3 dicas para se dar bem na entrevista de residência médica

Em 2015, durante uma manhã de domingo ensolarada, fiz minha primeira prova prática e entrevista de residência médica (nesta prova em específico, a 2ª e 3ª fases do processo seletivo eram no mesmo dia, com a entrevista de residência médica logo após a prova). Estava muito nervoso. Era a primeira vez que eu enfrentava um concurso “pra valer”. Além disso, eu tinha recebido poucas dicas sobre como seria aquele exame. Me sentia totalmente desorientado. Já esteve no mesmo lugar que eu?

Nesse post, quero compartilhar a minha primeira experiência com a prova prática e a entrevista de residência médica — com mais foco nessa última —, bem como os aprendizados que tirei dessa experiência. Quem sabe não te ajudo na sua próxima entrevista, hein?

Vem comigo!

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Antes da entrevista de residência médica, a prova prática

Em minha primeira estação da prática, como me lembro bem, era uma questão de doença inflamatória pélvica em mulher jovem. “Beleza!”, pensei, logo que vi o caso — afinal, era um tema que eu achava que dominava.

A entrevista de residência médica não havia nem começado e eu já me sentia como essa estátua
A entrevista de residência médica não havia nem começado e eu já me sentia como essa estátua…

E teria sido mesmo “beleza” se eu soubesse que era necessário pedir uma ultrassonografia pélvica, e que o resultado dos exames seriam apresentados a mim assim que solicitados. Também teria sido “beleza” se eu tivesse feito o diagnóstico de um abscesso tubo-ovariano antes de dar alta para a paciente. Logo, não foi beleza nenhuma, como você deve imaginar!

Eram apenas 3 estações nessa prova. E eu fiquei tão nervoso que, na estação seguinte, sobre consulta de rotina, não soube nem o que perguntar e acabei zerando a questão inteira.

Terminada a parte prática, hora da entrevista

Moçada, não vou mentir: a espera em frente à sala da entrevista foi uma completa tortura. Eu me sentia uma completa fraude naquele momento.

“O que você fez pra ser classificado pra segunda fase sendo tão burro?”, era o que eu pensava. Além disso, minha sensação de impotência me fazia fantasiar com as mais diversas reações da banca. Isto é, já imaginava que o motivo para a demora toda para ser chamado à entrevista de residência médica era por causa dos meus péssimos resultados nas estações práticas. Afinal, se analisassem meu desempenho na etapa anterior, eu com certeza seria diagnosticado como um idiota. “E merecidamente”, pensava eu.

Mas, por fim, fui chamado à sala.

Ao entrar, me deparei com uma banca de apenas dois médicos jovens. Eles eram tão carismáticos que, ainda hoje, considero a entrevista mais leve de todas que fiz até hoje.

Elogiaram estágios que eu tinha feito, me fizeram perguntas sobre meu currículo e até algumas pessoais, mas nada que me complicasse. De tão nervoso que estava, não consigo nem lembrar o que foi perguntado. Tudo o que saía de mim era um discurso monossilábico de “sims” e “nãos”.

Se você estava esperando por um final feliz para essa pequena história, sinto muito, mas o resultado não poderia ser outro: caí de primeiro lugar na 1ª fase do concurso, com 90% de acertos, para desclassificado. Minha entrevista teve uma série de defeitos. 

É aqui que entram os aprendizados mencionados ao começo do texto. Decidido que nunca mais passaria por uma situação daquelas — e definitivamente não quero que você precise passar pela mesma coisa, então vou compartilhar com você o que aprendi, pois acredito que elas também podem te beneficiar.

Bora lá?

1) Preparação para a entrevista de residência médica

É tão importante se preparar para a entrevista de residência médica quanto para outras etapas do processo seletivo!
É tão importante se preparar para a entrevista de residência médica quanto para outras etapas do processo seletivo!

Para todas as fases do processo seletivo, seja prova teórica ou prática, existe uma preparação específica. Com a entrevista não é diferente. Se você não se preparar adequadamente, outro candidato vai.

Tome a dianteira com os itens a seguir:

Conheça a instituição

Um ponto importantíssimo é conhecer a fundo a instituição para a qual você está prestando prova. O ideal é ter algum contato dentro desta instituição específica — preferencialmente um residente da especialidade que você quer fazer — para te informar sobre as peculiaridades do serviço, pontos positivos e negativos. Aqui no blog, nós temos diversos posts em que entrevistamos residentes de tudo quanto é especialidade, em várias instituições. Você pode conferir, por exemplo, a entrevista que fizemos com o Gabriel e a Ana, ambos do segundo ano de Clínica Médica na USP-SP. Se gostar do texto, é só buscar pela especialidade que você deseja na instituição com a qual você sonha. Provavelmente, teremos alguma coisa sobre!

Conhecer as características de cada residência não é bobeira: seus chefes gostam e querem saber que você prestou prova para a instituição deles porque se identificou com o serviço, e não somente porque foi a única em que você passou pra próxima fase. Na verdade, esse é um ponto que deveria ser levantado antes mesmo de se decidir por prestar prova naquela instituição.

Prepare respostas

Há uma série de perguntas comuns a quase todas as entrevistas de residência médica. Pessoalmente, sugiro que você prepare respostas para elas, evitando que o nervosismo atrapalhe na hora.

Isso não significa decorar suas falas. Por diversas vezes na a faculdade, durante os seminários a serem apresentados durante as aulas, eu via colegas memorizando palavra por palavra das suas apresentações. Isso, claro, era feito com o intuito de não errar e manter a apresentação o mais uniforme possível, mas acaba só dando um ar de artificialidade e torna tudo aquilo maçante.

E, confie em mim, você não quer parecer artificial ou maçante para seu futuro chefe.

Uma das perguntas mais comuns na entrevista é: “por que a especialidade e a instituição?”. Como já dito acima, essa questão é muito recorrente e importante. Prepare o seu porquê. Agora, um dos questionamentos que mais gera inquietação nos candidatos é sobre qualidades e defeitos. Vamos nos aprofundar um pouco nisso, então. 

Como pensar em qualidades e defeitos para a entrevista de residência médica?

Prepare 3 de cada, para garantir. Pense o seguinte: a banca simplesmente quer te conhecer um pouco mais. O melhor é que você consiga se expressar da forma mais natural e honesta possível. Para as qualidades, foque nas suas habilidades que te fazem sentir mais seguro. Trabalhe nisso, pois com certeza elas existem. 

E tome cuidado com “defeitos” que na verdade são qualidades ou não dizem nada, como perfeccionismo, pontualidade etc. Parta do princípio que todos têm pontos a melhorar e seja sincero em relação aos seus. Escolha algo que considera um defeito em você e cite, ressaltando o que tem feito para superar essa condição.

Evite, no entanto, dizer coisas que podem te prejudicar ou desclassificar — não vá falar que geralmente está atrasado e que odeia hierarquia. Usar o bom senso é a chave no momento de expressar seus defeitos na entrevista. 

2)Trabalhe na sua postura

Felizmente ou infelizmente, a verdade é que o ser humano, por natureza, julga o livro pela capa.

Assim como um livro bom com capa feia dificilmente te chamará a atenção em uma livraria, se você não tiver uma postura adequada para se apresentar, a banca também não te dará muita atenção. O papo aqui é: aceite a realidade, em vez de brigar com ela.

Vestuário adequado

Não adianta ir de calça jeans e camiseta na entrevista de residência médica e pedir para ser levado a sério. Assim como você provavelmente não levará o seu entrevistador a sério se ele estiver de bermuda e chinelos. As entrevistas são ocasiões que demandam um traje social. Não tem nenhum mistério, somente vista-se de acordo.

Desenvoltura

Como já comentado anteriormente, é ruim ter uma apresentação engessada, parecendo que você decorou todas as palavras, ou seja, apresentar requer desenvoltura e tente parecer o mais natural possível. Mesmo que você já vá com tudo o que tem que falar na cabeça, tente ser você mesmo falando, e não um robô!

Além disso, a calma, simpatia e o bom humor são outros elementos que podem encantar a sua banca e trazê-la para o seu lado. Como já dizia a citação: “sorria e o mundo sorrirá com você. Chore, e você chorará sozinho”.

Leveza

entrevista de residência médica

Em vez de ficar paranoico nos minutos antes de ser chamado à entrevista, fazendo previsões sobre as possíveis situações em que você pode ser colocado, explore esse momento conversando com outros colegas que também querem manter a calma! Aproveite para fazer networking com seus futuros colegas de profissão e dialogar sobre assuntos que não a entrevista de residência médica que vocês estão prestes a fazer.

3) A importância do currículo na entrevista de residência médica

Curriculum Vitae para Entrevista de Residência Médica

Deixei esse ponto por último de propósito, para que você note a quantidade de itens que são necessários antes da preparação do currículo.

Insisto que você vá à fundo nos pontos acima. Se você quiser se aprofundar, preparamos um ebook gratuito sobre o assunto: “O Currículo Padrão-Ouro para as Provas de Residência Médica”. 

Mas, é claro, como o currículo também tem sua importância e — teoricamente — vale mais da metade da nota da entrevista, vamos a ele.

Preparação

Assim como a sua apresentação pessoal, você deverá apresentar o currículo de acordo. Mostre que se empenhou para montar o melhor currículo para aquela banca. Preste atenção em itens essenciais:

  • Encadernação (preferencialmente capa dura)
  • Índice na primeira página
  • Boa legibilidade e organização

Conteúdo

Você pode colocar uma grande quantidade de coisas no seu currículo, mas isso não é necessário. Não caia no mito de “quanto maior o currículo, melhor”. Com nossa experiência, te garanto, ninguém vai ler tudo que você fez durante a faculdade. Se ler, é improvável que se interesse.

Portanto, use a seguinte estratégia: prepare um resumo — assim como o feito na plataforma Lattes — e grife os pontos mais importantes. Isto é, os que você quer que sejam abordados durante a entrevista de Residência Médica. Há, ainda, muitos outros complementos que você pode inserir no seu currículo, que discutimos em nosso post sobre os 12 itens que vão turbinar o seu currículo. Confere lá!

Defesa: como se comportar em uma entrevista de residência?

Geralmente, a banca irá te perguntar sobre pontos específicos do seu currículo.

Para que saiba lidar com isso da melhor maneira, fique atento a 3 pontos importantes:

  • Conheça seu currículo: não coloque nada nele que você não saiba explicar detalhadamente, tanto para não perder pontos em desenvoltura quanto para não parecer que está mentindo sobre algo;
  • Enalteça suas qualidades: se você tem boas publicações ou teve algum cargo importante durante a faculdade, ou mesmo tem um emprego após formado que se orgulhe de falar, foque nisso! Como dito na estratégia acima, grife os melhores pontos em seu resumo e deixe que a banca os traga para a entrevista. Assim você não arrisca deixar uma impressão de soberba por querer enaltecer a si próprio;
  • Tente passar desapercebido pelos seus defeitos: todo mundo tem defeitos que podem vir à tona na entrevista. Mesmo aquele seu amigo com publicação no NEJM (New England Journal of Medicine), 3 PIBICs (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) feitos e 2 estágios no exterior. Então, fale apenas de seus pontos bons do currículo. Não fale que “infelizmente não tem nenhuma publicação” e também não deixe a entrevista de residência médica muito solta. Mas também, claro, não minta sobre o que você não tem.

É isso, moçada! Mais confiante em relação à entrevista de residência médica?

Você pode ter chegado até aqui achando trabalhoso demais fazer tudo isso para uma fase do concurso que vale apenas 10% da nota. No entanto, pense nas situações seguintes pelas quais você pode passar:

  • Nota 7 na prova teórica + 7 na prática + 10 na entrevista = 7,3 (nota final)
  • Mesmas provas teórica e prática, mas com 6 na entrevista = 6,9

Quantos candidatos você acha que estarão entre a nota 6,9 e 7,3? Pense nisso!

Pra cima, moçada!

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AlexandreRemor

Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.