O que é Pediatria: saiba tudo sobre essa especialidade

Criança não é um adulto em miniatura. E por conta dessa afirmação e dos altos índices de mortalidade infantil, lá no século 19, o Rio de Janeiro desponta como pioneiro na especialização em Pediatria na Policlínica Geral do Rio – antes disso, apesar das muitas enfermidades que acometem esse público, não havia profissionais para cuidar particularmente de crianças. E com essa especialização vinha outra reflexão: criança não é tudo igual!

Logo, a Pediatria não se tornou apenas mais uma especialidade médica, mas uma área da medicina com objetivo de auxiliar a família no processo de construção da saúde infantil. E muitos pacientes diferentes são assistidos pelo pediatra. E cada um deles tem suas especificidades e prevalências: o neonato é um paciente, o lactente é outro, a criança em idade escolar é outro. Sem deixar passar ainda que há os adolescentes, por muitas vezes esquecidos!

Bora lá então saber mais sobre essa que é a especialidade médica que envolve muito amor, empatia e vocação: a Pediatria!

O que é a Pediatria?

Indo direto ao ponto, a Pediatria é a área da Medicina que trata desde o concepto até o adolescente. Mas duvido que é só isso que você quer saber, não é? Por isso, a gente conversou com a Joana Rezende, pediatra formada pela UFRJ e professora aqui da Medway, pra entender mais sobre essa especialidade e, de cara, ela já disse:

“Costumo dizer que a Pediatria não é só uma especialidade porque nós lidamos com vários pacientes diferentes de uma vez só”.

Ela explica que cada uma das faixas etárias têm doenças mais prevalentes e cuidados específicos que o pediatra deve ter amplo conhecimento.

Além de ser a uma das especialidades médicas mais buscadas, a Pediatria é desafiadora e exige estudo contínuo para tratar as enfermidades características da primeira infância e adolescência, e muita sensibilidade para lidar com a família nas ações preventivas e curativas, bem como nas orientações que vão desde o aleitamento materno, alimentação, vacinas até a indicação de outros especialistas como oftalmologistas e ortopedistas, por exemplo, quando se fizer necessário para restabelecer saúde do paciente.

“Eu considero a Pediatria tão linda porque não é apenas da criança que você trata. A família sempre vem junto, e ela pode ser uma enorme aliada no processo de construção da saúde infantil.”

A compensação é maior! Um sorriso largo, um abraço apertado, olhinhos brilhantes e cheios de curiosidade te acompanhando atentamente enquanto você usa o estetoscópio ou o otoscópio para examinar, ou ainda ter um lindo desenho seu pra botar na geladeira e se lembrar todo dia de manhã de que você é aquele médico que vai ajudar, durante sua trajetória profissional, centenas de crianças a se desenvolverem com saúde e qualidade de vida. Isso é gratificante!

O que faz o Pediatra?

O pediatra é o médico que vai cuidar de todo e qualquer processo, inicial ou não, tanto de diagnóstico e quanto de condutas, que envolvam a saúde de bebês, crianças e adolescentes, buscando a melhor forma de tratar o pequeno paciente e orientar seus responsáveis.

O pediatra é um generalista, é como se fosse um “ clínico médico infantil”, que pode acompanhar desde bem pequenino o desenvolvimento da criança e, certamente, vai criar vínculos emocionais com ele e sua família. E essa é uma das maiores recompensas do trabalho desse profissional: atendimentos cheios de carinho e alegria; uma reconexão do médico com seu passado de criança ou adolescente que vai se refletir em cada assistência prestada.

Sabe quando a gente comentou que a Pediatria pode ser desafiadora? Não se trata apenas da dedicação aos estudos e estágios durante a residência médica. Os pediatras são conhecidos por trabalharem bastante durante toda a vida! São muitos plantões e algumas chamadas no meio da noite – afinal de contas criança não escolhe horário pra ficar doente ou sofrer acidentes domésticos, não é mesmo?

Imagem ilustrativa da relação do pediatra com a criança.

Algumas coisas ainda pairam no imaginário coletivo dos que sonham em fazer a residência médica em Pediatria: o seu telefone que vai tocar dia e noite com pais ansiosos e mil perguntas que não parecem importantes! Bom, já adianto pra você que isso é mito. Quando a família é bem orientada é uma minoria que vai fazer isso! Também é mito aquela ideia de que você precisa ser sempre “meigo” e “fofinho”? Esqueça. Seja atencioso. Isso basta!

É claro que a relação com família ou cuidadores do pequeno paciente nem sempre vai ser um mar de rosas, muitas vezes, motivados pela emoção ou estresse, ela pode se tornar desgastante. Mas tudo isso vai depender do seu equilíbrio emocional e da forma como você vai lidar com isso tudo. A superação dessa dificuldade vem por meio do entendimento mais acertado sobre o seu papel como médico e o treinamento das habilidades necessárias pra se sair bem de situações conflitantes e inusitadas! 

E se esse argumento já é válido pra te fazer brilhar os olhos e encarar essa área, se prepara porque a gente já te disse que não seria moleza: os atendimentos são bem diversificados. Nos postos de saúde pública, majoritariamente, as consultas mais comuns envolvem vacinação, atraso puberal, enfermidades respiratórias, asmas e rinites alérgicas, crises febris, viroses e doenças exantemáticas.

Nos pronto-socorros, os atendimentos de urgência e emergência acontecem principalmente por conta da sazonalidade: a famigerada bronquiolite viral aguda vai ser comum, além das gastroenterites, otites, faringoamigdalites e um tanto mais de doenças que atacam as crianças nos meses de inverno. E prepare-se para se surpreender, vez ou outra, com a ingestão de corpos estranhos ou a introdução de objetos esdrúxulos no nariz! Criança tem dessas coisas!

Além dos ambulatórios e pronto-socorros, o médico Pediatra também pode atuar em consultórios e clínicas particulares, centros de terapia intensiva ou enfermaria dos hospitais como plantonista. Mas, de modo geral, a maioria das assistências prestadas se concentra em casos de baixa complexidade que não oferecem risco imediato à vida da criança.

Subespecialidades da Pediatria

Para atuar em áreas mais específicas da Pediatria é necessário, além da formação inicial na residência médica de acesso direto, com duração de 3 anos, você vai precisar de mais alguns treinamentos e estudos em serviços especializados por um período que pode variar de 1 até 3 anos a depender do campo médico escolhido.

E são muitas as opções de subespecialidades ligadas a esta área da medicina: Oncologia Pediátrica, Cirurgia Pediátrica, Cardiologia Pediátrica, Endocrinologia Pediátrica, Pneumologia Pediátrica, Neurologia Pediátrica, Gastroenterologia Pediátrica, Infectologia Pediátrica, Medicina Intensiva Pediátrica, Nefrologia Pediátrica, Nutrologia Pediátrica, UTI Pediátrica, Neonatologia, Hebiatria, Hematologia e Hemoterapia Pediátrica.

Quais são as características fundamentais de um médico pediatra?

Como a Joana contou pra gente, as principais características que um bom médico pediatra tem que ter (ou desenvolver) são: paciência, empatia, segurança e confiança no seu trabalho, ser observador e, claro, gostar de crianças!

“Tem que ter paciência com as crianças, que choram e às vezes não te deixam examinar, e com a família, que por vezes vai ser insistente e demandar uma atenção grande. Ouço muito que tal pessoa ‘não seria pediatra porque não aguentaria a família’, porém, já se colocou no lugar de uma mãe com um filho doente? Por isso empatia é importante. Ao mesmo tempo, é preciso ter segurança e confiança no seu trabalho, de forma a tranquilizar a família, e ser observador, pois a criança muitas vezes não vai ser capaz de falar o que está sentindo”

Acha que essa é sua praia? Continua meio indeciso? Fica calmo! A Joana também não tinha em mente fazer Pediatria desde sempre. Olha só o que ela contou pra gente:

“Eu sempre quis fazer Neurologia ao longo da faculdade. Gostava do exame clínico minucioso, das doenças desafiadoras… Até eu conhecer a Pediatria. Nesse momento, descobri uma outra medicina. Uma em que os pacientes são desafiadores por si só, mas também cheios de carinho, cheios de vida, alegres. A energia que eu sinto atendendo uma criança, lactente, ou até adolescente é diferente. Para conectar com eles, é preciso voltar no tempo e lembrar como você era nessa época. Descobri que eu gostava e era boa nisso; desde então, me apaixonei pela especialidade que, além disso tudo, tem a questão de ser generalista, como uma Clínica Médica de pequenos, que me agrada muito”.

Como é a rotina e o mercado de trabalho do especialista em Pediatria?

A rotina de trabalho do médico pediatra resulta muito de suas escolhas, tempo de experiência e também depende parcialmente da subespecialidade. Aqueles que optam por Medicina Intensiva Pediátrica, UTI Pediátrica ou Neonatologia, por exemplo, têm muito mais chances de trabalhar quase que exclusivamente em regime de plantão do que outros.

Para os recém-formados, cada vez mais está difícil dar plantão em UTI Pediátrica por causa do aumento de especialistas da área. Abrir um consultório próprio é uma possibilidade, mas geralmente é um caminho mais longo e que necessita de investimento e análise de mercado. No entanto, os atendimentos ambulatoriais em clínicas populares estão ficando mais frequentes e abre campo para o especialista em início de carreira.

Fachada do Pronto-Socorro Pediátrico (PSP) da Unesp, vista que será comum aos que escolherem a residência em Pediatria de lá.
Fachada do Pronto-Socorro Pediátrico (PSP) da Unesp (Créditos: Unesp/Reprodução)

É imprescindível ter em mente que todo começo pode ser difícil, que plantões serão necessários não apenas pelos rendimentos mas também para que uma boa reputação seja construída no hospital.

Pra quem gosta de tudo bem planejadinho, já pensar na subespecialidade abre oportunidades: há a possibilidade de trabalhar com exames complementares, como é o  exemplo de Cardiologistas Pediátricos que podem realizar ecocardiograma infantil, de Neurologistas especializados em eletroencefalograma nas unidades hospitalares, o caso também dos médicos pareceristas, interconsultas, o médico de rotina da enfermaria ou UTI e muitas outras. A área da Pediatria é muito ampla e quase sem delimitação restrita. O céu é o limite! 

Mas é aquela coisa: tudo vai depender do local de atuação, se a instituição é pública ou privada, da demanda de pacientes, da região do país, do nível de experiência que o médico tem, enfim, são vários os fatores que podem incorrer na rotina do médico pediatra, que na maior parte das vezes se dedica mesmo é a Pediatria Geral. E são inúmeros também os fatores que influenciam nos ganhos mensais do médico pediatra.

Quanto ganha um pediatra?

E por falar nisso, vamos ao cofrinho! Um Médico Pediatra tem salário, em média, de R$ 7.638,14 no mercado de trabalho brasileiro para uma jornada de trabalho de 21 horas semanais, de acordo com pesquisa de 2020 do site salario.com.br junto a dados oficiais do Novo CAGED, e-Social e Empregador Web com um total de 297 salários de profissionais admitidos e desligados pelas empresas.

Obviamente, os rendimentos podem ultrapassar esse valor. A Joana explicou que é difícil estabelecer um valor fechado, mesmo porque isso depende muito do estado em que você vai trabalhar. O sul e o sudeste são os estados brasileiros com maior projeção salarial.

“Se você vive de plantões, a média do plantão de 12h na Pediatria varia de 1.200 a 1.800 reais. Geralmente paga melhor do que na Clínica Médica. Aí basta multiplicar pelo tanto de plantão que você quer dar. Com um consultório bem estabelecido, o céu é o limite. Acho que um salário em torno de R$ 25.000 para um médico com algum tempo no mercado é perfeitamente alcançável”

Além disso, são muitas as possibilidades de melhorar os rendimentos: atuando na área de educação médica, associando-se a planos de saúde ou dividindo consultórios com parceiros já reconhecidos no mercado. O médico Pediatra também pode seguir a carreira militar ou trabalhar em áreas administrativas, seja desenvolvendo ações preventivas, efetuando palestras educativas ou criando programas de saúde pública.

A residência médica em Pediatria

A residência médica em Pediatria está entre as mais buscadas pelos médicos recém-formados porque é uma especialidade de acesso direto, ou seja, é necessário apenas que o candidato tenha concluído a graduação em medicina para ingressar.

O programa de residência médica em Pediatria tem duração de 3 anos e, nesse período, os residentes têm uma rotina de estudos teóricos focada na puericultura e estágios em ambulatórios, enfermarias, UTIs e pronto-socorros, numa jornada de trabalho semanal prevista em 60 horas, sendo 40 delas direcionadas às atividades de rotina e 20 horas de plantão, com pós-plantão e descanso. Claro que isso varia de instituição para instituição, como você pode ver aqui e aqui

Além disso durante a residência, os médicos residentes em sistema de rodízio, rodam seus estágios em Neonatologia, no Centro Obstétrico, na Enfermaria de Pediatria, nos Ambulatórios de Puericultura, nas Unidades de Terapia Intensiva, nos ambulatórios de Especialidades Médica e nos Serviços de Urgência e Emergência. A rotina costuma ser puxada! Pode se preparar para ver um pouco de tudo.

“Na residência em Pediatria, aprendemos muito o que é o ‘normal’ para as crianças e o que é o patológico, vivemos situações dramáticas com crianças graves. Aprendi o suficiente de cada especialidade para ser uma boa “clínica geral” das criancinhas”

Qual é o melhor programa de residência em Pediatria?

Com tantas opções de boas instituições para fazer a residência em Pediatria, afinal, qual é a que vai te dar a melhor formação? A resposta é só uma: isso vai depender de você e dos seus objetivos. Dá uma olhada no que a Joana disse sobre como ela tomou essa decisão:

“Queria poder estar em um hospital universitário, com uma residência sólida, tanto em pronto-socorro, quanto em UTI e ambulatório, e que me desse uma boa base de puericultura, mas também das especialidades. A UFRJ era a residência mais completa do Rio de Janeiro e com excelente corpo humano, além da ampla variedade de casos, tanto em volume quanto em diferentes doenças, que eu atenderia. O fato de ser um hospital referência fez muita diferença na minha formação”.

Se seu objetivo é fazer residência em Pediatria em São Paulo, vale a pena ficar de olho aqui no nosso blog, onde temos falado sobre como é fazer residência nas mais diferentes especialidades, incluindo Pediatria, nas principais instituições de SP!

Você também pode fazer uma especialização!

Se você deseja se especializar na área de Pediatria, mas não sabe qual é o investimento para concretizar essa vontade, calma lá! A gente reuniu informações sobre essa forma de pós-graduação!

A pós-graduação em Pediatria é feita por meio de cursos reconhecidos pelo MEC (Ministério da Educação), com duração de 1 a 2 anos, na grande maioria deles. Quanto aos preços das mensalidades, gasta-se em torno de R$ 900,00, podendo aumentar ou diminuir esse valor de acordo com a instituição escolhida.

E, para finalizar, a Joana quer deixar um último recado:

“Já vi muita gente se frustrar na Pediatria porque gostava de crianças – mas das crianças saudáveis. A Pediatria pode ser uma especialidade difícil e, por vezes, triste. Se pergunte antes de traçar esse caminho: você também sabe lidar com os pacientinhos doentes? Para mim, a maior mágica está justamente aí: a alegria de um tratamento bem feito é ainda maior quando a criança se recupera, e o abraço é muito mais gostoso”

Gostou de saber mais sobre a Pediatria?

Depois dessa leitura, você já deve estar se imaginando atendendo os pequeninos! Já decidiu que esse é o caminho que você quer seguir? Já sabe onde vai fazer sua residência em Pediatria? Então é hora de correr atrás do seu sonho! Você pode começar essa jornada aqui com a gente, estudando do jeito certo e com o direcionamento que você precisa para chegar no fim do ano mandando bem em todas as provas!

E não importa se você escolheu USP, Unifesp, IAMSPE ou qualquer outra instituição de renome: é fundamental se preparar corretamente, tanto para a prova teórica quanto para a prova prática e para a entrevista. Isso aumenta as suas chances de ser aprovado e, enfim, conseguir a posição desejada no programa.

E se você vai começar a se preparar para encarar a prova de residência médica, sugiro dar uma olhada no nosso e-book gratuito Os 15 bloqueios que te impedem de ser aprovado na residência para já começar com o pé direito, já vencendo os bloqueios mentais que atrapalham seus estudos e te impedem de ser aprovado na residência médica dos seus sonhos!

Na Academia Medway temos vários outros materiais gratuitos pra você se preparar do jeito certo: guias estatísticos, ebooks, aulas grátis… é só começar!

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AlexandreRemor

Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.