Novembro azul: 5 questões sobre câncer de próstata que já caíram nas provas

Conteúdo / Residência Médica / Novembro azul: 5 questões sobre câncer de próstata que já caíram nas provas

O Novembro Azul surgiu como uma campanha essencial para reforçar a importância do cuidado com a saúde do homem, especialmente no enfrentamento ao câncer de próstata. A data chama atenção para prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce, incentivando a quebra de tabus e o acesso ao cuidado de forma responsável e contínua.

Para quem está na jornada da residência médica, entender esse contexto é mais do que dominar conteúdo teórico: é reconhecer o impacto da educação em saúde e o papel do médico na orientação da população. 

Trouxemos cinco questões cobradas nas provas de residências médicas sobre câncer de próstata, comentadas para ajudar você a fixar os pontos-chave que realmente caem. Bora conferir? 

O que é o novembro azul? 

O Novembro Azul é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, com ênfase especial na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata

A campanha foi iniciada em 2011 por organizações como o Instituto Lado a Lado pela Vida, e se consolidou como o principal movimento de atenção à saúde masculina no Brasil.

A escolha de novembro é simbólica, assim como o Outubro Rosa mobiliza para o câncer de mama, o Novembro Azul destaca fatores de risco, a necessidade do check-up e a quebra de tabu em torno de exames como o toque retal e o PSA

No Brasil, os dados chamam atenção: são estimados mais de 70 mil novos casos por ano de câncer de próstata no triênio 2023-2025, com cerca de 44 óbitos por dia. 

Para a Medway, o Novembro Azul representa mais do que uma cor no calendário: é um lembrete de que o médico residente se forma não apenas em diagnósticos e terapêuticas, mas também em educação em saúde e prevenção. 

Conhecer o câncer de próstata, seus fatores de risco, métodos de rastreamento e as diretrizes de atuação torna-se fundamental para quem vai prestar residência e, posteriormente, atender o paciente na rotina. 

5 questões sobre câncer de próstata que já caíram nas provas de residência médica 

Depois de entender a relevância do Novembro Azul, é hora de trazer esse conhecimento para a prática, especialmente para quem está se preparando para a residência médica. 

Por isso, reunimos cinco questões que já apareceram em processos seletivos e que ajudam a consolidar os pontos mais cobrados sobre o tema.

Agora, vamos ao que interessa: revisar, interpretar e fortalecer seu repertório com exemplos reais e comentários dos nossos especialistas. Vamos para as questões!

1 – Questão 36 SUS-SP 2025 | R1

A respeito do câncer de próstata, julgue os itens a seguir.

I. A partir dos 45 anos de idade, todo homem deve ser submetido ao rastreamento com toque retal e ao antígeno prostático específico (PSA).

II. A maioria dos tumores localizados são assintomáticos.

III. Muitos homens com a doença menos agressiva tendem a morrer com o câncer em vez de morrer do câncer.

IV. Pacientes entre 40 e 50 anos de idade com histórico familiar, afrodescendentes e mutação patogênica no gene BRCA são pacientes de maior risco.

V. Diante de um diagnóstico de câncer, a cirurgia, a radioterapia ou as terapias sistêmicas têm de ser indicadas.

Assinale a alternativa correta.

A) Somente os itens I, II e IV estão certos.

B) Somente os itens I, II e V estão certos.

C) Somente os itens II, III e IV estão certos.

D) Somente os itens III, IV e V estão certos.

E) Todos os itens estão certos.

Gabarito: C

Resolução 

Salve, salve, família Medway, tudo bem com vocês? Questãozinha do SUS-SP trazendo um tema frequente nas provas, concordam?

Esta questão aborda aspectos fundamentais sobre rastreamento, história natural e manejo do câncer de próstata. É essencial entender que as diretrizes atuais priorizam uma abordagem individualizada, considerando riscos e benefícios do rastreamento e tratamento para cada paciente. 

O raciocínio clínico aqui envolve compreender que nem todo câncer de próstata precisa ser tratado agressivamente, e que o rastreamento deve ser oferecido de forma individualizada, após discussão com o paciente sobre riscos e benefícios.

Para o rastreamento, o paciente precisa estar assintomático e ele é feito a partir de duas ferramentas: toque retal + dosagem de PSA livre e total. Segundo o Ministério da Saúde, não está recomendado o rastreio de câncer de próstata e o indivíduo deverá ser alertado pelo médico sobre os potenciais malefícios da prática. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, o rastreio deverá ser feito da seguinte forma:

  • A partir de 50 anos para todos os homens;
  • A partir de 45 anos para indivíduos da raça negra ou que têm história de câncer de próstata na família.   

Vamos analisar cada item:

  1. INCORRETO – A recomendação atual não é realizar rastreamento universal a partir dos 45 anos. O rastreamento deve ser individualizado e discutido com o paciente, geralmente a partir dos 50 anos para homens com risco habitual.
  2. CORRETO – De fato, a maioria dos tumores localizados são assintomáticos, sendo descobertos apenas através do rastreamento com PSA e/ou toque retal.
  3.  CORRETO – Este é um conceito fundamental! Muitos cânceres de próstata são indolentes e de crescimento lento, levando ao conceito de “morrer com o câncer” e não “do câncer”.
  4. CORRETO – Estes são, de fato, os grupos de maior risco que podem se beneficiar de rastreamento mais precoce: história familiar positiva, afrodescendentes e portadores de mutação BRCA.
  5. INCORRETO – Nem todo diagnóstico de câncer de próstata requer tratamento imediato. A vigilância ativa é uma opção válida para casos selecionados de baixo risco.

Portanto, a alternativa C está correta, pois apenas os itens II, III e IV estão corretos.

Alternativa A

Não contém os itens corretos.

Alternativa B

Não contém os itens corretos.

Alternativa C

Vide explicação acima.

Alternativa D

Não contém os itens corretos.

Alternativa E

Não contém os itens corretos.

Visão do aprovado

Família Medway, algumas dicas importantes:

  • Memorizem os grupos de alto risco: história familiar positiva, afrodescendentes e mutação BRCA;
  • Atenção às pegadinhas sobre rastreamento universal – as diretrizes atuais enfatizam a decisão compartilhada e individualizada;
  • O conceito de vigilância ativa é fundamental – nem todo câncer precisa ser tratado imediatamente.
  • Relacionem este tema com outros conceitos de oncologia, como rastreamento do câncer de mama e cólon, onde também trabalhamos com grupos de risco e decisão compartilhada.

Esta questão é muito representativa do tipo de abordagem que as bancas adoram: misturar conceitos básicos com atualizações das diretrizes. Mantenham-se sempre atualizados!

Bora pra cima!!!


2 – Questão 6 HPP-PR 2025 | R1

Homem de 55 anos vai ao urologista para consulta de rotina. Durante exame físico apresentou ao toque retal próstata de 35 g e palpação em um nódulo á esquerda. PSA total = 1,4ng/dl. A conduta mais adequada para este caso é:

A) Realizar ultrassonografia transretal com biópsias.

B) Repetir PSA em 60 dias.

C) Solicitar ressonância magnética com bobina endorretal.

D) Solicitar tomografia de pelve com contraste.

Gabarito: A

Resolução 

O caso apresenta um homem de 55 anos em consulta urológica de rotina, com achado importante ao toque retal: próstata de 35g com nódulo à esquerda, associado a PSA total de 1,4ng/dl. 

Os pacientes podem chegar ao diagnóstico da neoplasia de próstata por dois caminhos: um rastreio positivo ou a presença de sintomas – que não são tão comuns como nas hiperplasias benignas. 

Nesses pacientes, além da anamnese em busca de fatores de risco e sintomas (alterações urinárias, hematúria, hematospermia ou, em casos de metástases, dores ósseas, fraturas patológicas e radiculopatias por lesões na coluna) é importante um exame físico direcionado, com avaliação abdominal e toque retal.

O toque traz informações que já podem sugerir malignidade:

  • a consistência da próstata: endurecida ou pétrea
  • assimetria de lobos
  • nodulações

Qualquer uma dessas características indica a necessidade de biópsia independente do PSA. 

Sobre as indicações de biópsia relacionadas ao PSA temos:

  • < 60 anos: se PSAt> 2,5 ng/mL
  • 60 anos ou mais: se PSAt > 4,0 ng/mL. Se o PSAt estiver entre 2,5 e 4,0, realizamos o refinamento:
  • PSAl/PSAt < 15%
  • densidade do PSA (PSAt/ Peso da próstata estimado no US) > 0,15
  • velocidade de crescimento anual do PSA > 0,75 ng/mL/ano

Atualmente, a Sociedade Americana (AUA) e a Sociedade Europeia de Urologia (EAU) recomendam a realização de uma RM de próstata antes da biópsia, para avaliar o acometimento e direcionar melhor a biópsia. 

Essa conduta já é seguida pela Sociedade Brasileira de Urologia e tende a aparecer nas provas. Mas atenção: essa conduta é complementar, não dispensando a biópsia nos casos indicados. 

Alternativa A

Correta. A realização de ultrassonografia transretal com biópsias é a conduta adequada diante de um toque retal alterado com nódulo. A presença de nodulação, endurecimento ou assimetria são indicações absolutas de biópsia, independentemente do valor do PSA. 

A ultrassonografia transretal permite a visualização adequada da próstata e a coleta de material de múltiplos quadrantes (geralmente 12-14 fragmentos), sendo o método padrão para confirmação diagnóstica.

Alternativa B

Incorreta. O achado do toque retal (nódulo) já indica necessidade de investigação imediata, mesmo com PSA normal.

Alternativa C

Incorreta. Perceba que a questão pede a conduta mais adequada para o caso. Embora a ressonância magnética com bobina endorretal seja um exame útil no estadiamento e auxilie o direcionamento da biópsia, ela não é a principal conduta nesse momento. 

O paciente já apresenta uma nodulação e tem indicação clara de biópsia para confirmação diagnóstica. 

Alternativa D

Incorreta. A TC de com contraste não é o exame de escolha para investigação inicial de nódulo prostático. Nesse caso, temos que realizar a biópsia para confirmação diagnóstica.

Visão do aprovado

Este é um caso clássico que testa o conhecimento sobre as indicações absolutas de biópsia prostática.

A principal “pegadinha” está no valor normal do PSA, que tenta induzir o candidato a optar por uma conduta expectante. Lembre-se sempre: toque retal alterado (nódulo, endurecimento ou assimetria) é indicação de biópsia independentemente do PSA. 

Cerca de 20% das neoplasias de próstata podem se apresentar com PSA normal, reforçando a importância do toque retal no rastreamento desta patologia.

3 – Questão 98 AMP-PR 2025 | R1

O câncer de próstata é o câncer mais comum diagnosticado em homens e o terceiro câncer mais comum diagnosticado nos EUA. É um adenocarcinoma e surge das estruturas glandulares dentro do parênquima prostático. Em relação a este tema, analise as assertivas abaixo.

I) A triagem de rotina não é recomendada rotineiramente em homens com idade entre 40 e 54 anos e em homens com mais de 70 anos ou menos de 40 anos.

II) O câncer de próstata é diagnosticado histologicamente pelo sistema de classificação de Gleason, que avalia o nível de anormalidade nos padrões da arquitetura glandular da próstata em comparação ao normal.

III) O exame digital da próstata é opcional na primeira consulta de rastreamento, pois a ecografia de próstata via abdominal pode identificar nódulos suspeitos.

IV) Pacientes que têm um nível de PSA total elevado ou achados anormais no exame de toque retal ou ambos devem ser submetidos à biopsia guiada por ultrassonografia transretal da próstata.

V) A tomografia computadorizada da pelve com contraste endovenoso visa avaliar a próstata em casos duvidosos de PSA aumentado.

Estão corretas as assertivas

A) apenas a I, II e IV.

B) apenas a I, IV e V.

C) apenas as II, III e IV.

D) apenas as III, IV e V.

E) todas estão corretas.

Gabarito: A

Resolução 

Esta questão aborda aspectos fundamentais do rastreamento, diagnóstico e avaliação do câncer de próstata.

Vamos primeiro analisar as assertivas.

  • Assertiva I: Correta. A recomendação de rastreamento do câncer de próstata varia com a idade. Em homens entre 40 e 54 anos com risco médio, geralmente não é indicado o rastreamento rotineiro, assim como para homens com mais de 70 anos. Em homens com fatores de risco elevados, como histórico familiar, o rastreamento pode ser considerado mais precocemente.
  • Assertiva II: Correta. O sistema de Gleason é amplamente utilizado na avaliação histológica do câncer de próstata, baseado na arquitetura glandular. Essa classificação é essencial para o prognóstico e direciona a abordagem terapêutica.
  • Assertiva III: Incorreta. O exame digital da próstata (toque retal) é recomendado como parte do rastreamento inicial e não deve ser considerado opcional. A ecografia transabdominal tem limitações e não substitui o toque retal, que é essencial para identificar nódulos e alterações na consistência da glândula.
  • Assertiva IV: Correta. A presença de PSA elevado ou alterações no toque retal indica a necessidade de investigação adicional, geralmente com biópsia prostática guiada por ultrassonografia transretal, para confirmação diagnóstica.
  • Assertiva V: Incorreta. A tomografia computadorizada (TC) da pelve não é o exame de escolha para avaliar a próstata em casos de PSA elevado. O exame mais adequado para avaliação inicial é a ressonância magnética multiparamétrica, que fornece melhores informações sobre a extensão e agressividade do tumor.

O rastreamento do câncer de próstata é feito para detectar a doença em estágios iniciais, quando é mais tratável. No entanto, o rastreamento do câncer de próstata é controverso, pois envolve possíveis benefícios e riscos.

Os principais exames de rastreamento do câncer de próstata são o PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque retal.

  • PSA: O PSA é uma proteína produzida pela próstata. Níveis elevados de PSA no sangue podem indicar câncer de próstata, mas também podem ser causados por outras condições benignas, como hiperplasia prostática benigna (HPB) e prostatite. A interpretação do PSA deve considerar a idade do paciente, histórico familiar e fatores de risco.
  • Toque Retal: O exame de toque retal permite ao médico avaliar o tamanho, a forma e a consistência da próstata. Alterações suspeitas, como nódulos ou endurecimento, são indicativos de câncer e justificam uma investigação mais aprofundada.

Primeiro temos que entender quando devemos fazer o rastreamento de próstata nos pacientes e com quais ferramentas.

E as indicações variam de acordo com as Diretrizes:

  • Ministério da Saúde: Não recomenda o rastreamento sistemático para o câncer de próstata, devendo o médico alertar o paciente sobre os potenciais malefícios da prática.
  • Sociedade Brasileira de Urologia: recomenda iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos para todos os homens; para indivíduos de raça negra ou com história familiar de câncer de próstata, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos.

Como métodos, o que é indicado é a utilização do toque retal e a dosagem de PSA total e livre. 

Então depois de rastrear os pacientes assintomáticos com o toque retal e o valor do PSA precisamos realizar a  estratificação do risco de câncer de próstata. Esse paciente tem chance de ter um câncer? É essencial para decidir quais pacientes necessitam de biópsia e/ou vigilância mais rigorosa.

E como fica a estratificação de risco de câncer de próstata?

A interpretação da tabela de estratificação de risco é essencial para direcionar o manejo do paciente com suspeita de câncer de próstata.

Ao combinar os valores de PSA, características do toque retal, resultados de exames de imagem, e achados genéticos e histológicos, poderemos avaliar o risco do paciente de forma mais precisa. 

Pacientes de baixo risco podem ser monitorados com vigilância ativa, enquanto pacientes de alto risco podem necessitar de biópsia e tratamento mais intensivo.

E como vamos seguir esses pacientes? 

  • Baixo Risco: Vigilância regular com acompanhamento do PSA e toque retal.
  • Risco Intermediário: Considerar ressonância multiparamétrica e/ou densidade do PSA para melhor avaliação.
  • Alto Risco: Indicação de biópsia prostática, e em alguns casos, avaliação genética adicional (ex.: BRCA) se houver forte histórico familiar.

Então quando indicaremos a biópsia?

  • Toque retal com suspeita de neoplasia: endurecimento, assimetria e nodulação suspeita.
  • PSA acima de 2,5 ng/mL vamos individualizar pela idade do paciente (existe uma tabela) e pelo tamanho da próstata.
  • Pacientes abaixo de 60 anos: biópsia se PSA > 2,5 ng/mL
  • Pacientes acima de 60 anos: biópsia se PSA > 4,0 ng/mL; REFINAMENTO se PSA entre 2,5 e 4,0 ng/mL

Refinamento:

  • PSA/PSAt < 15%: é a divisão da Fração Livre do PSA pelo PSA total. Quanto menos livre, ou mais ligado à alfa-1-antiquimiotripsina, mais associado à neoplasia.
  • Densidade de PSA > 0,15: é a divisão do PSA pelo peso estimado da próstata (feito pelo US). Quanto mais densa, mais provável de estar relacionada à neoplasia.
  • Velocidade de crescimento > 0,75 ng/mL/ano sugere neoplasia.

A biópsia geralmente é realizada por via transretal, com auxílio da ultrassonografia (US) ou, até mesmo, com fusão de imagens auxiliado pela ressonância magnética (RM). A RM direciona a biópsia para o ponto em que há o nódulo ou alteração prostática.

Serão extraídas amostras em seis quadrantes prostáticos, totalizando um total de 12 a 14 peças.

Alternativa A

Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras, uma vez que a assertiva III está incorreta ao sugerir que o toque retal é opcional, e a assertiva V está incorreta ao indicar a TC como exame preferencial para avaliação da próstata em casos suspeitos.

Alternativa B

Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras, uma vez que a assertiva III está incorreta ao sugerir que o toque retal é opcional, e a assertiva V está incorreta ao indicar a TC como exame preferencial para avaliação da próstata em casos suspeitos.

Alternativa C

Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras, uma vez que a assertiva III está incorreta ao sugerir que o toque retal é opcional, e a assertiva V está incorreta ao indicar a TC como exame preferencial para avaliação da próstata em casos suspeitos.

Alternativa D

Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras, uma vez que a assertiva III está incorreta ao sugerir que o toque retal é opcional, e a assertiva V está incorreta ao indicar a TC como exame preferencial para avaliação da próstata em casos suspeitos.

Alternativa E

Apenas as assertivas I, II e IV são verdadeiras, uma vez que a assertiva III está incorreta ao sugerir que o toque retal é opcional, e a assertiva V está incorreta ao indicar a TC como exame preferencial para avaliação da próstata em casos suspeitos.

Visão do aprovado

Para questões de rastreamento de câncer de próstata, lembrem-se de que o toque retal é essencial e complementar ao PSA. Em casos de PSA elevado, a ressonância magnética é preferível à TC para avaliação mais detalhada da próstata.

4 – Questão 12 UFES 2025 | R1 

Paciente de 60 anos procura urologista para consulta de rastreamento de câncer de próstata. Traz exames solicitados pelo clínico geral com PSA 6,0 ng/dL e próstata de 25 g ao ultrassom. Assinale a alternativa correta na avaliação e condução do caso.

A) A densidade do PSA de 0,24 é um forte preditor de câncer de próstata.

B) A ressonância magnética multiparamétrica de próstata ajuda na condução do caso, mas possui baixo valor preditivo negativo.

C) A relação do PSA livre/total com valor alto (acima de 20%) é fator preditor de câncer de próstata.

D) A pesquisa de mutação somática do gene BRCA deve ser realizada.

Gabarito: A

Resolução 

Pessoal, questão interessante sobre o rastreamento de câncer de próstata, que envolve o uso de PSA e outros métodos complementares para a estratificação do risco. Esse paciente tem 60 anos, um PSA de 6,0 ng/dL e próstata de 25 g no ultrassom, dados que nos levam a considerar algumas informações importantes na condução do caso.

Primeiro temos que entender quando devemos fazer o rastreamento de próstata nos pacientes e com quais ferramentas.

E as indicações variam de acordo com as Diretrizes:

  • Ministério da Saúde: Não recomenda o rastreamento sistemático para o câncer de próstata, devendo o médico alertar o paciente sobre os potenciais malefícios da prática.
  • Sociedade Brasileira de Urologia:

Recomenda iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos para todos os homens.

Para indivíduos de raça negra ou com história familiar de câncer de próstata, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos.

Como métodos, o que é indicado é a utilização do toque retal e a dosagem de PSA total e livre. 

Então depois de rastrear os pacientes assintomáticos com o toque retal e o valor do PSA precisamos realizar a  estratificação do risco de câncer de próstata. Esse paciente tem chance de ter um câncer? É essencial para decidir quais pacientes necessitam de biópsia e/ou vigilância mais rigorosa.

E como fica a estratificação de risco de câncer de próstata?

A interpretação da tabela de estratificação de risco é essencial para direcionar o manejo do paciente com suspeita de câncer de próstata. 

Ao combinar os valores de PSA, características do toque retal, resultados de exames de imagem, e achados genéticos e histológicos, poderemos avaliar o risco do paciente de forma mais precisa. 

Pacientes de baixo risco podem ser monitorados com vigilância ativa, enquanto pacientes de alto risco podem necessitar de biópsia e tratamento mais intensivo.

E como vamos seguir esses pacientes? 

  • Baixo Risco: Vigilância regular com acompanhamento do PSA e toque retal.
  • Risco Intermediário: Considerar ressonância multiparamétrica e/ou densidade do PSA para melhor avaliação.
  • Alto Risco: Indicação de biópsia prostática, e em alguns casos, avaliação genética adicional (ex.: BRCA) se houver forte histórico familiar.

Então quando indicaremos a biópsia?

  • Toque retal com suspeita de neoplasia: endurecimento, assimetria e nodulação suspeita.
  • PSA acima de 2,5 ng/mL vamos individualizar pela idade do paciente (existe uma tabela) e pelo tamanho da próstata.
  • Pacientes abaixo de 60 anos: biópsia se PSA > 2,5 ng/mL
  • Pacientes acima de 60 anos: biópsia se PSA > 4,0 ng/mL; REFINAMENTO se PSA entre 2,5 e 4,0 ng/mL

Refinamento:

  • PSA/PSAt < 15%: é a divisão da Fração Livre do PSA pelo PSA total. Quanto menos livre, ou mais ligado à alfa-1-antiquimiotripsina, mais associado à neoplasia.
  • Densidade de PSA > 0,15: é a divisão do PSA pelo peso estimado da próstata (feito pelo US). Quanto mais densa, mais provável de estar relacionada à neoplasia.
  • Velocidade de crescimento > 0,75 ng/mL/ano sugere neoplasia.

A biópsia geralmente é realizada por via transretal, com auxílio da ultrassonografia (US) ou, até mesmo, com fusão de imagens auxiliado pela ressonância magnética (RM). A RM direciona a biópsia para o ponto em que há o nódulo ou alteração prostática.

Serão extraídas amostras em seis quadrantes prostáticos, totalizando um total de 12 a 14 peças.

Alternativa A

A densidade do PSA é calculada dividindo o valor do PSA pelo volume da próstata. Neste caso, 6,0 ng/dL dividido por 25 g resulta em uma densidade de 0,24, o que é considerado elevado e um fator preditor de maior risco para câncer de próstata. 

A densidade do PSA é um parâmetro útil, especialmente em casos de PSA intermediário, como este. 

Temos alguns estudos que demonstram que a densidade do antígeno prostático específico é o melhor preditor para o câncer de próstata em pacientes com níveis de PSA entre 2,5 e 20,0 ng/mL, então por isso neste caso com um PSA de 6 e uma densidade de PSA > 0,15 entendemos que essa é a resposta correta. 

Alternativa B

A ressonância magnética multiparamétrica é um excelente exame complementar para avaliar lesões suspeitas na próstata, especialmente quando o PSA está elevado. 

Ela possui um bom valor preditivo negativo, ou seja, se não mostra lesões suspeitas, o risco de câncer é baixo, o que auxilia na decisão de realizar ou não a biópsia.

Alternativa C

Na verdade, um valor alto de PSA livre/total (acima de 20%) está associado a um menor risco de câncer de próstata, enquanto valores mais baixos (abaixo de 15-20%) aumentam a suspeita de malignidade.

Alternativa D

A pesquisa de mutação do gene BRCA é indicada para casos de câncer de próstata com alto risco familiar ou em pacientes com histórico familiar de câncer de mama e ovário. Neste caso, não há indicação clara para realizar esse exame.

Visão do aprovado

Fiquem atentos para o cálculo da densidade do PSA, que é uma ferramenta importante para estratificar o risco de câncer de próstata, especialmente em pacientes com PSA intermediário e próstata de tamanho normal ou reduzido. 

Além disso, lembrar que a ressonância multiparamétrica tem um bom valor preditivo negativo, e que a relação PSA livre/total é inversamente proporcional ao risco de câncer.

5 – Questão 18 Unicamp 2023 | R1

Homem, 76a, foi submetido à biopsia prostática por apresentar toque retal com próstata de 50g, com área endurecida no lobo direito, e PSA total=5,6ng/dL. Anatomopatológico: adenocarcinoma de próstata Gleason 3.3, em 2/20 fragmentos. A proporção de tumor nas lâminas foi de 10% e 20%, em cada fragmento. A MELHOR CONDUTA PARA ESSE PACIENTE É:

Gabarito/CT (Questão discursiva)


Resolução 

A questão aborda um tema super-frequente em provas de residência: o manejo do câncer de próstata de baixo risco.

Temos um paciente idoso de 76 anos que apresentou alterações no toque retal (próstata aumentada com área endurecida) e PSA de 5,6 ng/dL. Após a biópsia, foi diagnosticado com adenocarcinoma de próstata Gleason 3+3 (total 6) em apenas 2 de 20 fragmentos, com baixa proporção tumoral (10% e 20%).

A questão quer saber qual a melhor conduta frente a este caso.

O gabarito aponta para a vigilância ativa como melhor conduta. E faz todo sentido! Estamos diante de um câncer de próstata de baixo risco, caracterizado por:

  • PSA < 10 ng/dL
  • Gleason 6 (3+3), ou seja, ISUP 1
  • Baixa carga tumoral (poucos fragmentos positivos)

A vigilância ativa é uma estratégia de acompanhamento rigorosa e programada, que difere do simples acompanhamento passivo. Ela permite oferecer tratamento curativo apenas se/quando o tumor evoluir para formas mais agressivas. 

Isso é especialmente importante pois muitos cânceres de próstata de baixo risco têm evolução lenta e podem nunca causar problemas significativos durante a vida do paciente.

O protocolo de vigilância ativa geralmente inclui:

  • PSA semestral
  • Toque retal anual
  • Possibilidade de biópsias de seguimento
  • Eventualmente, exames de imagem (como a ressonância)

É fundamental esclarecer ao paciente que isso não é abandono de tratamento – é uma estratégia ativa que visa evitar o sobretratamento e suas complicações (como incontinência e disfunção erétil), mantendo a possibilidade de intervenção caso necessário.

Visão do aprovado

Para acertar questões como esta, você precisa ter em mente os critérios claros para vigilância ativa:

  • PSA < 10 ng/dL
  • Gleason ≤ 6 (ISUP 1)
  • Estágio clínico ≤ T2a

O material da questão menciona algo importante: “o número e porcentagem de fragmento acometido vem caindo por terra”, ou seja, esses fatores estão perdendo importância na decisão de vigilância ativa, priorizando-se o PSA, o escore de Gleason e o estágio clínico.

Cuidado com a possível confusão entre vigilância ativa e watchful waiting:

  • Vigilância ativa: para pacientes com expectativa de vida >10 anos, visa adiar tratamento definitivo até necessário, com monitoramento rigoroso (PSA semestral, toque retal anual, possíveis biópsias de seguimento)
  • Watchful waiting: para pacientes com expectativa de vida <10 anos, visa apenas o controle de sintomas quando surgirem, sem intenção curativa, com exames apenas se sintomas aparecerem

Uma armadilha comum é achar que, por ser idoso (76 anos), o paciente deveria automaticamente ir para watchful waiting. Mas a idade cronológica, isoladamente, não determina a conduta. 

A condição geral do paciente e sua expectativa de vida são mais importantes que apenas o número da idade.

Conecte este tema com outras abordagens do câncer de próstata: prostatectomia radical e radioterapia são alternativas para cânceres de baixo risco, mas têm maior potencial de complicações como incontinência urinária e disfunção erétil.

Para fixar: BAG6 – Baixo risco é Ative surveillance se Gleason é 6.

O que achou dessas questões? 

E aí, o que achou dessas questões? Ao revisitar essas cinco questões comentadas sobre o câncer de próstata sob a luz do Novembro Azul, esperamos que você não apenas fixe os principais conceitos para a prova, mas também internalize o valor da prevenção e da vigilância. 

Como futuro residente ou especialista, sua atuação vai além da terapia: ela começa pelo olhar atento aos fatores de risco, pela orientação de pacientes e pela promoção de hábitos saudáveis.

Essas e outras questões estão no nosso ultrabanco de questões comentadas, presente nos nossos Extensivos. Faça o teste grátis e conheça na prática os recursos que levaram a mais de 13.000 aprovações em todo o país! 

Marina Viana

Marina Viana

Professora da Medway. Formada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, com Residência em Cirurgia Geral pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Residência em Urologia pela mesma instituição e Residência em Reprodução Humana pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).