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Hemostasia: entenda como esse processo fisiológico funciona

E aí, já estudou a hemostasia entre os demais fenômenos fisiológicos? Entre o público leigo em Medicina, esse nome dificilmente é abordado. No entanto, o pleno funcionamento desse processo é fundamental para nossa sobrevivência, pois evita problemas graves, como tromboses, derrames cerebrais e hemorragias. 

Se você é estudante da área da saúde e ainda não sabe o que é hemostasia, provavelmente, terá este conteúdo detalhado em breve na faculdade. Se já aprendeu, que tal recapitular conosco? Afinal, os temas básicos de fisiologia estão sempre presentes nas principais provas e concursos.

Afinal, o que é hemostasia?

Antes de detalharmos o funcionamento do processo, é importante explicarmos o que significa hemostasia. Trata-se da resposta normal e imediata do corpo quando algum vaso sanguíneo é lesionado. Quando nos cortamos por acidente, mas o sangue estanca rapidamente e coagula no local da lesão, por exemplo.

A hemostasia envolve o conjunto de fenômenos mecânicos e químicos para ocorrer o bloqueio de qualquer lesão vascular. A função é manter a fluidez do sangue e a integridade dos vasos para prevenir tromboses e hemorragias — dois problemas que podem levar à morte nos casos mais graves.

Fases da hemostasia

As plaquetas são as protagonistas desse processo, mas há diversas outras substâncias envolvidas, como fatores de coagulação, anticoagulantes e fibrinolíticos. Para simplificar esse tema complexo, costuma-se dividi-lo em três fases distintas: hemostasia primária, secundária e fibrinólise.

Porém, vale lembrar que essa divisão em tipos de hemostasia por fases tem fim somente didático. Afinal, há vários processos, como a ativação de plaquetas e a formação de fibrina, que ocorrem de forma simultânea e interdependente. Não se trata de uma linha do tempo, mas de um conjunto de processos. 

Hemostasia primária

Imediatamente após a lesão no epitélio do vaso sanguíneo, acontece a hemostasia primária. O primeiro fenômeno envolvido é a vasoconstrição, isto é, a contração do vaso para conter a hemorragia. Enquanto isso, os ramos colaterais são dilatados, como em um desvio de fluxo do sangue.

O vaso sanguíneo fica mais permeável, por conta da inflamação e da formação de edema. Como a superfície subendotelial fica exposta com a lesão, entra em contato direto com o sangue, o que promove a quimiotaxia de plaquetas, substâncias inflamatórias e pró-coagulantes.  

As plaquetas ativadas liberam essas substâncias dos citoplasmas, iniciando o processo de quimiotaxia, migração de células em direção a um gradiente químico. Assim, elas se agregam até formarem um tampão de plaquetas, que interrompe o sangramento.

Hemostasia secundária

Também conhecida como cascata de coagulação, a fase de hemostasia secundária é um pouco mais complexa e envolve diversas reações enzimáticas. A principal enzima envolvida é a trombina, ativada durante esse processo.

Ao reagir à trombina, o fibrinogênio se transforma em fibrina, que, por sua vez, forma uma rede de filamentos na extremidade da lesão. Essa rede forma um coágulo, chamado trombo de fibrina, que reforça o tampão de plaquetas formado na hemostasia primária, tornando-o mais estável.

Para esse coágulo não crescer descontroladamente, gerando problemas como trombose, há outras reações enzimáticas envolvidas. A trombina se liga à trombomodulina para ativar a proteína C, que tem ação pró-anticoagulante, o que auxilia na regulação desse processo.

Fibrinólise

Com a evolução do processo de cicatrização, torna-se desnecessária a presença de um coágulo para conter hemorragia. Ao contrário, é preciso restabelecer o fluxo do sangue nos vasos. Nesse momento, ocorre a fibrinólise, a terceira fase da hemostasia.

Essa etapa envolve a destruição gradual do tampão hemostático, por meio de reações enzimáticas. Os filamentos de fibrina são degradados pela enzima plasmina, que dissolve o trombo e retoma a circulação normal na região cicatrizada.

Problemas na hemostasia

Quando algum dos processos envolvidos na hemostasia não funciona perfeitamente, pode haver distúrbios da coagulação. Entre eles, estão os quadros hemorrágicos, quando os sangramentos não são interrompidos de forma eficiente, e as doenças trombóticas, que envolvem coagulação exagerada.

Entre as doenças hemorrágicas mais conhecidas, estão a hemofilia e a Doença de Von Willebrand. Já a trombose, que envolve a presença de trombos nos vasos, pode provocar outros problemas, como infarto, derrame cerebral e tromboembolismo venoso.

Como há uma grande diversidade de alterações da hemostasia, o diagnóstico requer análises detalhadas de cada caso. Distúrbios hemostáticos podem ser causados por doenças associadas, predisposição genética, hábitos insalubres e até efeitos colaterais de alguns medicamentos.

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FláviaTroiani

Flávia Troiani

Nascida em Santos em 1995 e formada pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2019, agora cursa sua residência de Clínica Médica pela Secretaria Municipal de Saúde (SUS - SMS) em São Paulo. Seu próximo passo é entrar em Cardiologia, inspirada pela sua mãe, médica da área.