As doenças do esôfago representam um dos pilares mais complexos da Cirurgia Geral, abrangendo desde distúrbios motores e anatômicos até condições pré-malignas como o esôfago de Barrett. Para o médico em formação, compreender a transição entre a fisiopatologia e a indicação cirúrgica é essencial.
Este artigo consolida o manejo clínico-cirúrgico das patologias esofágicas mais relevantes, integrando as diretrizes mais recentes para oferecer uma referência segura de estudo e prática.

O esôfago de Barrett (EB) é a única condição precursora conhecida para o adenocarcinoma esofágico, uma neoplasia com incidência crescente e prognóstico reservado.
O EB é definido pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por um epitélio colunar especializado (metaplasia intestinal), caracterizado pela presença de células caliciformes (goblet cells).
Fisiopatologicamente, essa mudança é uma resposta adaptativa à agressão crônica da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).
As diretrizes atuais sugerem o rastreamento endoscópico único em pacientes com sintomas crônicos de DRGE e três ou mais fatores de risco:
O diagnóstico requer que a mucosa colunar se estenda por pelo menos 1 cm acima das pregas gástricas. Durante a endoscopia, utilizamos a Classificação de Praga, que avalia a extensão circunferencial (C) e a extensão máxima (M) da metaplasia.
A vigilância é guiada pelo grau de displasia. O Protocolo de Seattle (biópsias em quatro quadrantes a cada 1-2 cm) é o padrão para minimizar erros de amostragem.
A acalasia é caracterizada pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristaltismo efetivo no corpo esofágico.
A etiologia envolve a perda de células ganglionares no plexo mientérico de Auerbach, seja de forma idiopática ou secundária (como na Doença de Chagas).
O padrão-ouro para o diagnóstico é a Manometria de Alta Resolução (HRM), agora regida pela Classificação de Chicago 4.0, que exige testes nas posições supina e sentada.
A classificação divide a acalasia em três tipos com base na pressão pan-esofágica:
A disfagia é o sintoma universal, muitas vezes paradoxal (para líquidos antes de sólidos). Regurgitação, perda de peso e dor torácica completam o quadro. No esofagograma baritado, observa-se o clássico sinal do “bico de pássaro” ou “cauda de rato” e, em fases avançadas, o megaesôfago.
O Esofagograma contrastado (EED) ajuda na definição diagnóstica mostrando dilatação esofágica peri EEI, sendo típico em questões de residências.
O tratamento visa reduzir a pressão do EEI:
Os divertículos são herniações da mucosa e submucosa através da camada muscular. São classificados pela patogênese (pulsão vs. tração) e localização.
Localizado na transição faringoesofágica, o divertículo de Zenker é um divertículo de pulsão (falso) que ocorre no Triângulo de Killian (área de fraqueza entre as fibras do músculo tireofaríngeo e cricofaríngeo).
O manejo das doenças do esôfago exige que o médico e cirurgião atue como um gestor de riscos e funções, e é justamente nesses pontos que as questões abordam o diagnóstico e o tratamento.
No esôfago de Barrett, o foco é a vigilância oncológica e a erradicação precoce da displasia. Na acalasia e nos divertículos de pulsão, a chave do sucesso é o tratamento do distúrbio de pressão subjacente por meio da miotomia.
Dominar esses protocolos não apenas garante autoridade técnica no blog e na enfermaria, mas define a segurança do paciente a longo prazo.
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Formado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp). Atualmente, residente em Cirurgia pela mesma instituição.