Endoscopia: residência, áreas de atuação, salário e mais!

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A Endoscopia Digestiva deixou de ser apenas um exame complementar para se tornar uma das áreas mais rentáveis e tecnológicas da medicina. Para o médico que busca uma rotina dinâmica, com intervenções práticas e alta demanda, a especialização em Endoscopia é um dos caminhos mais curtos para a valorização profissional.

Neste guia, vamos além do básico para mostrar como funciona a formação e como está o mercado de trabalho!

O que é endoscopia?

A endoscopia é um exame que proporciona a visualização de algumas regiões internas do corpo humano (trato gastrointestinal, traqueia, intestino grosso) por meio de uma câmera. O objeto é acoplado na ponta de um tubo, também chamado de sonda, que percorre a área que deve ser analisada. 

Para a segurança do paciente, evitando movimentações de desconforto e náusea, são utilizados sedativos intravenosos. Assim, o médico endoscopista pode realizar o exame calmamente para identificar lesões, tumores ou doenças, como refluxo, gastrite, infecções e úlceras. 

A captura de imagens em alta definição auxilia em biópsias futuras. O procedimento deve ser feito quando o paciente apresenta múltiplas queixas. Algumas delas são dores intestinais e abdominais, alteração na cor das fezes, vômito ou fezes com sangue, azia, dor para se alimentar e fazer as necessidades fisiológicas.

Cada endoscopia possui tipos de sedação (tópica ou geral) e preparação com diferentes medicamentos no dia anterior, incluindo restrição alimentar ou jejum. A duração delas também varia em torno de 30 minutos. 

Tipos de endoscopia

Existem outros tipos de endoscopia, como:

Broncoscopia

A broncoscopia, chamada de endoscopia respiratória, é realidade pelas vias aéreas. O broncoscópio é introduzido pela boca ou pelo nariz e capta as imagens que auxiliam no diagnóstico. No geral, o exame é solicitado para avaliar a região dos brônquios, coletar secreção e fazer uma biópsia pulmonar. 

Ele é recomendado para pacientes que se encontram com tosses frequentes e persistentes, suspeita de tuberculose, bronquite, sangramento pelo nariz ou pela boca e alteração na radiografia.

Colonoscopia

A colonoscopia, ou exame de endoscopia digestiva baixa, é recomendada principalmente para o diagnóstico de câncer no cólon. Ela analisa o interior do intestino grosso e do reto para identificar pólipos (crescimento do tecido da mucosa), tumores e infecções. 

A solicitação deve ser feita pelo médico em casos de diarreia ou constipação sem causa aparente, com suspeita de úlceras, retite, colite, câncer colorretal, sangramento na evacuação, entre outros.

Gastroscopia

A gastroendoscopia é a mais comum e tem como objetivo analisar os órgãos do sistema digestivo, incluindo estômago e esôfago. Também chamada de endoscopia digestiva alta, ela é feita sob sedação pela boca, durando cerca de 20 minutos. 

Geralmente, o procedimento é feito quando o paciente sofre com dificuldades para engolir, tem dores abdominais e mal-estar após as refeições, como azia, sensação de estufamento e queimação. 

Cistoscopia

A cistoscopia é a menos conhecida quando comparada aos demais tipos de procedimentos apresentados. Ela avalia as vias urinárias, com foco no interior da uretra e da bexiga, para o diagnóstico de alterações, lesões, cálculos vesicais e outros. 

Esse exame é indicado quando há suspeita de câncer de bexiga, quadros clínicos de dores (moderadas e intensas), sangue na urina, ardência ao urinar, dor na bexiga, incontinência e infecções urinárias recorrentes.

Áreas de Atuação e Subespecialidades

O endoscopista moderno não vive apenas de “ver o estômago”. O campo se expandiu para:

  • Endoscopia Digestiva Alta e Baixa (Colonoscopia): O carro-chefe das clínicas.
  • Endoscopia Pediátrica: Um nicho escasso e muito bem remunerado.
  • Ecoendoscopia (Ultrassom Endoscópico): A fronteira final da precisão diagnóstica em tumores.
  • Endoscopia Bariátrica: Um mercado em explosão para tratamento de obesidade (como o balão intragástrico e sutura endoscópica).

Mercado de trabalho e salário: vale a pena?

Se você busca escalabilidade, a Endoscopia é ideal. Enquanto um clínico está limitado ao número de consultas por hora, o endoscopista trabalha por produtividade e volume de exames.

  • Remuneração por Procedimento: Em média, o repasse por uma endoscopia simples em grandes centros gira entre R$ 150 a R$ 300 (valor líquido para o médico por exame de 15 minutos).
  • Plantão de Sobreaviso: Hospitais pagam valores fixos altos para endoscopistas ficarem de prontidão para casos de hemorragia digestiva ou retirada de corpos estranhos.
  • Estimativa Mensal: Um endoscopista com agenda cheia em clínicas e hospitais pode faturar entre R$ 25.000 e R$ 50.000, dependendo do volume de exames e da realização de colonoscopias (que têm valor de repasse maior).

Como funciona a formação em Endoscopia?

Diferente de outras especialidades, a Endoscopia no Brasil oferece caminhos distintos para a obtenção do RQE (Registro de Qualificação de Especialista).

A Residência Médica

  • Pré-requisito: Atualmente, a maioria dos programas de excelência exige residência prévia em Clínica Médica (2 anos), Cirurgia Geral (2 anos) ou Gastroenterologia (2 anos).
  • Duração: A residência em Endoscopia dura 2 anos.
  • O que se aprende: Desde a endoscopia diagnóstica básica até procedimentos avançados como CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada), mucosectomias e passagens de sondas/stents.

Especialização/Pós-graduação

Existem cursos de especialização reconhecidos pela SOBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva). Ao final, o médico deve prestar a prova de título para obter o RQE e atuar legalmente como especialista.

Endoscopia no Brasil

Segundo dados da Demografia Médica de 2025, no Brasil, há 5.964 médicos especializados em Endoscopia. Desses, 60% são homens e 40% mulheres. Além disso, a média de idade é de 43,6 anos.

Confira a seguir a distribuição de médicos endoscopistas no país:

RegiãoPercentual de especialistas
Centro-Oeste8,8%
Nordeste19,1%
Norte3,9%
Sudeste49,2%
Sul19%

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Igor Alves

Igor Alves

Paraense, pai de pet e professor da Medway. Formado pela Universidade do Estado do Pará, Residência em Clínica Médica pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Siga no Instagram: @igor.medway