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Infecção do trato urinário em homens: tudo que você precisa saber

Faaaala galera, tudo bem com vocês? Hoje o assunto é sobre infecção do trato urinário em homens! Não é tão comum como em mulheres, mas é importantíssimo ter conhecimento sobre o assunto, e hoje vamos falar um pouco de tudo que você precisa saber, para que não fiquem dúvidas!

Bora lá?

Essas ITUs incluem cistite simples (infecção da bexiga urinária e do trato urinário inferior) e pielonefrite (infecção renal e do trato urinário superior). A primeira infecção do trato urinário da qual vamos falar é a cistite simples!

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Primeiro, como saber se a cistite é simples?

1º ITU aguda que, a priori, está confinada à bexiga.

2º Não há sinais ou sintomas que nos levem a pensar que há uma infecção do trato urinário superior ou infecção sistêmica (por exemplo febre, calafrios, dor em flanco…)

Atenção! Você pode se perguntar aqui: “mas e se o paciente possuir alguma anormalidade urológica de base, como por exemplo estenoses, nefrolitiase, ou o paciente for imunossuprimido, ou for transplanteado renal… consideraremos esses pacientes com uma infecção do trato urinário complicada já?” NÃO!!!!! Em princípio, se esses pacientes não possuírem alguma sinal ou sintoma que sugira infecção superior ou sistêmica, consideraremos cistite aguda simples

Mas, sempre bom lembrar, que esses pacientes devemos acompanhar mais de perto, né? 🙂 

Epidemiologia

Incidência de ITUs em homens jovens (15-50 anos de idade) é de 5-8 infecções a cada 10.000 homens por ano nos EUA. 

Por que a incidência dessa infecção é menor em homens comparado às mulheres?

– Uretra mais longa;

– colonização ao redor da uretra é menos frequente porque a região é mais seca;

– o fluído prostático possui substância antibacterianas. 

Manifestações clínicas

Disúria; polaciúria; urgência miccional e dor suprapúbica.

Como fazer o diagnóstico?

1º) Avaliação inicial e clínica:  queixa do paciente + anamnese detalhada (perguntar ativamente sobre as manifestações clínicas esperadas) + exame físico!

> o exame físico inclui palpação abdominal a procura de bexigoma e dor nos flancos. 

Lembrete!!! Uretrite deve ser considerado em pacientes sexualmente ativos. 

2º) Laboratorial: urinálise + cultura de urina com antibiograma.

> Urinálise: Excelente escolha para avaliar presença de piúria. Um dado interessante é que a piúria está presente na maioria dos homens com cistite aguda; sendo assim, a AUSÊNCIA de piúria nos faz pensar em um diagnóstico diferencial. 

Leucócitos: > ou igual a 10 leucócitos/ microlitro indica infecção;

Cilindros: cilindros leucocitários sugerem infecção do trato urinário superior, indicando ITU complicada e investigações adicionais.

>Urocultura: um resultado com unidade formadoras de colônias (UFC) > ou igal a 10³ / mL de um microoganismo predominante é o critério de confirmação de diagnóstico de infeção do trato urinário. 

— Quais são os microorganismos mais frenquentes? E.coli 75-95% é a bactéria predominante. Outras também são vistas com certa frequência como a Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabillis (itálico)

Resumindo para sermos práticos: Homens com sintomas uirinários típicos, piúria (na microscopia) e bacteriúria (na cultura de urina), estando ausente febre ou sintomas sistêmicos, está feito o diagnóstico. 

Tratamento de uma infecção do trato urinário

Galera, como as ITUs em homens não são comuns, não há estudos comparativos entre antimicrobianos [7], sendo assim, o tratamento empírico* de primeira linha que usamos é o seguinte:  

  • Nitrofurantoína 100 mg VO 12/12h; ou
  • Sulfametoxazol-Trimetropim – 1cp , via oral, 12/12h; ou
  • Fosfomicina – 3g de pós misturado em 200mL de água, via oral – dose única.

Se o paciente tomou algum desses medicamentos nos últimos 90 dias deve-se selecionar um antibiótico diferente. 

*Assim que o antibiograma estiver disponível, a terapia deve ser guiada. Para o tratamento de ITU em homens, a duração deve se prolongar para 7 a 10 dias.

Cistite complicada

As ITUs complicadas em homens podem classificam-se em:

  • Prostatite;
  • Pielonefrite.

Manifestações clínicas

São as mesmas de uma cistite simples (disúria, polaciúria, etc..) , mas agora temos associado alguns sinais e sintomas sistêmicos!
São eles:

Febre > 37,7ºC *
Dor pélvica ou perineal
Dor em flanco 
Sensibilidade no ângulo costovertebral
Calafrios, prostração, fadiga significativa.

*Considerar possíveis diferentes limites de acordo com a idade do paciente, temperatura basal e outros fatores contribuintes para o aumento da temperatura.

Prostatite aguda

Inflamação aguda da próstata. Sua etiologia é mais comumente de origem bacteriana (gram + e gram -). Mas não podemos esquecer da possibilidade de Gonorreia e Clamídia em homens sexualmente ativos. 

Quadro clínico

A prostatite aguda abre o quadro de sintomas de forma nada sutil! 

Sintomas irritativos (93%) *
Disúria; polaciúria; urgência miccional
Sintomas obstrutivos (25%)*
Fluxo fraco; hesitação; jato interrompido; 
Sintomas constitucionais (34%)*
Febre; calafrios; prostração

*De acordo com um estudo restrospectivo na Espanha com 614 pacientes. [5]

Exame Físico

Importante fazer o toque retal nesses pacientes! O que você irá encontrar? 

É esperado que a prostáta esteja edemaciada, firme e dolorosa.
Nesse momento, se possível, pode ser aplicada uma força do seu dedo contra a próstata a fim de tentar estimular saída de secreção prostática através da uretra para coleta e posterior análise da mesma.

Diagnóstico

Laboratorialmente, devemos solicitar:
-hemograma – esperando encontrar aumento de leucócitos
-provas inflamatórias (PCR e VHS – lembrar que o VSH é ainda menos específico que o PCR)
-antígeno prostático específico (PSA) – lembrando que se houver exame de PSA agendado para rastreamente de câncer de próstata, este deve ser adiado por pelo menos 30 dias após resolução do quadro da prostatite.
-urina tipo I – piúria / leucocitúria / hematúria
-urocultura e hemoculturas** – isolamento de microorganismos. 

**As hemoculturas não devem ser solicitadas de rotina. Em um estudo [6], foi constatado que apenas 5% dos pacientes possuiam microorganismos isolados de relevância clínica para o quadro em vigência.

Tratamento

Nesse caso, os beta lactâmicos, a fosfomicina e nitrofurantoína não atingem concentrações eficazes no tecido prostático; sendo assim, para as ITUs complicadas, no tratamento empírico* usamos uma quinolona: 

  •  Ciprofloxacino 500 mg, via oral, de 12/12h 
  •  Levofloxacino 750, via oral, 1x ao dia.

*Assim que o antibiograma estiver disponível, a terapia deve ser guiada.

Não há estudos que indiquem quanto tempo deve durar a terapia para ITU em homens, seja ela complicada ou simples. Um curso de 5 a 7 dias parece ser o ideal, a depender da gravidade. 

Pielonefrite

Inflamação aguda do rim (pielo = pelve) que rapidamente se desenvolve, geralmente decorrente de um infecção bacteriana.

Etiologia

Em princípio, a infecção se inicia no trato urinário inferior e ascende, através do ureter, até o rim. 

O principal fator de risco é o Refluxo Vesicoureteral (RVU) – que pode ser causado por um defeito congênito da válvula ureteral ou por uma obstrução do trato urinário inferior, que aumenta a pressão na região da válvula ureteral, predispondo o refluxo. 

E quais são os microorganismos mais comumente associados?

-> E.coli

-> Proteus mirabillis

-> Enterobacter

Esses citados acima são encontrados na flora intestinal.

Mas a pielonefrite pode ser causada também por disseminação hematogênica (apesar de ser bem menos comum). Nesse caso, os mais comuns são:

> Staphylococcus

> E. coli.

Fisiopatologia

Só para facilitar nosso entendimento.

As bactérias ascendem no trato urinário e começam a colonizar o epitélio tubular, desencadeando uma reação inflamatória. Essa reação inflamatória ”chama” os neutrófilos (quimiotaxia) para o interstício renal. Mas, tipicamente há vasos e glomérulos de reserva. Então, quando esses neutrófilos começam a morrer, são eliminados através da urina –> e por isso na Urina Tipo I desses pacientes costuma haver leucócitos! E, as vezes, esses neutrófilos se aglomeram e tomam a forma do túbulo, formando os cilindros leucocitários na urina! Interesssante, né?

O diagnóstico e o  tratamento da pielonefrite segue a mesma linha de raciocínio da prostatite aguda! Empiracamente, os antibióticos listados acima são os de primeira linha para serem prescritos (sempre levando em conta particularidade dos pacientes) e, idealmente, o tratamento deve ser guiado pela urocultura e o antibiograma. 

Lembrando que, como estamos falando de infecção do trato urinário em HOMENS, a duração do tratamento deve durar entre 7 e 10 dias (um pouco mais longa comparado às mulheres).

É isso, galera! Todo mundo mais ligado em infecção do trato urinário?

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FláviaTroiani

Flávia Troiani

Nascida em Santos em 1995 e formada pela Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2019, agora cursa sua residência de Clínica Médica pela Secretaria Municipal de Saúde (SUS - SMS) em São Paulo. Seu próximo passo é entrar em Cardiologia, inspirada pela sua mãe, médica da área.