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Placenta Prévia Total: tudo que você precisa saber

Fala, pessoal! Tudo em cima? A realidade é que se você clicou neste post, está mais preocupado por estar “tudo embaixo” na gestante, né? Afinal, hoje vamos falar um pouco sobre Placenta Prévia Total e tudo que todos queríamos é que essa placenta estivesse lá em cima, no lugarzinho predestinado para ela. Mas, piadinhas à parte, espero que se você leu até aqui, continue com a gente para sair manjando deste assunto, fechou?

O que é placenta prévia total?

E para introduzirmos este tema, precisamos saber o que é exatamente esta patologia. A Placenta Prévia é aquela que se implanta total ou parcialmente no segmento inferior do útero, ou seja, sobre o orifício interno do colo uterino após 28 semanas. No nosso caso em específico, o nome vem do recobrimento total. Aqui é importante não confundirmos com outro diagnóstico: placenta de inserção baixa, que é quando somente a borda placentária se insere no segmento inferior do útero, não chegando a atingir o orifício interno e se localiza em um raio de 2 cm de distância dessa estrutura.

Diferença entre placenta prévia total e placenta de inserção baixa
Diferença entre placenta prévia total e placenta de inserção baixa. Fonte: Zugaib Obstetrícia – 3ª Ed.

Diagnóstico

Beleza, já sei o que é, mas como eu vou fazer o diagnóstico? Geralmente, a gestante vai apresentar queixa de sangramento progressivo, reincidente, espontâneo, tipicamente vermelho vivo, indolor, com ausência de sofrimento fetal agudo e de hipertonia uterina. Sua suspeita deve ser ainda maior se tiver algum dos fatores de risco:

  • Idade acima de 35 anos
  • Tabagismo
  • Gemelaridade
  • Antecedente de placenta pŕevia
  • Multiparidade
  • Cesárea e/ou curetagem prévias

História coletada com estes comemorativos deve te acender uma luz vermelha se a mulher estiver na segunda metade da gestação e você nunca, nunca, nunca deve proceder com o toque vaginal. Não queremos causar ainda mais sangramento, certo? Então o que você deve fazer é: exame especular, observar como é este sangramento, se ainda está ativo ou não, analisar tônus uterino e dinâmica uterina. Por fim, se a suspeita permanecer, encaminhar esta grávida para o ultrassom

A ultrassonografia transvaginal vai ser nosso padrão ouro para diagnóstico de placenta prévia, mas deve levar em conta alguns cuidados: não introduzir o transdutor mais que 3 centímetros e ele não deve tocar o colo. Ainda que seja um pouco menos seguro que a ultrassonografia por via abdominal, ele apresenta um menor número de falsos positivos, então será nossa escolha. Na ultrassonografia transvaginal será identificado então o tecido placentário recobrindo o orifício interno, nos dando a localização correta da placenta, como nesta imagem:

Diagnóstico de placenta prévia através da ultrassonografia transvaginal
Ultrassonografia transvaginal indicando placenta prévia. Fonte: Tratado de Obstetrícia – FEBRASGO.

Tratamento da placenta prévia total

Diagnóstico feito, temos que saber qual a conduta. E no caso de placenta prévia total não tem galinhagem, você só deve se atentar à alguns fatores

Intensidade do sangramento e idade gestacional

Se a mãe está em instabilidade hemodinâmica, como qualquer outra instabilidade, não podemos nos esquecer da administração de cristalóides ou hemoderivados à depender da necessidade. A partir de então, a gestação deve ser interrompida independente da idade gestacional, pois enquanto não retirada esta placenta a gestante continuará sangrando e, conforme o tempo passa, o sangue fetal também começa a ser sequestrado, levando ao sofrimento fetal agudo. Caótico, né? Não vamos deixar a mulher chegar a este ponto.

Agora, se a gestante apresenta sangramento escasso, estável hemodinamicamente, podemos ter uma conduta expectante. Internar essa mulher, observar o sangramento e fazer corticoterapia caso tenha idade gestacional entre 25 e 34 semanas, programando a cesárea para 37 semanas, pois quanto mais tempo a placenta permanecer, maior o risco de sangrar. E veja bem, está escrito cesárea, não há outra escolha neste caso. Placenta prévia total é indicação absoluta de cesárea.

Vale lembrar que uma conduta expectante bem indicada associada ao parto cesáreo é o fator mais importante de diminuição significativa da mortalidade materna e mortalidade neonatal em casos de placenta prévia nas últimas décadas. Isto porque a morbimortalidade materna por placenta prévia está intimamente relacionada com a hemorragia que é provocada por ela, depois temos complicações do parto, complicações anestésicas, necessidade de transfusão e infecções, isto é, temos que estar blindados e com as condutas corretas na ponta da língua.

Outro fator importante de associação é o risco aumentado não só de placenta prévia, como de hemorragias mais graves quando ela se faz presente em mulheres com cesáreas anteriores, sendo exponencial quanto maior o número delas. Juntando com o fato que no Brasil chegamos a uma incidência de cerca de 45% de cesáreas, precisamos ficar bem atentos. Antenas ligadas e conduta tomada, podemos respirar um pouco mais tranquilos e a gestante também.

É isso!

E agora? Se receber uma gestante com este tipo de sangramento, vai saber conduzir? Espero que sim, que este artigo tenha te ajudado a manter a calma e seguir em frente. Bom, agora que você está mais informado sobre a placenta prévia total, temos uma dica pra você. Confira mais conteúdos de Medicina de Emergência na Academia Medway. Por lá disponibilizamos diversos ebooks e minicursos completamente gratuitos! Por exemplo, o nosso ebook sobre o que você precisa saber antes de dar plantão em um lugar novo ou o nosso minicurso Semana da Emergência são ótimas opções pra você estar preparado para qualquer plantão no país.

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Abraço, meus queridos. Tamo junto!

*Colaborou Thais Borges Rodrigues, aluna da faculdade UNISA

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.