Carregando

Eixo cardíaco: como identificar no eletrocardiograma

Fala, meu povo! Tudo bem com vocês? Hoje nossa conversa é sobre o eixo cardíaco, com foco no eletrocardiograma (ECG). Qual a importância disso? Bom, a partir do eixo cardíaco, podemos direcionar nossa investigação e avaliação dos nossos pacientes, chegando, assim, em diagnósticos mais assertivos!

Respira fundo e vamos juntos!

Uma pincelada sobre eletrocardiograma

O ECG, para muitos estudantes e médicos, parece indecifrável, e isso acontece porque pulamos etapas durante o aprendizado. Aqui não faremos isso e vamos consolidar esse conhecimento!

Então, antes de falar do eixo cardíaco em si, observe alguns tópicos sobre o ECG:

  • O ECG nada mais é do que uma representação visual dos estímulos elétricos do nosso coração;
  • Para reproduzir esses traçados se lança mão de vetores, por meio de dois pontos, sendo um deles o polo positivo e outro o polo negativo. A diferença de potenciais de ação que gera o que vimos no famoso papel quadriculado;
  • Para analisar o eixo cardíaco, precisamos apenas do plano frontal (DI, DII, DIII, aVL, aVF, aVR);
  • Os eletrodos ficam nos 4 membros, sendo que o da perna direita é apenas um “neutro”, para eliminar o ruído comum.

Agora o que significa cada derivação? Quando falamos “DII”, por exemplo, o que vem a sua mente? Quero que você pense nas descrição a seguir como uma seta (que vai do polo negativo para o positivo):

  • DI: Diferença de potencial de ação entre braço direito (polo negativo) e braço esquerdo (polo positivo). Potencial de ação em 0°;
  • DII: Diferença de potencial de ação entre braço direito (polo negativo) e perna esquerda (polo positivo). Potencial de ação em +60°;
  • DIII: Diferença de potencial de ação entre braço esquerdo (polo negativo) e perna esquerda (polo positivo). Potencial de ação em +120°;
  • aVL: Diferença de potencial de ação entre a média do braço direito e perna esquerda (polo negativo) e o braço esquerdo (polo positivo). Potencial de ação em -30°;
  • aVR: Diferença de potencial de ação entre a média do braço esquerdo e perna esquerda (polo negativo) e o braço direito (polo positivo). Potencial de ação em -150°;
  • aVF: Diferença de potencial de ação entre a média dos braços direito e esquerdo (polo negativo) e a perna esquerda (polo positivo). Potencial de ação em +90°.

Ok, vou deixar isso tudo mais visual!

Eixo cardíaco - saiba mais
Fonte: Adaptado de angomed.com 

Agora, olhe para cada uma das setas da imagem e volte nas descrições acima para fixar bem! 

A imagem abaixo também vai ajudar.

Eixo cardíaco - saiba mais

Aproveitando, se você quer melhorar a sua interpretação de eletrocardiogramas, seja para um diagnóstico ou até para mandar bem nas questões com imagens nas provas de residência médica, sugiro conhecer o nosso curso gratuito de ECG, que vai descomplicar a interpretação eletrocardiográfica com um passo a passo que você nunca viu antes! É só clicar aqui e fazer seu cadastro para receber seu acesso ao curso!

Qual o eixo cardíaco normal?

O eixo cardíaco representa o estímulo elétrico dos ventrículos, mais especificamente o vetor resultante final (ou seja, existem vários vetores enquanto o estímulo está indo do nodo AV até cada fibra de Purkinje nas extremidades – a “soma” deles vai gerar uma direção “principal”). 

Para deixar mais claro: concorda que o estímulo elétrico vai tanto para o ventrículo esquerdo como para o direito, certo? Pois então, o vetor é para esquerda ou direita? Como, dentro da normalidade, o ventrículo esquerdo é maior, o vetor resultante também estará para a esquerda, pois ali tem mais massa, ou seja, mais estímulo.

Entendi, e o que seria o normal?

O eixo cardíaco é normal quando está entre -30° a +90°

Eixo cardíaco - saiba mais
Fonte: angomed.com

Como saber se o eixo cardíaco está normal?

Aqui vou te dar duas dicas e depois a forma mais “fidedigna” para determinar o eixo cardíaco quando olhamos para um ECG. 

Mas antes disso, apenas um conceito para não ficar nenhum ponto sem nó. Quando for falado aqui que a derivação está “positiva”, significa que o estímulo elétrico está indo em sua direção e veremos, no ECG, um QRS positivo (R > S / “mais para cima do que para baixo”). Quando for “negativa”, o estímulo estará se afastando da derivação e o QRS estará negativo (S > R).

Observação: nos esquemas a seguir, o que estiver em preto será para onde está indo o estímulo elétrico.

Dica 1

Se o eixo cardíaco estiver entre 0° e +90° estará normal, é claro.

Para isso, olharemos para duas derivações: DI (0°) e aVF (+90°).

  • DI positivo:
  • aVF positivo:
  • Se DI e aVF estiverem positivas, essas regiões destacadas em preto ficarão “sobrepostas” e o eixo estará na região na qual ambas englobam, ou seja, entre 0° e +90°
  • DI e aVF positivo = Eixo cardíaco normal (entre 0° e +90°)

Dica 2

O eixo cardíaco está normal também quando entre 0° e -30° e identificamos isso com o esquema a seguir (mesmo raciocínio feito na dica 1):

Eixo cardíaco - saiba mais

Portanto:

DI positivo + aVF negativo + DII positivo = Eixo cardíaco normal (entre 0° e -30°)

Como definir o eixo cardíaco com maior exatidão?

Bom, o raciocínio feito até aqui segue o mesmo. Apenas uma informação adicional:

Se o QRS está isoelétrico (R ≈ S), o eixo cardíaco está na sua perpendicular (afinal, ele não está nem se aproximando e nem se afastando)

Portanto, imagine o seguinte cenário:

DI positivo / aVF positivo / DIII isoelétrico.

Se DI e aVF estão positivos, sabemos que o eixo cardíaco está entre 0° e +90°, portanto normal. Mas, indo além, se a derivação DIII (que está em +120°) está isoelétrica, o eixo estará na sua perpendicular, ou seja, em +30° ou em -150°.

Como sabemos que está entre 0° e +90°, então podemos afirmar que o eixo cardíaco, nesse caso, está próximo de +30°.

Desvio de eixo para esquerda

Observamos no ECG a seguinte apresentação: 

  • DI positivo;
  • aVF negativo;
  • DII negativo;
  • Eixo cardíaco entre -30° e -90°.
Eixo cardíaco - saiba mais
Fonte: pt.my-ekg.com

Causas de desvio de eixo para esquerda:

Idosos / Obesos (variantes normais)Hipertrofia ventricular esquerda
Hemibloqueio anterior esquerdoBloqueio do ramo esquerdo
IAM inferiorTaquicardia ventricular
HipercalemiaEnfisema
Gravidez / Ascite / Tumor abdominalSíndrome de WPW
Ritmo de marcapassoCardiopatias congênitas

Desvio de eixo para direita

Observamos no ECG a seguinte apresentação: 

  • DI negativo;
  • aVF positivo;
  • Eixo cardíaco entre +90° e +180°.
Eixo cardíaco - saiba mais
Fonte: pt.my-ekg.com

Causas de desvio de eixo para direita:

Crianças / Jovens magros (variantes normais)Troca eletrodos (Braço D com E)
Bloqueio divisional posteroinferiorHipertrofia ventricular direita
IAM lateralTaquicardia ventricular
TEP / Hipertensão pulmonarDPOC / Cor pulmonale
Síndrome WPWCardiopatias congênitas 

Desvio de eixo extremo / indeterminado

Observamos no ECG a seguinte apresentação: 

  • DI negativo
  • aVF negativo
  • Eixo cardíaco entre +180° e -90°
Eixo cardíaco - saiba mais
Fonte: pt.my-ekg.com

Causas de desvio de eixo extremo:

Troca eletrodos (Braço D com Perna E)Enfisema
Taquicardia ventricularRIVA
HipercalemiaRitmo de marcapasso

Sobre o eixo cardíaco no eletrocardiograma, é isso!

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

Ah, e se quiser conferir mais conteúdos de Medicina de Emergência, dê uma passada na Academia Medway. Por lá, disponibilizamos diversos e-books e minicursos completamente gratuitos!.Pra quem quer acumular mais conhecimento ainda sobre a área, o PSMedway, nosso curso de Medicina de Emergência, pode ser uma boa opção. Lá, vamos te mostrar exatamente como é a atuação médica dentro da Sala de Emergência, então, não perca tempo!

Receba conteúdos exclusivos!

Telegram

É médico e quer contribuir para o blog da Medway?

Cadastre-se
BrunoBlaas

Bruno Blaas

Gaúcho, de Pelotas, nascido em 1997 e graduado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Residente de Clínica Médica na Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Filho de um médico e de uma professora, compartilha de ambas paixões: ser médico e ensinar.