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Critérios de Ranson: para que servem e como utilizá-los?

Os critérios de Ranson são um dos escores mais antigos para predizer gravidade na pancreatite aguda. Foi introduzido em 1974 e, apesar de atualmente ser considerado um preditor pobre, não só cai, mas despenca nas provas de residência! Então bora aprender tudo o que você precisa saber!

Pronto? Vamo lá!

Como calcular os Critérios de Ranson?

Dependendo da etiologia, ele é baseado em 10 ou 11 parâmetros, sendo estes avaliados em dois momentos distintos: na admissão, e 48 horas depois. Após este período, caso sejam preenchidos 3 ou mais critérios, diagnosticamos uma pancreatite aguda grave. A desvantagem é que, seguindo esse escore, não é possível predizer a gravidade já na admissão.

Os exames laboratoriais que você deverá solicitar na chegada do paciente com pancreatite aguda, para avaliar os critérios de Ranson, são: hemograma completo, dosagem de glicemia, de ureia, de DHL, de AST (TGO), de cálcio sérico, e gasometria arterial

Se liga nas tabelas

Nos casos de pancreatite aguda NÃO causadas por cálculo biliar, temos os seguintes 11 parâmetros: 

Na admissão
Idade > 55 anos 
Leucocitose > 16.000/mm3 
Glicose sérica > 200 mg/dL
AST (TGO) > 250 UI/L
DHL > 350 UI/L 
Fonte: Sabiston Tratado de Cirurgia – 20ª edição 
48 horas depois
Redução do hematócrito (em comparação com o da admissão) > 10%
Nível de cálcio sérico < 8 mg/dL
Necessidades de líquidos > 6 L
Aumento do nível de ureia sérica > 5 mg/dL
Déficit de base (base excess) > 4 mEq/L 
PaO2 < 60 mmHg
Fonte: Sabiston Tratado de Cirurgia – 20ª edição 

Já na pancreatite biliar aguda, temos os seguintes 10 parâmetros (com exceção da PaO2):

Na admissão
Idade > 70 anos 
Leucocitose > 18.000/mm3 
Glicose sérica > 220 mg/dL
AST (TGO) > 250 UI/L
DHL > 400 UI/L 
Fonte: Sabiston Tratado de Cirurgia – 20ª edição 
48 horas depois
Redução do hematócrito (em comparação com o da admissão) > 10%
Nível de cálcio sérico < 8 mg/dL
Necessidades de líquidos > 4 L
Aumento do nível de ureia sérica > 2 mg/dL
Déficit de base (base excess) > 5 mEq/L 
Fonte: Sabiston Tratado de Cirurgia – 20ª edição 

O que podemos notar?

A idade é um fator muito relevante para a avaliação da gravidade, tanto na pancreatite aguda de etiologia biliar, quanto nas outras, necessitando ser mais avançada para pontuar quando a causa é por cálculo originado das vias biliares

A leucocitose, por sua vez, também tem uma nota de corte maior para pontuar na pancreatite biliar aguda, do que na pancreatite por outras causas. 

O DHL, quando elevado, indica dano tecidual, porém de maneira inespecífica. Já a glicemia elevada, pode indicar falência pancreática. Ambos são indicadores considerados para prever a suscetibilidade do paciente às complicações graves

Vale ressaltar que a pancreatite aguda, por si só, resulta em perdas significativas para o terceiro espaço, o que pode levar a uma hemoconcentração e consequente aumento do hematócrito. Quando este é baixo ou normal, na admissão e durante as primeiras 24 horas, isso fala a favor de um curso clínico mais leve

Quanto ao nível sérico de ureia, estudos de coorte revelaram que o incremento deste é um ótimo preditor para aumento da mortalidade

Falando nisso, é importante lembrar que, além de serem usados para identificar a pancreatite aguda grave, os critérios de Ranson também são utilizados para prever o risco de mortalidade, que aumenta conforme o acréscimo da pontuação. Segundo estudos usando o escore com 11 parâmetros, a mortalidade foi de 0 a 3% nas pontuações menores que 3, de 11-15% quando a pontuação foi igual ou maior que 3, e de 40% quando o paciente preenche 6 ou mais critérios! 

E aqui vão uns macetes pra você lembrar dos Critérios de Ranson…

Você deve estar pensando “mas são muitos critérios! Como eu vou fazer para lembrar todos?!” Calma, jovem! Vamos de regrinha mnemônica. 

Na admissão, você quer o paciente LEGALLDH, Enzima hepática (AST/TGO), Glicemia, Anos, Leucocitose. Depois de 48 horas, você vai ver como o caso FECHOUFluidos, EB (de base excess), Cálcio sérico, Hematócrito, Oxigênio, Ureia. 

Os critérios de Ranson são importantes para você identificar aquele paciente com maior morbimortalidade, e, assim, tomar decisões, como se este deve ir para a enfermaria, ou terá que ser monitorizado e acompanhado mais de perto, na UTI. Maravilha?

Por hoje é isso!

Esperamos ter conseguido te ajudar a entender melhor esse tema que, indiscutivelmente, cai muito nas provas de residência médica. Se tiver ficado alguma dúvida, é só falar com a gente nos comentários!

E se você ainda não domina o plantão de pronto-socorro 100%, fica aqui uma sugestão: temos um material que pode te ajudar com isso, que é o nosso Guia de Prescrições. Com ele, você vai estar muito mais preparado para atuar em qualquer sala de emergência do Brasil.

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Bora pra cima! 

* Colaborou Amanda Farias Suhai, graduanda de Medicina na Universidade Nove de Julho

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.