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Dicas para morar em São Paulo durante a residência médica

Muita gente tem vontade de fazer residência médica na cidade de São Paulo, uma vez que as instituições são reconhecidas nacionalmente pela qualidade da formação. Por isso, esses grandes centros atraem profissionais de diversos estados. Mas, afinal, quais são as dificuldades de viver nessa cidade durante a residência médica? Antes de darmos dicas para morar em São Paulo, é necessário que você saiba disso.

Dicas para morar em São Paulo
Dicas para morar em São Paulo durante a residência médica

Além da adaptação à residência, quem escolhe ir para São Paulo geralmente enfrenta mudanças bem maiores do que a de endereço. Ficar longe da família e dos amigos pode ser bem desafiador, especialmente em uma cidade em que o ritmo de vida é muito diferente de outras regiões. 

Na capital paulista, um deslocamento que dure meia hora, por exemplo, é considerado curto. No entanto, em alguns lugares é possível atravessar uma cidade inteira em 30 minutos. Outro aspecto que pode gerar estranhamento é o custo de vida, já que, em geral, os aluguéis costumam ter preços superiores a outros municípios.

Se você está chegando agora na cidade, fica tranquilo! Fizemos esse artigo para te ajudar a se situar e passar por esse momento de transição com mais facilidade. Conversamos com o nosso professor, Anuar Saleh, que saiu de Maringá (PR) para fazer residência em Medicina de Emergência, para compartilhar um pouco da sua experiência e passar algumas dicas para morar em São Paulo durante a residência médica. Bora lá?

Como morar em São Paulo durante a residência médica?

Dicas para morar em São Paulo: escolha bem seu bairro 

Essa costuma ser a primeira grande questão de quem se muda para São Paulo para fazer a residência médica: como escolher o bairro? 

Em primeiro lugar, você deve pesquisar sobre o bairro da instituição de residência e olhar os arredores também. Muitas vezes, os hospitais ficam em regiões de aluguéis elevados, como é o caso do Hospital São Paulo, da Unifesp. Por isso, você vai ter que ponderar se as opções disponíveis cabem no seu orçamento. Estude a possibilidade de dividir um espaço com outros residentes, isso pode facilitar bastante na hora de pagar as contas. 

Quer saber como foi a experiência do Anuar? Olha só: em 2020 ele estava pronto para se mudar de Maringá para Campinas para fazer sua residência, mas a lista do Hospital Albert Einstein rodou e ele foi aprovado em Medicina de Emergência na instituição que era sua prioridade. Assim, ele teve dois dias para programar sua mudança. Veja como ele escolheu onde morar:

“Estava no começo da pandemia, então tinha poucas opções. Peguei um apartamento perto do hospital em que eu ia trabalhar no Einstein, no Morumbi. O meu primeiro erro foi não estudar o bairro. Era uma região em que eu não conseguia fazer nada a pé, ficava muito tempo dentro do apartamento. Não tinha mobilidade, as ruas só tinham prédios, eram estreitas, eram ladeiras. Tudo era muito longe, até para fazer coisas básicas, como ir ao mercado”. 

Deu pra ver que o Anuar não curtiu tanto a localização do seu primeiro apartamento, né? Pois bem, depois de oito meses ele decidiu se mudar para Moema, outro bairro da Zona Sul de São Paulo, um pouco mais distante da residência. Com mais tempo, ele pode visitar lugares com calma e descobriu regiões com boa estrutura em que é possível fazer atividades cotidianas a pé. Ele recomenda o Brooklin, Jardins e Vila Mariana. Apesar de não serem bairros baratos, são os que ele mais gostou. 

Fica a dica: plataformas de imóveis para aluguel 

Para pesquisar casas e apartamentos para morar em São Paulo durante a residência médica, as plataformas mais conhecidas são Quinto Andar – que faz contratos sem a necessidade de um fiador – e outras como Zap Imóveis, Viva Real e Imóvel Web – em que as imobiliárias costumam fazer os anúncios e você negocia diretamente com elas as condições para o aluguel. 

Dicas para morar em São Paulo: entenda como será sua mobilidade 

Caso você não consiga nada tão perto da residência, filtre novos bairros considerando sua mobilidade. Se a sua residência fica perto de uma estação de metrô, considere buscar moradia em locais próximos a estações que sejam da mesma linha, assim você terá um deslocamento mais rápido, mesmo estando um pouco mais distante. Dá pra conhecer melhor as linhas de metrô e trem neste mapa. Além disso, aplicativos como o Google Maps e o Moovit mostram opções de trajetos de ônibus também, algo que pode ser muito bem aproveitado em algumas regiões da cidade. 

O Anuar passou a dica dele sobre mobilidade também:

“Se você vai fazer Einstein, por exemplo, como eu, você tem que vir de carro, porque os serviços são muito distantes. Agora, se você vai fazer USP, você consegue morar em Pinheiros; se for estudar na Unifesp, consegue morar na Vila Mariana. São bairros em que você não precisa pegar carro pra nada”.

Dicas para morar em São Paulo: prepare-se para um custo de vida alto 

Não tem jeito, pessoal. São Paulo é uma cidade mais cara que a média no Brasil. A residência médica é um caminho para que você se especialize e possa também receber um bom salário nos grandes hospitais paulistanos, mas antes existe um caminho até lá. 

A começar pelo aluguel: um levantamento da empresa ImovelWeb mostrou que o valor médio do aluguel na cidade de São Paulo era de R$ 3.476 reais em maio de 2021. Claro que esse valor pode variar para mais ou para menos, mas boa parte das residências não está localizada em bairros muito baratos. 

O Anuar sentiu isso na pele. Olha só o que ele falou:

“Aluguel em São Paulo é muito caro. O valor do aluguel é o valor da bolsa da residência médica. Por isso eu trabalhei um ano antes de vir pra cá. A minha opinião é que se você for vir pra São Paulo só com a bolsa, você vive apertado. Não é um valor baixo, mas o residente fica 12 horas por dia e 6 dias por semana no hospital, gasta muito de uber, gasolina, ônibus, pede muito ifood. Também tem muita pressão, então você quer sair e se divertir. Então minha dica é vir com um pé de meia ou vir preparado para pegar plantão”. 

Quais são as principais despesas morando em São Paulo?

O orçamento de cada um varia com a sua realidade. Tem gente que economiza dinheiro antes de se mudar, tem gente que já chega procurando plantão, tem gente que recebe ajuda da família e tem aqueles que vão ter que se virar com o valor da bolsa da residência médica mesmo. Sem levar em conta as particularidades de cada um desses perfis, o básico dos gastos para morar em São Paulo durante a residência são:

  • Aluguel 
  • Contas de consumo (internet, energia elétrica, etc)
  • Deslocamento
  • Alimentação (dentro e fora de casa)
  • Lazer 
  • Eventuais retornos à cidade natal 

Mesmo que seja difícil encaixar tudo isso na bolsa, é possível. Converse com seus R+ e aproveite todas as dicas que estamos dando por aqui!  

Dicas para morar em São Paulo: curta o lazer oferecido pela cidade

Chega de falar das dificuldades, né? Bora falar das vantagens também! A capital paulista é rica em gastronomia, cultura e opções de lazer que cabem em todos os bolsos. Veja algumas opções:

Parques

Quando você se cansar da selva de pedra e quiser um tempo para respirar ar puro, é só fugir para um dos parques da cidade. São vários, distribuídos em diversas regiões. Além do Parque do Ibirapuera, que é o mais famoso, você pode andar em meio às galinhas e animais soltos do Parque da Água Branca, dar uma volta de bicicleta no Parque Villa Lobos, assistir as pessoas descendo a rampa do Parque do Ipiranga com seus longboards e muito mais! 

Museus e equipamentos culturais

A cidade de São Paulo tem dezenas de museus ativos, ou seja: sempre tem uma exposição bacana rolando. Além disso, tem os museus temáticos, como o Catavento, focado em ciência e tecnologia, com experiências imersivas e super divertidas. Pra ajudar, muitos são gratuitos pelo menos em dia da semana, como o MASP e a Pinacoteca. 

Vias sem carros 

Todo domingo, a Avenida Paulista é aberta para os pedestres e fechada para os carros. Você consegue passear por toda a extensão da avenida conhecendo os pontos turísticos, comendo, assistindo apresentações culturais ou se exercitando. O elevado João Goulart, também conhecido como Minhocão, fica no centro da cidade e também abre para pedestres durante a semana, à noite, e aos fins de semana. 

Para saber mais, você pode seguir blogueiros que falam tudo que a cidade oferece, como o perfil Fizemos um rolê. Claro que a residência médica vai tomar a maior parte do seu tempo. Mas quando puder descansar, aproveite tudo o que a cidade oferecer!

É fácil encontrar trabalho durante a residência médica em São Paulo?

Aí está a pergunta de milhões. Renda é uma preocupação de muitas pessoas que vão fazer a residência médica em São Paulo, por isso não poderíamos deixar de mencionar as possibilidades de trabalho. Para ensinar a partir da sua experiência, ninguém melhor que nosso professor Anuar. De acordo com ele, se você chegar em São Paulo hoje e quiser dar um plantão à noite, você consegue, pois existe muita oferta. Mas é preciso saber escolher. Olha só:

“O ideal é conhecer alguém, porque tem muito lugar bacana pra trabalhar, mas tem muito hospital ruim também. Se você chegar na cidade sem conhecer nada, converse com qualquer médico. Também existem os grupos de plantão no WhatsApp, que eu não gosto tanto porque aparece de tudo, mas funciona pra muita gente. Em geral, você vai dar plantões em vários lugares até gostar de um e ficar”.

E, afinal, quanto é a remuneração dos plantões? Já falamos aqui no blog sobre quanto um médico ganha por plantão, mas o Anuar passou uma ideia também. De acordo com ele, a remuneração dos plantões é boa: são cerca de 130 a 140 reais por hora em plantões de 12 ou 24 horas. Já é uma ajuda no orçamento para morar em São Paulo durante a residência médica. 

Vale a pena fazer residência médica em São Paulo?

Afinal, colocando tudo na balança, essa mudança vale a pena? Claro que a resposta depende dos anseios e das características de cada pessoa. No caso do Anuar, ele considera que financeiramente é difícil, mas pela formação vale a pena sim:

“Se o cara vem pra São Paulo e é bom, ele chega aonde quer chegar. Se eu tivesse ficado em Maringá, não teria conseguido 1% do que consegui”. 

E o que significa “ser bom”, segundo o Anuar? Pra ele, não é aquela pessoa nerd. É o médico pontual, proativo, que não quebra mão. São tantas oportunidades que uma pessoa com esse perfil já consegue conquistar muita coisa. 

E aí, gostou das dicas para morar em São Paulo durante a residência médica?

Se esse é o seu plano de vida e de carreira, vale a pena investir numa preparação focada para as provas de residência médica de São Paulo, afinal elas têm um grau de dificuldade altíssimo. 

Para isso, a dica final é que você conheça o Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano com videoaulas, aplicativo com mais de 17 mil questões comentadas, mapa de estudos, suporte rápido e muito mais. Conheça o curso e embarque nessa jornada rumo à sua mudança para fazer residência médica na capital paulista!

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DjonMachado

Djon Machado

Catarinense e médico desde 2015, Djon é formado pela UFSC, fez residência em Clínica Médica na Unicamp e faz parte do time de Medicina Preventiva da Medway. É fissurado por didática e pela criação de novas formas de enxergar a medicina.