Dermatoses em Pediatria: principais doenças, diagnóstico, tratamentos e mais!

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Dermatologia pediátrica pode assustar e confundir muita gente, mas aluno Medway não tem dúvida! Vamos relembrar as principais dermatoses na infância e garantir esses pontos na prova?

Tanto na prova quanto na prática clínica, o que diferencia o pediatra seguro é a capacidade de organizar o raciocínio com base em morfologia da lesão, distribuição, tempo de evolução, sintomas associados e sinais de gravidade, para então indicar o tratamento adequado (ou encaminhar) sem atrasos.

Um roteiro para não se perder diante de uma lesão de pele

Antes de memorizar condutas, vamos tentar padronizar uma avaliação em cinco passos:

  1. Idade e contexto clínico: Lactente, pré-escolar, escolar ou adolescente? Frequenta creche/escola? Há surtos no domicílio? Contato com animais? Uso recente de antibióticos ou corticosteroides? História de dermatite atópica ou outras condições de pele?
  2. Morfologia predominante: Mácula, pápula, vesícula, pústula, placa, crosta, nódulo, púrpura, bolha, ulceração.
  3. Distribuição e padrão: Dobras, face, couro cabeludo, área de fraldas, região interdigital, mãos/pés, tronco. A distribuição frequentemente direciona o diagnóstico.
  4. Sintomas e achados associados: Prurido (piora noturna?), dor, febre, mal-estar, acometimento de mucosas, linfonodomegalias.
  5. Sinais de alarme (mudam a conduta): Toxemia, púrpura/petéquias com repercussão sistêmica, bolhas extensas, comprometimento mucoso importante, lesões necróticas, dor desproporcional, edema de rápida progressão, progressão acelerada do eritema ou sinais sugestivos de infecção profunda.

Dito isso, vamos revisar os principais diagnósticos na pediatria?

1) Dermatite atópica

A dermatite atópica (DA) é sem dúvida uma das dermatoses mais cobradas.

Pistas clínicas principais

  • Prurido como sintoma central
  • Curso crônico e recidivante
  • Distribuição típica por faixa etária (lactentes: face e superfícies extensoras; crianças maiores: regiões flexurais)
  • História pessoal ou familiar de atopia, quando presentes, apoiam a hipótese diagnóstica

Vale lembrar: o diagnóstico da DA é clínico!

Tratamento

  • Reparo e manutenção da barreira cutânea: emolientes/hidratantes de uso regular (mesmo fora de crise).
  • Controle da inflamação nas exacerbações: aqui o corticosteroide tópico é o pilar, com escolha guiada por idade e área acometida (ex: maior cautela em face).
  • Orientações de cuidado: banhos rápidos, mornos, com limpeza suave; evitar esponjas/buchas e produtos irritativos.
  • Suspeita de infecção secundária se houver crostas, exsudato e/ou piora abrupta.
Dermatite Atópica. Fonte: Dermaclínica. Disponível em: https://dermaclinica.com.br/dermatite-atopica/

2) Dermatite de fraldas: irritativa versus candidíase (e diagnósticos diferenciais)

Este é um tema clássico em consultório e em prova: eritema em área de fralda. O ponto central é diferenciar a dermatite irritativa da candidíase e reconhecer diagnósticos diferenciais relevantes.

Como diferenciar na prática

  • Dermatite irritativa: predomina em áreas de maior contato, com tendência a poupar dobras profundas.
  • Candidíase: acomete dobras, com maceração e presença de lesões satélites (pápulas periféricas).

Diferenciais que mais aparecem nas questões: Dermatite seborreica e dermatite de contato por lenços/cremes.

Tratamento

  • Barreira e higiene: trocas frequentes, manter pele seca, barreiras como óxido de zinco e petrolato/vaselina.
  • Inflamação importante: corticosteroide tópico de baixa potência por curto período.
  • Suspeita de Candida: associar antifúngico tópico (-azóis), mantendo barreira.
Candidíase. Fonte: DermNet. Disponível em: https://dermaclinica.com.br/dermatite-atopica/

Dermatite irritativa. Fonte: Pedipedia. Disponível em: https://pedipedia.org/artigo/dermatite-da-area-da-fralda

3) Infecções bacterianas comuns: impetigo, furúnculo e celulite

3.1. Impetigo

  • Não bolhoso: pápulas/pústulas com crostas melicéricas (S. aureus e/ou S. pyogenes).
  • Bolhoso: sugere presença de toxina estafilocócica.
Impetigo. Fonte: Livi. Disponível em: https://www.livi.co.uk/medical-advice/skin-conditions/impetigo/

Diagnóstico geralmente clínico. O tratamento é feito com antibiótico: tópico quando há poucas lesões e quando localizado; sistêmico quando há lesões extensas, múltiplas lesões, surtos, complicações ou sinais sistêmicos.

3.2. Furúnculo e abscesso cutâneo

O furúnculo é uma infecção profunda do folículo piloso, tipicamente por S. aureus, caracterizada por nódulo doloroso, eritematoso, com flutuação ou drenagem purulenta. Em enunciados, atenção para múltiplas lesões, recidiva e contexto de colonização familiar.

A conduta depende de extensão e repercussão: medidas locais (calor local), analgesia, e, quando houver coleção evidente, drenagem. Antibiótico sistêmico é indicado em cenários selecionados (ex: infecção extensa, celulite associada, febre, imunossupressão, múltiplos focos).

3.3. Celulite e erisipela

Quando há febre, dor, eritema e calor local, pense em infecção de pele e partes moles. A celulite envolve derme profunda e tecido subcutâneo, enquanto a erisipela tende a bordas mais bem demarcadas e acometimento mais superficial/linfático. A base do tratamento é antibioticoterapia e analgesia.

Sinais de alerta: progressão rápida, dor desproporcional, toxemia, crepitação, bolhas/necrose/áreas violáceas, falha terapêutica, imunossupressão e acometimento periorbitário.

Celulite e Erisipela. Fonte: MD Saúde. Disponível em: https://www.mdsaude.com/dermatologia/celulite-infecciosa/

4) Ectoparasitoses: escabiose, pediculose, tungíase e larva migrans cutânea

Escabiose

Prurido intenso com piora noturna, pápulas escoriadas e distribuição típica (interdigitais, punhos, axilas, região inguinal; em lactentes pode acometer palmas/plantas/couro cabeludo). A permetrina 5% tópica é uma das opções de primeira linha de tratamento. É fundamental tratar os contatos domiciliares simultaneamente e orientar medidas com roupas de cama/vestuário (fômites).

Escabiose. Fonte: SBD.

Pediculose 

Tema muito prevalente em escolares. O quadro típico é prurido no couro cabeludo, escoriações e identificação de lêndeas/parasitas. A permetrina 1%, associada a pente fino para remoção dos ovos, é a primeira linha de tratamento.

Pediculose. Fonte: 911Pharma. Disponível em: https://911pharma.com/en/family-pharmacy-lice-this-embarrassing-and-irritating-invasion-of-privacy

Tungíase (bicho-de-pé)

Parasitose causada pela Tunga penetrans, com lesões mais comuns em pés (periungueal/interdigital/plantar), frequentemente como pápula/nódulo doloroso ou pruriginoso com ponto central escurecido. Para a prova, o reconhecimento clínico e o manejo adequado (remoção em condições assépticas + prevenção) são o essenciais.

Tungíase. Fonte: UFMG.

Larva migrans cutânea

Quadro característico por trajetos serpiginosos migratórios e muito pruriginosos, geralmente após contato com areia/solo contaminado por fezes de cães/gatos. A morfologia costuma direcionar o diagnóstico. Em casos extensos/múltiplos ou muito sintomáticos, terapias sistêmicas podem ser indicadas, além de orientação de prevenção (calçados, evitar areia contaminada).

Larva migrans. Fonte: PCDS. Disponível em: https://www.pcds.org.uk/clinical-guidance/cutaneous-larva-migrans-2

Em ambiente hospitalar, a escabiose e a pediculose, por exemplo, exigem precaução de contato até início de tratamento eficaz, um tema que aparece em prova e na rotina assistencial.

5) Micoses superficiais: dermatofitoses (tíneas) e pitiríase versicolor

Tinea corporis (corpo)

Pacas anulares com borda ativa e descamação; em casos localizados, geralmente responde a antifúngico tópico.

Tínea corporis. Fonte: Academic Dermatology of Nevada. Disponível em: https://acadderm.com/tinea-corporis-ringworm-tinea-circinata/

Saiba mais sobre as Dermatofitoses aqui! 

Tinea capitis (couro cabeludo)

Com frequência demanda antifúngico por via oral. Em prova, a tríade sugestiva é: alopecia em placas + descamação + adenopatia occipital/cervical.

Tínea capitis. Fonte: DermNet. Disponível em: https://dermnetnz.org/topics/tinea-capitis

Pitiríase versicolor

Infecção superficial por Malassezia, mais típica em adolescentes, com máculas hipo ou hipercrômicas finamente descamativas em tronco/ombros, às vezes com prurido discreto e recidivas. O tratamento costuma ser tópico em casos leves a moderados.

6) Molusco contagioso: pápula umbilicada e curso autolimitado

Muito comum em Pediatria, o molusco é caracterizado por pápulas peroladas ou da cor da pele com umbilicação central. Pode haver inflamação periférica associada (dermatite ao redor das lesões). Em geral, é autolimitado, com resolução espontânea em meses, embora alguns casos persistam por mais tempo e exijam tratamento com especialista.

A banca costuma cobrar quando optar por conduta expectante versus tratar: queixas estéticas relevantes, prurido e autoinoculação, lesões extensas, áreas muito expostas e imunossupressão são situações em que a decisão pode mudar.

Molusco. Fonte: Dermatologos Associados. Disponível em: https://www.dermatologosyasociados.com/nosotros/nuestros-articulos-y-noticias/moluscos-contagiosos-en-ninos-sintomas-y-causas/

7) Varicela

Doença exantemática vesicular com lesões em diferentes fases (“em surtos”), pruriginosa, com potencial de complicações em grupos específicos. Em prova, além do reconhecimento clínico, cai bastante a lógica de isolamento/precauções e a importância da prevenção por vacinação. Tratamento: suporte (hidratação, antitérmicos, controle do prurido) e vigilância para complicações, principalmente infecção bacteriana secundária. É sempre importante reforçar a prevenção por vacinação e medidas de isolamento.

Varicela. Fonte: Mayo Clinic. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/chickenpox/symptoms-causes/syc-20351282

8) Urticária

Urticária é frequente e aparece na prova principalmente pelo diagnóstico diferencial com anafilaxia.

Características típicas

  • lesões elevadas, pruriginosas, de aparecimento rápido
  • padrão evanescente: cada lesão dura, em geral, menos de 24 horas no mesmo local e “migra” para outros lugares do corpo

O ponto crítico é reconhecer angioedema e sinais sistêmicos de gravidade (como sintomas respiratórios e hemodinâmicos), que mudam completamente a abordagem.

Urticária. Fonte: DermNet. Disponível em: https://dermnetnz.org/topics/acute-urticaria

Quando investigar e encaminhar com prioridade

Considere encaminhamento ou avaliação urgente se houver:

  • febre alta/toxemia associada a lesões extensas
  • púrpura/petéquias com repercussão clínica
  • bolhas extensas ou comprometimento mucoso importante
  • suspeita de infecção profunda/necrosante
  • falha terapêutica com piora progressiva
  • suspeita de dermatoses inflamatórias graves (psoríase extensa, vasculites, farmacodermias)

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Paola Romani Ferreira Suhet

Paola Romani Ferreira Suhet

Graduação em Medicina pela USF - Bragança Paulista/SP. Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Infantil Sabará