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Infarto de Ventrículo Direito: tudo que você deve saber

Saiba mais sobre o infarto de ventrículo direito
Saiba mais sobre o infarto de ventrículo direito

Fala, pessoal! Hoje vamos falar sobre o infarto de ventrículo direito, que costuma ser um evento incomum e acontece com mais frequência quando há um infarto de ventrículo esquerdo com elevação do segmento de ST de parede inferior. Mesmo sendo um acontecimento menos visto, é importante saber sobre ele para não deixar nada passar em branco e estar sempre preparado. 

E aí, bora lá?

Por que o infarto de ventrículo direito é menos comum?

Um dos motivos para que o infarto do ventrículo direito seja menos comum é que a demanda de oxigênio é muito menor (comparado ao ventrículo direito) devido à sua menor massa muscular. Além disso, a perfusão coronariana no VD ocorre tanto na sístole quanto na diástole, ou seja, há mais suprimento de sangue. Por fim, como há mais circulação colateral, o quadro tende a ser menos frequente. 

Qual artéria é a culpada?

De modo prático, à artéria coronária direita proximal.

O ventrículo direito é irrigado pela artéria coronária direita (ACD) e pelos ramos marginais do ventrículo direito.

A artéria coronária descendente anterior esquerda (ADA) irriga o ápice do VD e a parede anterior do VD que é continuação do septo.

Quadro clínico e diagnóstico do infarto de ventrículo direito

Muitos sintomas são semelhantes aos do IAM de VE, como: 

  • dor precordial;
  • sudorese profusa;
  • náuseas e vômitos.
  • náuseas e vômitos.

Além disso, existem os sinais e sintomas mais específicos ao infarto do ventrículo direito, como a bradicardia, em que a frequência cardíaca dos pacientes com infarto de ventrículo direito costuma ser mais baixa em comparação aos IAM de VE. 

Um pouco de fisiopatologia

A oclusão proximal da artéria coronária direita compromete a perfusão da parede livre do VD, levando à discinesia e diminuição do desempenho global do VD. Isso acarreta:

  • diminuição de sangue para o VE;
  • diminuição do débito cardíaco, porém o desempenho sistólico do VE permanece intacto;
  • aumento da pressão diastólica (VD isquêmico se torna rígido e dilatado no final da diástole, impedindo o influxo do átrio direito);
  • deslocamento do septo interventricular em direção ao VE (devido à dilatação do VD), o que diminui a quantidade de sangue dentro do VE.

Infarto de ventrículo direito: eletrocardiograma

Todos os pacientes com infarto de VE de parede inferior (ou seja, supra de ST, infra de ST ou ondas Q patológicas de DII, DIII e/ou aVF) devem ser submetidos a outro ECG com as derivações V4R, V5R e V6R para avaliação de possível de infarto de VD.

A elevação do segmento ST > ou igual a 1mm em V4R a V6R, principalmente em V4R, indica lesão do ventrículo direito aguda, sendo a artéria coronária direita proximal a mais provável culpada.

Como manejar

O manejo é igual ao manejo de IAM de VE (para rever, clique aqui!):

  • 1. Uso precoce de antiplaquetário oral duplo (AAS + bloq. do receptor P2Y12);
  • 2. Estatina;
  • 3. Anticoagulante.

A terapia de reperfusão precoce (seja invasiva ou química) deve ser feita o mais rápido possível, pois diminui a morbimortalidade!

Ah, e lembre-se: nitratos, opioides e beta bloqueadores são contraindicados. 

Caso a função do VE seja prejudicada, existem dispositivos de assistência mecânica que podem ser muito interessantes.

O BIA (balão intra-aórtico) é útil para tratar o choque cardiogênico nos pacientes com esse perfil de disfunção. Não existem tantas evidências sobre o real benefício do BIA, porém, é amplamente sabido que melhora a pressão aórtica e melhora a perfusão sistêmica, sendo assim muito bom para tratamento de hipotensão refratária a drogas vasoativas inotrópicas (por exemplo: dobutamina).

Prognóstico

Muito do prognóstico a longo prazo do infarto do ventrículo direito está ligado à extensão do acometimento do VE. Com a terapia de reperfusão precoce (seja por intervenção primária ou trombólise), o prognóstico melhorou muito porque o VD costuma recuperar boa parte da sua disfunção com o tempo.

De acordo com o UpToDate, a insuficiência cardíaca crônica consequente apenas ao infarto de VD é rara.

É isso! 

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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Referências 

1. Infarto do miocárdio ventricular direito – UpToDate

2. Infarto de ventrículo direito: como identificar e tratar? – PebMed

3 .Eletrocardiograma no diagnóstico de isquemia miocárdica e infarto – UpToDate

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FláviaTroiani

Flávia Troiani

Nascida em Santos em 1995 e formada pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2019, agora cursa sua residência de Clínica Médica pela Secretaria Municipal de Saúde (SUS - SMS) em São Paulo. Seu próximo passo é entrar em Cardiologia, inspirada pela sua mãe, médica da área.