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O que é Cirurgia Geral: saiba tudo sobre essa especialidade

Você se imagina atuando com cirurgia daqui a algum tempo? Então a Cirurgia Geral pode ser um caminho pra você! Mas o que é Cirurgia Geral? Pra você ter uma ideia, algumas das enfermidades que o Cirurgião Geral ajuda a tratar são hérnias, pedra na vesícula (colelitíase), colecistite, hemorróidas, úlceras gástricas, traumas, entre outras. Vale lembrar que essa especialidade também pode servir como pré-requisito para outras, como Cirurgia do Aparelho Digestivo, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Plástica, Cirurgia Torácica, Cirurgia Vascular, Coloproctologia e Urologia. 

Para saber o que é Cirurgia Geral, como funciona a rotina do profissional, o mercado de trabalho, a residência e muito mais, fica com a gente por aqui! 

O que é Cirurgia Geral 

A Cirurgia Geral vai diagnosticar e tratar doenças por meio de procedimentos cirúrgicos. Essa especialidade engloba, basicamente, três tipos de cirurgia: laparoscópica, abdominal e de trauma. Mas não se engane: parecem poucos itens, no entanto eles são bem abrangentes! Além disso, o cirurgião geral é habilitado a realizar os procedimentos cirúrgicos mais comuns. Ou seja, trabalho não vai faltar e você nem de longe será um profissional com conhecimentos superficiais — pelo contrário, muitas vezes terá que atender casos complexos que vão depender da sua atuação

Pra você entender direitinho o que é Cirurgia Geral, nós conversamos com a Bruna Capistrano, cirurgiã geral pelo Hospital Meridional, do Espírito Santo (ES). Ela contou pra nós o que a atraiu na especialidade. Dá uma olhada e vê se você se identifica com a fala dela:

“Sempre gostei da adrenalina da cirurgia! Sempre achei lindo quem consegue operar, curar, literalmente com as mãos! Depois que comecei a ir ao hospital ‘por fora’ da faculdade, fiquei ainda mais encantada com o mundo do centro cirúrgico. Parecia que, ao vestir o capote estéril, eu estava vestindo minha melhor roupa, minha maior força. Eu amava!”

Deu pra sentir a paixão da Bruna, não é mesmo? Quem sabe ela não te contagia! 

O que faz o profissional de Cirurgia Geral 

Beleza, deu pra começar a sacar o que é Cirurgia Geral, mas vamos entender um pouco mais do profissional dessa área. Pra Bruna, a melhor definição do que faz o cirurgião geral é essa aqui: 

Curar com as mãos. O cirurgião é o especialista que cura as pessoas através das suas mãos. Muitas vezes não precisa nem operar… mas suas mãos, ao tocarem o paciente, já identificam o que pode estar acontecendo. O diagnóstico vem por meio do nosso toque, bem como a cura do paciente. Isso me fascina!”

De acordo com a nossa entrevistada, a Cirurgia Geral atrai muita gente por ser uma especialidade que não compete com outras. Por exemplo: o único médico que pode fazer uma cirurgia abdominal é o cirurgião. Por outro lado, é uma especialidade que pode assustar um pouco aqueles que ainda estão na faculdade de Medicina. Veja o por quê segundo a Bruna:

“Os alunos muitas vezes acham que é muito pesado e que não vão conseguir terminar a residência, ou acham que vão passar mal durante uma cirurgia, que não vale a pena fazer 3 anos de residência”.

De fato, pra fazer Cirurgia Geral é preciso ter perfil, como em toda especialidade. Precisa fazer sentido dentro do que você gosta e se identifica na Medicina. E, pra não restar dúvidas sobre o que é Cirurgia Geral, o melhor mesmo é se informar, assim você tem mais chances de fazer uma boa escolha para seu futuro! 

Quais são as características fundamentais de um cirurgião geral?

E qual deve ser o perfil de médico cirurgião geral? É bom que você já fique ligado nisso pra saber como se desenvolver. Perguntamos isso pra Bruna e ela respondeu que as características fundamentais de um cirurgião geral são: proatividade, capacidade de resolutividade e precisão. Se liga na justificativa dela:

“O cirurgião muitas vezes tem que tomar decisões difíceis e, na maioria das vezes, é o profissional que é o ‘final da linha’, ou seja, SOMENTE o cirurgião pode salvar o paciente. Então temos que ser precisos, resolutivos e muito proativos”.

Olha a responsa! Vale lembrar que o cirurgião geral muitas vezes atua em interface com outras especialidades, como Radiologia e Endoscopia, portanto saber trabalhar em equipe conta muitos pontos. É necessário também desenvolver a inteligência emocional, justamente por conta das decisões difíceis que a Bruna já comentou que estão sempre presentes no dia a dia. 

Não pode faltar, ainda, uma boa habilidade manual, característica que geralmente vem com a prática. Lembre-se de que a Cirurgia Geral é um ofício que exige bastante preparo físico, uma vez que você vai passar longas horas em pé. Por fim, a bagagem clínica também é imprescindível, afinal o médico será responsável pelo diagnóstico das doenças e pelas indicações de cirurgia. No final das contas, pra ser um bom cirurgião geral, você terá que ser um profissional completo, sempre buscando formas de aperfeiçoar seu conhecimento teórico, sua prática e suas soft skills, lembrando de estar atento aos avanços tecnológicos na área.  

Como é a rotina e o mercado de trabalho do especialista em Cirurgia Geral?

Antes de qualquer coisa, vamos conhecer a rotina da Bruna, nossa entrevistada:

“Atualmente, trabalho em pronto atendimento como cirurgiã. Minha instituição não é referência em trauma na região, porém atendo muitos traumas. No entanto, o volume maior é, sem dúvidas, de abdome agudo, principalmente inflamatório! Atendo muitos pacientes com colecistite e apendicite!”. 

Pois bem, a maior parte dos cirurgiões começa a carreira em plantões. Em locais com altas taxas de violência, esse profissional pode ser muito requisitado nas emergências, mas, em geral, tanto hospitais públicos quanto privados costumam contratar cirurgiões com frequência para atuar nos pronto-socorros e salas de emergência. A própria Bruna mostrou que trabalha bastante com traumas, né? Mas ela também falou sobre alguns caminhos para o cirurgião geral em início de carreira: 

“Quando a gente se forma, muitos caminhos podem ser trilhados. Primeiro: você pode parar por aqui e atender como cirurgião geral! Montar seu consultório mesmo e operar pacientes eletivamente ou então trabalhar em hospitais atendendo em pronto-socorro. Segundo: você pode fazer subespecialização. Fazer uma nova prova de residência e se tornar Urologista, Cirurgião do Aparelho Digestivo, Cirurgião Vascular, Plástico, Pediátrico, Oncológico… Você também pode optar por outras especialidades não cirúrgicas, fazendo especialização em Terapia Intensiva ou Endoscopia, por exemplo. Existe um mundo de possibilidades. Você tem que colocar na ponta do lápis e escolher o que mais se adequa ao seu perfil e aos seus objetivos!”.

A Bruna citou os consultórios, mas essa é uma opção viável geralmente quando o médico já tem alguma reserva financeira, algo que só vem depois de um certo tempo. Além disso, trabalhar em ambulatórios também é uma possibilidade. Por fim, as cirurgias eletivas permitem uma rotina um pouco mais organizada, mas você ainda vai ter que acompanhar a evolução dos pacientes nos pós-operatório e estar preparado para qualquer complicação que possa surgir, não importa o momento. 

Com mais experiência você vai poder se aventurar em cirurgias de alta complexidade, que requerem alto grau de especialização. Muitas vezes, essas cirurgias também envolvem tecnologias bem avançadas, o que significa que você deverá se atualizar constantemente. 

Quanto ganha um cirurgião geral?

Segundo o site Salario.com.br, a faixa salarial do cirurgião geral varia entre R$ 6.492,50 e R$ 17.015,83 mensais, considerando uma média entre 586 salários. Esse valor pode mudar muito conforme a cidade em que o profissional trabalha e também de acordo com as atividades que realiza. Você pode dar uma olhada no nosso artigo sobre os salários em diferentes subespecialidades cirúrgicas pra ter uma visão mais ampla das possibilidades. A nossa entrevistada, Bruna, também ajudou com uma ideia dos ganhos: 

“Para um médico da minha especialidade em início de carreira, o salário gira em torno de R$ 10 a R$ 15 mil. Depende bastante do quanto você quer e pode trabalhar. Para um profissional já com nome estabelecido, a remuneração pode ultrapassar R$ 20 mil, também dependendo do seu modelo de trabalho”.  

A residência médica em Cirurgia Geral

Agora que você já tem uma boa noção sobre o que é Cirurgia Geral, vamos ao que interessa: como chegar lá? Bem, o primeiro passo é a formação em Medicina. Na sequência, o mais indicado é realizar a residência médica em Cirurgia Geral, que é de acesso direto, dura 3 anos e é oferecida nas principais instituições do país

Muita gente tem procurado por essa especialidade na hora de prestar a residência. Reflexo disso foi o aumento da concorrência no processo seletivo da USP-SP: a relação candidato/vaga passou de 9,8 em 2019 (com 5 vagas disponíveis) para 41,67 em 2020 (com 5 vagas disponibilizadas). Outras instituições, como Unifesp, Unicamp e Iamspe mantiveram a concorrência mais baixa do que a USP, embora ainda apresentem números relevantes

E uma vez dentro da residência, como ela funciona? A Bruna explica que a rotina é bem puxada e, geralmente, a carga horária ultrapassa as 60 horas semanais recomendadas pelo MEC, dado que uma cirurgia nem sempre tem hora pra começar, muito menos pra terminar. Sua residência durou dois anos, pois ela se formou antes da mudança que aumentou o tempo de formação. Olha só como era:

“A residência era dividida em grandes áreas. A cada mês a gente ‘rodava’ em uma área diferente, por exemplo: cirurgia do aparelho digestivo, urologia, cirurgia vascular, cirurgia geral, torácica e por aí vai. Apesar de a minha residência ter sido no Hospital Meridional, nós passávamos muito tempo no Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, referência em trauma no estado [ES]. Nós tínhamos plantões fixos lá durante os 2 anos de residência, fora os muitos meses em que a gente ficava exclusivamente lá.

Além disso, existiam as aulas teóricas, muitas vezes realizadas no Hospital das Clínicas e outras vezes no nosso próprio hospital. Nosso ‘forte’ na residência era o Trauma, Bariátricas e Transplante Hepático; o que fazia a residência ficar muito cansativa, pois trauma e transplante nos pegam de surpresa durante os dias, tardes, noites e madrugadas… Apesar disso tudo, foi muito grande o aprendizado e é maior ainda o orgulho de fazer parte de serviços tão fundamentais!”.

Qual é o melhor programa de residência em Cirurgia Geral?

Essa a Bruna responde:

“Depende do que a pessoa quer! Existem diversas instituições renomadas, como USP, IAMSPE, UNICAMP, UNIFESP, dentre outras, de forma que seria injusto citar apenas essas. Porém não existe residência perfeita! Se em uma residência optam mais por ‘pegar mão’, fazer cirurgias, colocar a mão na massa, outras residências optam pelo lado mais academicista, área de estudo e pesquisa… cabe ao aluno realmente correr atrás de saber o que ele quer e como são os locais onde quer prestar prova”. 

Tá dado o recado! O que pesou mais na escolha da Bruna pela sua instituição foi a boa formação que era oferecida, os staffs em que ela confiava, proximidade com a família e deslocamento não muito grande. E pra você, o que conta mais? Saber isso é o primeiro passo! 

Aqui no Blog da Medway nós já entrevistamos residentes da USP-SP, USP-RP, Unicamp, Unifesp e Santa Casa. Aproveita pra dar uma olhada!

Gostou de saber mais sobre o que é Cirurgia Geral?

Agora que você tá ligado no que é Cirurgia Geral, já deve estar se imaginando dentro da residência, né? Caso essa seja realmente uma opção de caminho pra você, lembre-se de se preparar bem para as provas! E pra isso você pode contar com a gente: na Academia Medway, oferecemos e-books, guias estatísticos e minicursos gratuitos que vão te ajudar a brilhar nas provas de residência! Pra começar, conheça o e-book 20 questões comentadas de Cirurgia da Unifesp! Estude também com nossa seleção de 5 questões de Cirurgia Geral comentadas. Bora conquistar essa aprovação! 

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MicaelHamra

Micael Hamra

Nascido em 1991, médico desde 2015, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA) e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) finalizada em 2018. "Nunca quis seguir o fluxo. Sempre acreditei que existe uma fórmula do sucesso para cada um de nós. Se puder conquistar sua mente, poderá conquistar o mundo."