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Combitube: uma ajuda para garantir a ventilação na sala de emergência

E aí pessoal, beleza? O assunto hoje é sobre quando não conseguimos garantir uma via aérea definitiva, e como podemos contornar essa situação para resolver o problema com a ajuda de um dispositivo importantíssimo: o combitube (também conhecido como combitubo)!

Ou seja, máxima atenção, pois vamos te contar tudo que você precisa fazer pra cumprir com seu papel na emergência caso precise enfrentar uma via aérea falha – e esperamos que vocês se lembrem desse texto quando for necessário!

Vamo lá?

combitube menor
Quer saber tudo sobre o combitube? Continue com gente!

Para que serve o combitube: conhecendo o material

Existem alguns dispositivos feitos para auxiliar na ventilação, os chamados “dispositivos extraglóticos” – e o combitube é um deles!

O combitube
O combitube (Créditos: Boundtree)

Por definição, o combitube é uma combinação de dois tubos de plástico com cuffs independentes, geralmente introduzido às cegas no esôfago por profissionais não treinados em laringoscopia.

O primeiro balão insuflado obstrui a orofaringe proximal, enquanto o balão distal obstrui a entrada do esôfago, permitindo o posicionamento perfeito do dispositivo. Entre os dois balonetes existem fenestrações, que é por onde almejamos ventilar o doente de forma indireta. Ué?! Mas e se acabarmos “intubando” a traqueia por acidente com a extremidade distal? Simples! O segredo é só utilizarmos a via traqueal para a ventilação.

Apesar do combitube ser um dispositivo de recomendação temporária e não permitir a proteção definitiva da via aérea, pode nos salvar na vida real e evitar que o paciente sofra dos efeitos da hipoxemia.

Ok, entendi. E quais são as indicações e contraindicações do combitube?

Pra falar disso, precisamos falar primeiro sobre via aérea falha.

Via aérea falha é o cenário da indicação do combitube. A situação de “não intubo, não ventilo” pode ser desesperadora. Caso não seja possível manter uma saturação periférica de O2 maior que 93% durante ou após a laringoscopia, nem garantir a via aérea definitiva após 3 tentativas consecutivas, não tem outra: isso é uma via aérea falha, bicho! Neste processo, a cricotireoideostomia é recomendada.

O problema é que nem sempre teremos o material certo na hora. Muitas vezes o que você vai ter apenas o combitube, e é por isso que estamos aprendendo! Podemos converter um cenário de “não intubo, não ventilo” em “não intubo, MAS VENTILO”, resgatando o paciente da via aérea falha, e dando uma terapia ponte eficaz para a cricotireoideostomia! Sacou aonde tô querendo chegar?

Depois que o combitube for introduzido, o estado de oxigenação do paciente deve ser checado com frequência, bem como o perfeito funcionamento do dispositivo! Outro cuidado seria com o uso em pacientes que possuem distorção da anatomia de via aérea, pois o posicionamento do combitube pode não ficar adequado. O combitube é disponível em dois tamanhos (37F; 41F) e não é recomendado o seu uso em população pediátrica abaixo de 1,20 m.

Fechou?

Tá. Mas como usar o combitube?

Vamos aprender a técnica de inserção do combitube em três passos, pra você nunca mais esquecer:

  1. Assumindo que o paciente esteja na posição supina, você precisa elevar a língua e mandíbula dele com a mão não dominante. Em seguida, você pode introduzir o combitube na linha média do paciente até que os dentes incisivos superiores (ou a crista alveolar) fiquem entre as faixas circulares impressas no dispositivo.
  2. Infle o balão orofaríngeo (azul) e em seguida o balão distal, que em 90% das inserções estará alocado no esôfago (branco).
  3. Vamos usar o tubo azul para a ventilação de teste. Se der tudo certo, as fenestras ocuparão o espaço da laringe e vai ser possível observar expansão pulmonar, ausculta de murmúrio e a melhora da ventilação. Neste caso, a “via esofágica” do combitube permitirá a descompressão gástrica.
Diretrizes de como usar o combitube corretamente
Diretrizes de como usar o combitube corretamente (Créditos: Clinical Gate)

O que fazer caso dê “errado”?

Se der “errado” – evento raro – e nenhum som respiratório seja auscultado e/ou não haja movimentação torácica, faça o seguinte:

  1. use o tubo transparente para avaliar a localização, pois pode estar locado na traqueia.
  2. Acontecendo isto, dentro de duas a quatro horas precisaremos trocar o combitube pelo tubo orotraqueal com auxílio de um bougie ou de uma sonda trocadora.
  3. Caso não consigamos observar melhora ventilatória em nenhuma das vias, reavaliaremos o posicionamento do combitube!

É isso!

Quer saber mais sobre temas ligados à Medicina de Emergência? Então dá uma olhada nesses links aqui embaixo! E se quer tirar dúvidas menos específicas, não esquece de dar uma olhada no nosso e-book com tudo o que você precisa saber antes de dar plantão em um lugar novo!

Vai que dá! Tudo sempre com cuidado, sem desespero e com segurança.

Bons estudos!

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JoséRoberto

José Roberto

Paulista, nascido em 89. Médico graduado pela Universidade de Santo Amaro (UNISA), formado em Clínica Médica pelo HCFMUSP, Cardiologista e especialista em Aterosclerose pelo InCor-FMUSP. Atualmente médico assistente do Pronto Socorro do InCor-FMUSP.