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Como montar uma mesa cirúrgica sem dificuldades

E aí, pessoal? Tudo bem? Mais um tema cirúrgico aqui no blog e que parece um bicho de sete cabeças para interno perdido, residente inexperiente ou para a galera que passa para a segunda fase prática. A boa notícia é que existe uma lógica que vai facilitar seu entendimento. Até o final do texto, você vai estar seguro para entrar no centro cirúrgico, montar uma mesa cirúrgica e não passar vergonha! Bora?

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Primeiros passos para montar uma mesa cirúrgica

Considerando que você já esteja paramentado corretamente, o primeiro passo antes de montar a mesa cirúrgica é cobri-la com campos estéreis impermeáveis. Em serviços que utilizam campo de pano, deve-se colocar um plástico estéril entre ele e a mesa onde será posicionado o material cirúrgico.

“Ah, mas posso montar a mesa de qualquer forma?” Na prática, sim, desde que você esteja bem localizado na mesa e seja o instrumentador, a fim de evitar perda de tempo durante o procedimento cirúrgico. 

Por outro lado, nas provas, a mesa cirúrgica deve ser montada de acordo com uma sequência lógica. No dia a dia, isso também é o mais prático, pois facilita que outra pessoa eventualmente assuma seu lugar na instrumentação e não tenha dificuldade para se localizar de acordo com os tempos cirúrgicos.

As 4 partes de divisão da mesa cirúrgica

Então, vamos para a receita de bolo, tentando deixar o processo mais simples e prático possível. A sua mesa cirúrgica será divida em 4 partes, sendo que cada uma delas corresponderá a um tempo do ato cirúrgico, conforme a figura abaixo.

Esquema para divisão de mesa cirúrgica.

Diérese

A diérese corresponde à etapa de incisão e divulsão dos tecidos. Logo, ficarão nessa parte da mesa cirúrgica os bisturis e as tesouras. 

Hemostasia

A hemostasia engloba as pinças utilizadas para conter sangramentos. 

Auxílio

Dentro do auxílio, temos: preensão (pinças que seguram estruturas), separação (afastadores) e especiais (que variam de acordo com cada cirurgia). 

Síntese

Por fim, temos a síntese, representada pelo porta-agulha e diversos tipos de agulhas.

Esquema para divisão de mesa cirúrgica.

Os componentes básicos do instrumental cirúrgico

Claro que para conseguir montar a mesa, é necessário conhecer os instrumentais cirúrgicos. A seguir, listei os mais básicos. Com o tempo de centro cirúrgico, outros menos usuais começarão a fazer parte do seu repertório teórico.

Instrumentos de diérese

A diérese é uma manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso através dos tecidos. Nesse caso, são usados bisturis e tesouras.

Bisturi (lâmina + cabo de bisturi)
Bisturi (lâmina + cabo de bisturi)
Tesoura Mayo, parte da mesa cirúrgica
Tesoura Mayo
Tesoura Metzembaum, elemento essencial para a mesa cirúrgica.
Tesoura Metzembaum

Instrumentos de hemostasia

A hemostasia tem por objetivo impedir ou coibir a hemorragia. Para isso, são usadas pinças hemostáticas.

Pinças hemostáticas (Kelly curva e kelly reta): presença de ranhura em parte de sua extensão.
Pinças hemostáticas (Kelly curva e kelly reta): presença de ranhura em parte de sua extensão.
Pinças hemostáticas (Kelly curva e kelly reta): presença de ranhura em parte de sua extensão.
Pinças hemostáticas (Kocher): presença de ranhura em toda sua extensão, com “dente de rato” em ponta
Pinças hemostáticas (Kocher): presença de ranhura em toda sua extensão, com “dente de rato” em ponta
Pinças hemostáticas (Kocher): presença de ranhura em toda sua extensão, com “dente de rato” em ponta

Instrumentos de auxílio

Pinças de preensão, afastadores, especiais (de acordo com a cirurgia).

Pinças de preensão: Allis, Backhaus, Babcock. 

Afastadores: Farabeuf, Gosset, Doeyn, Langenbeck.

Instrumentos de síntese

A síntese consiste na aproximação de bordas de tecidos seccionados ou ressecados: agulhas, pinças, porta-agulhas e fios.

Pinças anatômica e dente de rato, elementos essenciais para a mesa cirúrgica.
Pinças anatômica e dente de rato, elementos essenciais para a mesa cirúrgica.
Pinças anatômica e dente de rato
Porta-agulha, elemento importante para montar a mesa cirúrgica.
Porta-agulha.

Depois desta leitura, você pode ir pra uma prova prática cirúrgica e para o centro cirúrgico sem medo de ser feliz. A variedade de instrumental cirúrgico é infinda, mas com o básico você consegue se organizar sem dificuldades. 

A esquematização da montagem da mesa cirúrgica te ajuda inclusive a entender os tempos cirúrgicos. Não deixem de conferir os outros conteúdos disponíveis no blog sobre cirurgia, como esse de “Trauma abdominal: como conduzir?” para se garantir nas provas e na vida médica.

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DanielHaber Feijo

Daniel Haber Feijo

Nascido em São Paulo, criado em Belém do Pará. Formado médico pela Universidade do Estado do Pará e Cirurgião Geral pela Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP). Atualmente, profissional da área médica na assistência e no ensino. Segue apaixonado por administração, economia e finanças. A gente só tem aquilo que a gente aceita ter!