Taquicardia Supraventricular: reconhecimento e manejo na emergência

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Conteúdo atualizado em: 12/05/2026

A Taquicardia Supraventricular (TSV) é um termo clínico que engloba arritmias com frequência cardíaca (FC) elevada originadas acima do feixe de His. 

No pronto-socorro, o foco inicial deve ser a estabilidade hemodinâmica do paciente e a análise do traçado eletrocardiográfico.

Identificação eletrocardiográfica da Taquicardia Supraventricular

A TSV apresenta características específicas no ECG que permitem sua diferenciação de outras taquiarritmias:

  • Frequência Cardíaca: Geralmente elevada, variando entre 150 e 250 bpm.
  • Complexo QRS: Caracteristicamente estreito (< 120 ms), indicando origem supraventricular.
  • Ritmo: Habitualmente regular.
  • Ondas P: Frequentemente ausentes ou retrógradas (após o QRS), devido à alta frequência.

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Quadro clínico e estabilidade

A conduta imediata depende da presença de sinais de instabilidade hemodinâmica. 

Os critérios de instabilidade incluem:

  • Hipotensão arterial ou sinais de choque.
  • Alteração aguda do nível de consciência.
  • Dor torácica anginosa (isquemia miocárdica).
  • Sinais de insuficiência cardíaca aguda (congestão pulmonar).

Protocolo de tratamento de Taquicardia Supraventricular

Paciente instável

Se houver qualquer sinal de instabilidade, a conduta é a Cardioversão Elétrica Sincronizada imediata.

  • Importância: O choque deve ser sincronizado com a onda R para evitar a indução de fibrilação ventricular.

Paciente Estável

Se o paciente estiver hemodinamicamente estável, a abordagem segue uma sequência escalonada:

  1. Manobras vagais: A primeira linha de tratamento. A manobra de Valsalva modificada pode reverter a arritmia em até 25% dos casos. Em relação a manobra padrão, tem eficácia de 43% versus 17%.
Imagem ilustrativa de manobra de valsalva para Taquicardia Supraventricular
Imagem ilustrativa de manobra de valsalva
  1. Adenosina: Se as manobras vagais falharem.

Abordagem medicamentosa

Primeira linha: A Adenosina é o fármaco de escolha para TSV estável devido à sua meia-vida curtíssima e alta eficácia no bloqueio temporário do nó atrioventricular.

  • Dose Inicial: 6 mg em bólus rápido, seguido de flush de soro fisiológico.
  • Segunda Dose: Se não houver reversão em 1-2 minutos, administrar 12 mg.
  • Cuidados: 
  • Monitorização contínua é obrigatória, pois o paciente pode apresentar assistolia breve e sensação de opressão torácica. 
  • É recomendado avisar o paciente que irá sentir uma sensação ruim na aplicação do remédio, muitos relatam como “sensação de morte”.
  • A adenosina é contraindicada em pacientes com fibrilação atrial com pré-excitação (síndrome de Wolff-Parkinson-White), pois o bloqueio AV pode induzir condução ventricular rápida pela via acessória e resultar em fibrilação ventricular.

Segunda linha: Bloqueadores de canais de cálcio (Verapamil ou Diltiazem) ou Betabloqueadores podem ser considerados se a adenosina falhar.

  • Esses medicamentos devem ser usados apenas em pacientes hemodinamicamente estáveis, e uma infusão lenta de até 20 minutos pode diminuir o potencial de hipotensão. 
  • Cuidados: Garantir que a taquicardia não seja TV ou fibrilação atrial pré-excitada, pois pacientes com esses ritmos que recebem diltiazem ou verapamil podem tornar-se hemodinamicamente instáveis ou ter aceleração da frequência ventricular, podendo evoluir para fibrilação ventricular.
Tradução livre e adaptada da “Table 1. Oral Preventive Therapies for Paroxysmal Supraventricular Tachycardia (PSVT) do artigo Diagnosis and Management of Paroxysmal Supraventricular Tachycardia. JAMA. 19 de fevereiro de 2024”
Tradução livre e adaptada da “Table 1. Oral Preventive Therapies for Paroxysmal Supraventricular Tachycardia (PSVT) do artigo Diagnosis and Management of Paroxysmal Supraventricular Tachycardia. JAMA. 19 de fevereiro de 2024”

Prevenção de longo prazo, as diretrizes atuais recomendam betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio não-diidropiridínicos como agentes de primeira linha.

Referências Bibliográficas

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Micael Hamra

Micael Hamra

Cofundador e professor da Medway, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA) e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP). Siga no Instagram: @mica.medway