Como é a residência em Anestesiologia na USP

A gente sabe que quem está se preparando para as provas de residência tem muitas dúvidas sobre qual especialidade cursar, e é por isso que neste artigo, vamos conhecer mais sobre a especialidade com acesso direto que é cada vez mais procurada no país: a residência em Anestesiologia na USP (Universidade de São Paulo). 

A maior parte das atividades acontece no complexo do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) um dos maiores sistemas acadêmicos de saúde da América Latina, com o Instituto de Ortopedia e Traumatologia, o Instituto da Criança, o Instituto de Radiologia, o Instituto de Psiquiatria e o Instituto do Coração – no Instituto do Câncer e no Hospital Universitário. Os médicos residentes têm discussões de casos clínicos, treinamento de habilidades manuais e estágios em diversos setores durante os três anos de residência para que obtenham o título de especialistas em Anestesiologia. No entanto, é possível, após a formação, ampliar a área de atuação – já que a residência médica em Anestesiologia é pré-requisito para algumas outras especialidades, como por exemplo, a Medicina Intensiva, em que são necessários dois anos a mais de estudos e o mercado de trabalho está em franca expansão.

Hospital das Clínicas da FMUSP, onde você irá adquirir experiência caso opte pela residência em Anestesiologia na USP
Vista aérea do Hospital das Clínicas da FMUSP

Por falar em mercado de trabalho, a área de atuação do Anestesiologista é bastante ampla. O médico pode escolher qualquer ponto do hospital para atuar, desde os centros cirúrgicos e obstétricos até o pronto-atendimento, uma vez que suas atribuições ultrapassam a aplicação de anestesias: gerenciar possíveis intercorrências pós-anestésicas em cirurgias de alta complexidade, avaliar internados e prescrever analgesia para pacientes operados ou sob cuidados paliativos são parte do seu cotidiano.

Vale destacar que a procura por esse profissional tem crescido cada vez mais, tanto pelo aumento de procedimentos cirúrgicos quanto pela complexidade crescente dos mesmos. Nesse cenário, se destaca quem domina os avanços de técnicas cirúrgicas e dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos. E claro que ganha pontos também quem faz a residência em Anestesiologia em uma instituição renomada. 

Para que você saiba mais sobre o dia a dia e a rotina de estudos de quem já cursa essa especialidade, conversamos com o Gustavo, que já concluiu a residência em Anestesiologia na USP, e o João, que é R2 dessa especialidade no HC. Confere aí!

Alexandre: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta. Qual é o melhor estágio da residência em Anestesiologia na USP? Por quê?

Gustavo: Temos vários estágios incríveis, mas acredito que o melhor estágio de toda a residência em Anestesiologia na USP seja o Pronto-Socorro, as salas do centro cirúrgico dedicadas às cirurgias de urgência, lugar que passamos no R1 e uma boa carga horária, no R2. Para mim é, sem dúvidas, o melhor estágio por lidarmos com os mais variados tipos e perfis de pacientes, com cirurgias de urgência, que são mais desafiadoras, e os mais variados tipos de cirurgia, em um volume grande (de dia são 6 salas e eventualmente até mais).

Nesse ambiente, anestesiamos de tudo, desde crianças que ingeriram corpos estranhos e irão realizar endoscopias, até traumas graves (os chamados águias) e pacientes vasculopatas. Além disso, os assistentes desse estágio sempre estimulam que os próprios residentes tomem as condutas do caso, sob a devida supervisão, o que contribui imensamente para o crescimento como anestesia. Sem dúvida nenhuma, é de longe o estágio de maior aprendizado prático, na residência.

João: Estágio de cirurgias de emergência no Pronto-Socorro devido à ampla diversidade de casos, pacientes graves e instáveis, com múltiplas comorbidades. Temos ainda oportunidade de realização de muitos procedimentos (Central, PAi, bloqueios periféricos). Os médicos assistentes são bons.

Alexandre: Há algum médico-assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Gustavo:  Seria injusto eu nomear apenas uma pessoa. Nós temos uma gama enorme de assistentes, cada qual com suas qualificações e preferências por determinadas áreas. De maneira geral, somos muito bem orientados pelos assistentes, que além de exemplos, se tornam colegas, ao longo da residência. Isso é um grande diferencial.

João: Sim, vários, mas prefiro não citar nomes. Muitos são anestesistas completos, que sabem realizar os mais variados procedimentos, e sabem passar o conhecimento ao residente.

Alexandre: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Anestesiologia na USP.

Gustavo:  A nossa residência é dividida por estágio. Então, rodamos nos estágios por especialidade (Ortopedia, Vascular, Neurocirurgia, Geral, Otorrino, Cardíaca adulto e infantil, Tórax, Cabeça e Pescoço, Plástica, Obstetrícia, entre outras), estágios em UTI (incluindo UTI de pós-operatório de cirurgia cardíaca), estágio de Cirurgia de Urgências (que chamamos de PS), exames (Endoscopias, Colono, CPRE), Imagem (Tomo, Ressonância, Rádio intervenção), hemodinâmica (ablação de FA). É uma residência muito completa, em que atuamos em vários institutos.

João: Em nossa residência, temos contato com todas as especialidades cirúrgicas (Geral, Plástica, Neurocirurgia, Vascular, Oftalmologia, Otorrino, Cirurgia Infantil, Cirurgia Cardiovascular, Ortopedia), além de procedimentos ambulatoriais e diagnósticos. Todos os estágios dentro do complexo do HC. A residência é completa em sua formação.

Alexandre: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Gustavo:  Sim. No R3 podemos fazer um estágio eletivo de cerca de 3 semanas. Pode-se optar por repetir um estágio do seu interesse, ou fazer em outra instituição ou país. Eu optei por ir para Portugal, alguns colegas foram para o Canadá.

João: Sim. 15 dias de estágio eletivo, com grande parte dos residentes realizando estágios fora do país.

Alexandre: Sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente como é isso:

Gustavo:  Em geral, são respeitadas sim as 60 horas semanais. Eles levam isso muito a sério. Sempre que damos plantão noturno, somos dispensados 12h no dia seguinte. A quantidade de plantão noturno e de fim de semana varia conforme o estágio, mas anestesio é uma especialidade que tem muitos plantões noturnos e de fim de semana. De todo modo, a escala de plantão é anual, então você consegue se organizar, e sempre serão respeitadas as 60 horas semanais.

João: Sim, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais. O maior plantão em escala oficial é de 24h. A rotina diária é das 7 às 17 horas, e ficamos escalados na sequência para o plantão noturno. Todo plantão noturno é seguido de day-off (descanso no dia seguinte).

Alexandre: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Anestesiologia na USP foca em parte teórica? Quais as principais atividades teóricas que vocês têm?

Gustavo: Nota 8. Nós temos aulas teóricas ministradas pelos assistentes, discussões de artigos (“Journal clubs”) e reuniões semanais do departamento, que sempre exploram e discutem um caso em específico (seja pela gravidade, desfecho, conduta anestésica).

Alexandre: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Gustavo:  8

João: 7

Alexandre: Quais os pontos fortes da residência em Anestesiologia na USP? Dá uma aprofundada pra gente. 

Gustavo:  De longe acredito que a grande vantagem seja a parte prática, pois temos acesso a inúmeros institutos, a todos os tipos de procedimentos, e a um enorme número de assistentes, sem contar que grande parte dos casos são bastante complexos. Isso sem dúvida é a maior vantagem. Além disso, por conta do networking que fazemos ao longo da residência, recebemos propostas de trabalho de assistentes ou até de ex-residentes, então, nos inserimos com certa facilidade no mercado.

João: Oportunidade de aprendizado para anestesia em todas as especialidades cirúrgicas dentro do próprio complexo do HC e carga horária de 60 respeitada. Há muito aprendizado prático e muita consolidação no mercado dentro da cidade de São Paulo. Temos oportunidade de trabalhos fora mesmo antes do final da residência (Desde o meio do R2). Há também muita oportunidade de realização de pesquisa.

Alexandre: E, tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Gustavo: Talvez a parte teórica, que não é ruim; mas poderia ser melhor organizada, e já estão fazendo inúmeras mudanças nesse sentido.

Alexandre: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

João: Alimentação dentro do próprio complexo (Servido almoço e jantar). Existe a possibilidade da moradia, que se dá por processo seletivo com critérios claros e objetivos.

Alexandre: João, você que não é de São Paulo pretende voltar para a sua cidade de origem após a residência?

João: Sim, eu pretendo voltar para minha cidade. 

Alexandre: Vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acha que é possível se inserir bem no mercado?

Gustavo: Sim, vários colegas optam por voltar aos seus estados de origem. É plenamente possível fazer isso, mas depende também da sua rede de contatos na sua cidade de origem, por que muitas das propostas advém por meio de conhecidos. Mas tenho colegas que voltaram e estão super bem.

João: A inserção no campo da anestesiologia costuma ser mais lenta, mas é possível.

Alexandre: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Gustavo: Eu sou suspeito para falar, mas cresci muito, aprendi e demais, e fui muito feliz na minha residência. Por isso, a recomendo fortemente a todos que se interessem pela minha área. Claro que possui defeitos, mas não posso ser injusto, e acho que as qualidades são muito superiores.

Gostou de saber mais sobre a residência em Anestesiologia na USP?

Se você já está se preparando para conquistar esse sonho, aqui no blog já contamos tudo – tudo mesmo, “papo reto” – sobre como é a prova de residência da USP!  Quer mais informações sobre o que vai cair? Então dá uma olhada no nosso Guia Estatístico com os seis focos que mais caíram na prova nos últimos cinco anos.

E se essa é a especialidade que você deseja cursar, além de gostar de tecnologia e procedimentos invasivos, certamente você tem versatilidade e boa comunicação. E se você ainda não tem certeza de que essa é a residência ideal para você, fica de olho aqui no blog, pois vamos publicar artigos sobre vários outros programas de residência médica. Inclusive, já falamos tudo sobre o programa de Anestesiologia da Unifesp, que tal dar uma olhada? Também publicamos sobre opções de cursos de anestesista pra quem quer se especializar mais

E se fazer residência em Anestesiolgoia na USP ou em qualquer uma das instituições mais buscadas de SP é seu sonho, se liga: existe uma forma de chegar ao fim do ano que vem com desempenho maior do que 80% em todas as provas de residência. Na Jornada da Aprovação na Residência Médica, vamos te contar o segredo para ser aprovado em qualquer instituição que você prestar! Vão ser 3 aulas online grátis, e a primeira já é no dia 16 de novembro!

E se você quer saber mais sobre algum programa de residência médica específico, deixa aqui nos comentários pra gente saber!

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Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.