Aproveitando, se você ainda tem dúvidas sobre a interpretação do ECG, já passou da hora de tirá-las, hein? Baixe o nosso e-book gratuito ECG Sem Mistérios e fique por dentro desse assunto, aprendendo tudo o que todo médico precisa saber sobre a interpretação desse exame, incluindo as 5 principais etapas na hora da análise sistemática de um ECG.
Quadro clínico e estabilidade
A conduta imediata depende da presença de sinais de instabilidade hemodinâmica.
Importância: O choque deve ser sincronizado com a onda R para evitar a indução de fibrilação ventricular.
Paciente Estável
Se o paciente estiver hemodinamicamente estável, a abordagem segue uma sequência escalonada:
Manobras vagais: A primeira linha de tratamento. A manobra de Valsalva modificada pode reverter a arritmia em até 25% dos casos. Em relação a manobra padrão, tem eficácia de 43% versus 17%.
Imagem ilustrativa de manobra de valsalva
Adenosina: Se as manobras vagais falharem.
Abordagem medicamentosa
Primeira linha: A Adenosina é o fármaco de escolha para TSV estável devido à sua meia-vida curtíssima e alta eficácia no bloqueio temporário do nó atrioventricular.
Dose Inicial: 6 mg em bólus rápido, seguido de flush de soro fisiológico.
Segunda Dose: Se não houver reversão em 1-2 minutos, administrar 12 mg.
Cuidados:
Monitorização contínua é obrigatória, pois o paciente pode apresentar assistolia breve e sensação de opressão torácica.
É recomendado avisar o paciente que irá sentir uma sensação ruim na aplicação do remédio, muitos relatam como “sensação de morte”.
A adenosina é contraindicada em pacientes com fibrilação atrial com pré-excitação (síndrome de Wolff-Parkinson-White), pois o bloqueio AV pode induzir condução ventricular rápida pela via acessória e resultar em fibrilação ventricular.
Segunda linha: Bloqueadores de canais de cálcio (Verapamil ou Diltiazem) ou Betabloqueadores podem ser considerados se a adenosina falhar.
Esses medicamentos devem ser usados apenas em pacientes hemodinamicamente estáveis, e uma infusão lenta de até 20 minutos pode diminuir o potencial de hipotensão.
Cuidados: Garantir que a taquicardia não seja TV ou fibrilação atrial pré-excitada, pois pacientes com esses ritmos que recebem diltiazem ou verapamil podem tornar-se hemodinamicamente instáveis ou ter aceleração da frequência ventricular, podendo evoluir para fibrilação ventricular.
Tradução livre e adaptada da “Table 1. Oral Preventive Therapies for Paroxysmal Supraventricular Tachycardia (PSVT) do artigo Diagnosis and Management of Paroxysmal Supraventricular Tachycardia. JAMA. 19 de fevereiro de 2024”
Prevenção de longo prazo, as diretrizes atuais recomendam betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio não-diidropiridínicos como agentes de primeira linha.
Cofundador e professor da Medway, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA) e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP). Siga no Instagram: @mica.medway