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O enforcamento sob o ponto de vista médico: saiba mais

Antes de dar início a este texto sobre o enforcamento, precisamos lembrar que, aqui, o tema será abordado sob o ponto de vista médico. O artigo pode ser sensível a algumas pessoas que o lerem.

Caso você ou alguém que conheça esteja passando por momentos difíceis, saiba que existem meios de pedir auxílio. As linhas diretas de ajuda fornecem apoio imediato, confidencial e gratuito.

Número de telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV): 188

Acesse o site do Centro de Valorização da Vida (CVV)

Fala, pessoal! Tudo bem? Espero que sim, pois hoje temos um tema bastante desafiador para tratar com vocês. Hoje, vamos falar do enforcamento.

Sabemos que este último se relaciona a outros capítulos importantíssimos na medicina de emergência, como: manejo da tentativa de suicídio, violência (principalmente conjugal), etc.

Sendo assim, por conta da abrangência dessa tema, vamos tomar o seguinte recorte por aqui:

  • Atendimento inicial e estabilização;
  • Lesão em coluna cervical;
  • Hipóxia auto – induzida.

Como proceder a um caso de enforcamento no PS?

Assim como qualquer paciente levado ao departamento de emergência, vamos nos lembrar da nossa avaliação inicial: ela deve estar massificada. Por isso, antes mesmo de saber o que de fato aconteceu, vamos: 

  1. Observe a via aérea. Chame o paciente, observe se há vocalização e, nesse caso em particular, devemos observar a presença de rouquidão. Faz parte desse primeiro exame a inspeção do pescoço, e pode haver lesão circular no local. Nesse momento também podemos procurar outros sinais de enforcamento, como a presença de petéquias em face e hemorragia subconjuntival. 

A lesão às partes moles da região cervical, devido à hiperflexão seguida de desaceleração abrupta, pode estar relacionada à ruptura total da via aérea mais comum entre a cartilagem cricóide e a traqueia, necessitando de traqueostomia de emergência.

  1. Observe o padrão respiratório. Realize a inspeção, palpação, ausculta e percussão do tórax do paciente. Cheque também a sua frequência respiratória e sua oximetria de pulso. Aqui, pode-se observar estridor a ausculta resultante da obstrução de via aérea superior.
  2. Observe a hemodinâmica do paciente. Rapidamente, também cheque o pulso, as características da pele e o seu tempo de perfusão capilar.

Se notar qualquer alteração, vai ficar evidente que o nosso paciente é grave e precisa de atendimento em sala de emergência para estabilização o mais rápido possível.

Caso o paciente esteja inconsciente na chegada, coloque-o imediatamente na sala de emergência, monitorize-o e, por fim, não se esqueça de solicitar uma glicemia capilar.

Além disso, se o paciente estiver conversando, além questionar o que aconteceu, é importante perguntar se ele sente dor na região do pescoço,

As particularidades do enforcamento

O enforcamento ocorre quando, por intermédio de um objeto (laço ou cinto, por exemplo), há suspensão completa ou parcial do corpo, causando constrição mecânica da região cervical.

O enforcamento pode causar danos não só às partes moles da região cervical, como também para a coluna cervical.

Essa era uma prática comum de execução no império romano e diversas culturas ao decorrer da história humana. Dizemos que o enforcamento pode levar à chamada “fratura do enforcado”. 

Enforcamento - imagem 1
Imagem 1.

Essa fratura se refere à lesão bilateral de elemento ósseo de C-2. Atualmente, esse tipo de lesão também ocorre em acidentes automobilísticos.

O nome técnico da fratura é epifisiolistese traumática do áxis. Trata-se de uma lesão estável que, na maioria das vezes, não causa déficits neurológicos. 

Como o paciente vítima de enforcamento morre

O mecanismo de morte é proveniente da hipóxia e da hipoperfusão cerebral.  A interrupção abrupta da respiração, causada pela constrição extrínseca da via aérea, pode levar à perda da consciência transitória já nos primeiros 10 a 20 segundos.

Caso o evento continue, a hipoperfusão cerebral pode causar danos cerebrais permanentes em 3 minutos. De 4 a 5 minutos, por fim, a probabilidade de que a pessoa morra é bem alta. 

Por que há pessoas que fazem isso propositalmente? (fora do contexto de suicídio)

O ‘’choking game’’ conta com o auxílio de outra pessoa ou é autopraticado. A partir do enforcamento, tem-se a intenção de causar hipóxia transitória no período de 5 a 10 segundos, em que a perda da consciência é transitória e rapidamente revertida com o fim da constrição cervical. 

Com a retomada do fluxo sanguíneo e a retomada da consciência, vem a sensação de ‘’euforia’’, que é descrita pelos praticantes. 

Para finalizar

Galera, o objetivo deste texto era mostrar um recorte sobre as lesões decorrentes do enforcamento. Com esse material, você poderá aguçar sua curiosidade para pesquisar mais sobre o tema e vai ter uma boa ideia de como proceder caso presencie um caso parecido. 

Lembre-se de que o enforcamento pode causar danos severos à via aérea, que devemos identificar prontamente na avaliação sistemática inicial do paciente. Apesar da lesão cervical poder estar presente, na maioria das vezes, o mecanismo de morte se dá pela hipóxia e hipoperfusão cerebral prolongada.

É isso!

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

Ah, e se quiser conferir mais conteúdos de Medicina de Emergência, dê uma passada na Academia Medway. Por lá, disponibilizamos diversos e-books e minicursos completamente gratuitos! 

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E, por último, reforçamos que existem meios de pedir ajuda caso você ou algum conhecido esteja enfrentando momentos de dificuldade. Para ligar para o Centro de Valorização da Vida, disque 188 ou acesse o site https://www.cvv.org.br/.

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LuizCésar

Luiz César

Nascido em 1990, em Cuiabá-MT, formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em 2020. É oficial médico temporário no 37° Batalhão de infantaria leve e aguarda ansiosamente para iniciar sua residência em Medicina de Emergência na Universidade de São Paulo (USP - SP).Amante da adrenalina se interessa por resgate aeromédico, usg-point of care e medicina de áreas remotas.