anos mas com ápice entre 3 e 5 anos, e as crises mais comuns são as tônicas, atônicas e ausências atípicas.
  • Epilepsia com estado de mal elétrico do sono: acomete as crianças na fase pré escolar e escolar, variando entre 2 e 12 anos de idade, apresenta distúrbio de comportamento com crises difíceis de serem controladas.
  • Síndrome de Landau e Kleffner: Tem início entre 2 e 8 anos, marcada por afasia, mais propriamente caracterizada por agnosia auditiva. Inicialmente apresenta dificuldade verbal e evolui para dificuldade em processar informações.

O protótipo das EED é a própria Síndrome de West, uma das apresentações mais frequentes nos lactentes. Seu início ocorre usualmente entre 3-12 meses de idade, marcado pela tríade de espasmos epilépticos + hipsarritmia no EEG + regressão ou parada do DNPM.

Os espasmos são marcados por movimentos de flexão ou extensão súbita dos músculos proximais com duração de 1 à 2s, ocorrendo em clusters. O atraso no DNPM pode estar presente mesmo antes do início dos espasmos e em geral é percebido pelos familiares. 

Em relação ao tratamento, tem a  terapia com ACTH ou prednisolona em que os esteróides parecem ter melhor eficácia a curto prazo. Outra opção é o uso da vigabatrina, uma droga de escolha na síndrome da esclerose tuberosa.

Por se tratar de uma encefalopatia epiléptica, muitas vezes o prognóstico das crianças afetadas é reservado. Algumas crianças conseguem se manter saudáveis, já outras evoluem com Deficiência Intelectual havendo um risco aumentado para Transtorno do Espectro Autista (TEA). 

Aprenda a diagnosticar corretamente e saiba como o tratamento funciona

As causas variam para cada criança. É preciso que o pediatra realize uma investigação das crises e do histórico do paciente, juntamente dos responsáveis, para encontrar o motivo. A idade também influencia diretamente como a doença se apresenta. 

Por outro lado, existem algumas causas mais generalistas entre as crianças acometidas pela doença, como é o caso da deficiência de oxigenação no cérebro durante o parto, chamado de anóxia neonatal

Outros casos comumente identificados pelos pediatras são as crises epilépticas devido à crise compulsiva febril prolongada, que atinge crianças entre 6 meses a 5 anos. Ferimentos na cabeça, meningite, tumor no cérebro e encefalite também são outras causas genéricas da epilepsia infantil. 

Em questão de tratamento, muitas vezes, a epilepsia infantil desaparece com o passar da idade. Porém, em casos de permanência da doença, após o prognóstico, o tratamento é realizado com medicamentos que controlam a transmissão alterada dos neurônios.

Quando a medicação não surte efeito positivo na criança, a realização de cirurgia é indicada. Vale ressaltar que, em todos os casos, é fundamental o acompanhamento com o especialista, bem como cuidados de manutenção na rotina da criança. 

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JuliaLopes Vieira

Julia Lopes Vieira

Nascida em 1992 em Brasília, no coração do Brasil. Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB) em 2016. Residência médica em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) em 2019 e residência médica em Neurologia Pediátrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) concluída em 2021. Servidora da Secretaria de Estado de Saúde do DF - Plantonista no Pronto Socorro de Pediatria do Hospital Regional de Planaltina (HRPL) desde 2020. Atua no Hospital Universitário de Brasília (HUB) em preceptoria voluntária nas áreas de Neurologia Pediátrica e Pediatria desde 2021. Ensinar é provavelmente o melhor jeito de aprender!