O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar um teste rápido para diagnóstico de dengue capaz de identificar a infecção ainda nos primeiros dias de sintomas. A incorporação foi publicada nesta quinta-feira (26) no Diário Oficial da União e permite ampliar o acesso ao exame na rede pública.
Até então, o SUS contava majoritariamente com exames que dependiam da resposta imunológica do organismo, como sorologias, que costumam positivar apenas a partir do quinto dia de sintomas. Agora, com a introdução do teste de antígeno NS1, torna-se possível diagnosticar a doença de forma mais precoce.
Com a inclusão, o exame entra na tabela nacional de procedimentos do SUS, o que viabiliza seu registro, financiamento e uso regular em diferentes pontos de atenção, como unidades básicas de saúde, ambulatórios e hospitais.
A oferta será realizada de forma progressiva, conforme a organização dos serviços e atualização dos sistemas, com expectativa de incorporação especialmente em períodos de maior circulação da dengue.
O exame incorporado é o teste de antígeno NS1, que detecta uma proteína específica do vírus da dengue presente no sangue logo no início da infecção.
Diferentemente de métodos baseados na produção de anticorpos, o NS1 permite identificar o vírus já nos primeiros dias de febre, tipicamente entre o primeiro e o quinto dia de sintomas, janela em que apresenta maior sensibilidade.
Na prática, isso resolve um dos maiores desafios do diagnóstico da dengue: confirmar casos na fase inicial, quando os sintomas ainda são inespecíficos.
O teste é feito a partir de uma amostra de sangue e utiliza tecnologia de imunocromatografia, semelhante à de outros testes rápidos já utilizados na prática clínica.
Após a coleta, o material é colocado em um dispositivo que reage à presença do antígeno viral. O resultado pode ser obtido em poucos minutos.
Por sua simplicidade e rapidez, o exame pode ser realizado em diferentes níveis de atendimento, incluindo a atenção básica.
A dengue pode se manifestar inicialmente com sintomas inespecíficos, como febre alta, dor no corpo e mal-estar, semelhantes aos de outras infecções virais.
A identificação precoce da doença contribui para orientar o acompanhamento do paciente, especialmente na detecção de sinais de agravamento, como queda de plaquetas e risco de formas graves, incluindo dengue hemorrágica.
Além disso, o diagnóstico mais ágil também favorece a vigilância epidemiológica, permitindo o monitoramento mais preciso da circulação do vírus.
De acordo com a norma, o teste pode ser solicitado por diferentes profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e biomédicos, e está indicado para pessoas de todas as idades.
O exame poderá ser realizado tanto em unidades básicas quanto em serviços hospitalares, sem custo direto para o paciente.
Aqui entra o ponto mais importante. O NS1 é um teste precoce, mas isso não significa que ele exclui a dengue quando negativo.
Mas o principal conceito cobrado em prova é outro:
Em cenários de alta probabilidade pré-teste, como:
o valor preditivo negativo (VPN) diminui. Ou seja: Um NS1 negativo não exclui a dengue.
Por outro lado, o inverso também é verdadeiro:
Em outras palavras: se o NS1 vier negativo, mas o paciente tem alta probabilidade de dengue, mantenha o manejo conforme protocolo.
Nesses casos, é melhor pecar pelo excesso, com acompanhamento e estratificação de risco, do que negligenciar um quadro potencialmente grave.
Para se manter atualizado sobre as principais novidades médicas, continue acompanhando nosso blog!
Professor da Medway. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com Residência em Clínica Médica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Siga no Instagram: @djondamedway