5 questões de Neonatologia comentadas

Você já deve estar careca de ouvir o que temos a dizer sobre a eficácia do estudo por questões quando o assunto é preparação para a residência médica. É aquele papo: para quem quer aprimorar memorização de conteúdos e ganho de expertise sobre as provas das diferentes instituições, essa é a estratégia certa. Pensando nisso, hoje trouxemos 5 questões de Neonatologia comentadas pra você testar seu conhecimento e ainda receber aquela mãozinha pra qualquer dúvida que surgir. 

Antes de continuar a leitura, temos um recado bastante importante pra você, que quer turbinar os estudos para a residência médica. A semana do R1 São Paulo oferece vários conteúdos gratuitos que vão dar um gás na sua preparação. 

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Agora, vem conferir as 5 questões que separamos pra você! 

Questão 1

Unesp 2020 – RN de 36 semanas de idade gestacional, parto cesáreo por indicação materna. Apgar de 5–7 no primeiro e quinto minutos. Após os procedimentos habituais de reanimação, com 15 minutos de vida, apresenta desconforto respiratório caracterizado por gemência, batimento de asa nasal, tiragem intercostal e retração diafragmática. A saturação de oxigênio pré-ductal é de 91% com FC 110 bpm e FR 80 irpm. A conduta mais adequada é:

A. iniciar oferta de oxigênio por via inalatória.

B. administrar surfactante exógeno nas primeiras duas horas de vida.

C. indicar suporte respiratório com pressão contínua nas vias aéreas (CPAP).

D. realizar VPP com balão e máscara com FR de 40-60 irpm.

Comentário

Questão muito parecida com outras que já caíram também na Unesp! Vamos definir o diagnóstico a partir da história e da clínica do paciente, para então decidir pela melhor forma de tratamento.

O RN tem múltiplos fatores de risco para taquipneia transitória do RN, como cesárea eletiva, prematuridade limítrofe e, o mais frequente e clássico, a taquipneia. O tratamento é de suporte, sendo CPAP a melhor forma de oferecer oxigênio para esse paciente visto o grave comprometimento respiratório que ele apresenta.

A. Incorreta. A melhor forma de ofertar O2 nesse caso é CPAP.

B. Incorreta. O uso de surfactante pode ser considerado na Síndrome do Desconforto Respiratório ou Membrana Hialina, e não na TTRN.

C. Correta. Vide explicação acima.

D. Incorreta. A VPP é usada na reanimação neonatal, não em casos de desconforto respiratório minutos após o nascimento.

Visão do aprovado: questão fácil, depois que você entendeu qual o diagnóstico do RN. Sabendo dos fatores de risco não dá para errar. Aqui vale revisar o tema sempre comparando as diferentes hipóteses diagnósticas de desconforto respiratório do RN.

Nível de dificuldade: fácil

Gabarito: C

Questão 2

Unicamp 2021 – Recém-nascido de 41 semanas de idade gestacional, com líquido amniótico meconial, nasce chorando, com tônus muscular em flexão, boa vitalidade.

Os procedimentos a serem realizados durante a recepção desse recém-nascido são:

A. Clampeamento do cordão umbilical entre 1 e 3 minutos, contato imediato pele a pele com a mãe, não realizar aspiração de vias aéreas superiores.

B. Clampeamento do cordão umbilical antes de 1 minuto, contato imediato pele a pele com a mãe, não realizar aspiração de vias aéreas superiores.

C. Clampeamento do cordão umbilical entre 1 e 3 minutos, adiar o contato pele a pele com a mãe para realizar aspiração de vias aéreas superiores.

D. Clampeamento do cordão umbilical antes de 1 minuto, adiar o contato pele a pele com a mãe para realizar aspiração de vias aéreas superiores.

Comentário

Galera, reanimação neonatal sempre cai. Vamos relembrar: assim que o recém-nascido nasce, temos que avaliar três coisas: 1. Se é termo; 2. Se chora ou tem respiração regular; e 3. Se tem bom tônus.

O recém-nascido da questão é termo (IG 41 semanas), nasceu com bom tônus e choro forte. O que devemos fazer então? Aguardar e realizar o clampeamento tardio, após 1–3 minutos! E depois? Como recém-nascido está bem, devemos colocá-lo em contato pele a pele imediatamente com a mãe! 

Nessa questão a banca quis te pegar: disse que havia líquido amniótico meconial (LAM). O que isso quer dizer para nós agora nesse momento da reanimação neonatal? NADA! Até 2015 a recomendação era clampear precocemente na presença de LAM e realizar aspiração traqueal imediatamente. Maaas, há mais de 5 anos a recomendação não é mais essa! 

A. Correta. Isso mesmo! Nosso recém-nascido nasceu bem e, assim, podemos aguardar o clampeamento tardio do cordão umbilical e proporcionar o contato pele-a-pele com a mãe na primeira hora de vida. 

B. Incorreta. Como vimos, não há indicação de clampeamento imediato ou antes de 1 minuto de vida do paciente. 

C. Incorreta. Como o recém-nascido está bem, não tem porque adiar o contato pele-a-pele com a mãe para aspirar vias aéreas superiores. Lembrem-se: a aspiração de vias aéreas superiores deve ser realizada somente SE NECESSÁRIO. E, nesse caso, não há necessidade.

D. Incorreta. Errada e errada: não tem porque não aguardar o clampeamento tardio nem porque aspirar esse recém-nascido.

Visão do aprovado: bastava aqui saber o início do fluxograma de reanimação neonatal! Como nós sempre dizemos: neonatologia é toda organizada em fluxogramas, não tem para onde fugir. 

Nível de dificuldade: fácil

Gabarito: A

Questão 3

USP-SP 2021 – Recém-nascido (RN) do sexo feminino, nascido de termo, com peso adequado para a idade gestacional, está no 8º dia de vida. O parto foi vaginal e com extração difícil. O RN nasceu hipotônico e em apneia, sendo necessário intubação orotraqueal em sala de parto. A mãe tem 27 anos de idade, era previamente hígida e não teve intercorrências no pré-natal. O RN permaneceu 5 dias em UTI, e atualmente está na Unidade de Cuidados Intermediários, recebendo ampicilina e amicacina para tratamento de sepse neonatal precoce presumida. Recebe dieta por sonda nasogástrica devido a sucção débil, e está em treinamento com a equipe de fonoaudiologia. Neste momento, apresenta quadro súbito de movimentos ritmados de mãos e pés, com hipertonia, cianose, eversão do olhar e sialorreia. A equipe responsável pelo cuidado instala monitorização contínua e inicia oferta de oxigênio a 100%. A glicemia capilar é de 72 mg/dL. 

Com a manutenção do quadro apresentado, está indicada a prescrição imediata de:

A. Soro glicosado a 10% em bolus.

B. Dose de ataque de fenobarbital.

C. Reposição empírica com gluconato de cálcio.

D. Midazolam ou diazepam em bolus.

Comentário

A questão nos traz um recém-nascido termo no 8º dia de vida que permaneceu por 5 dias em UTI e agora está na Unidade de Cuidados Intermediários tratando uma sepse neonatal precoce presumida. É descrito um quadro súbito de movimentos ritmados de mãos e pés, com hipertonia, cianose, eversão do olhar e sialorréia. No que podemos traduzir isso? O paciente está convulsionando. Mesmo após medidas iniciais (monitorização contínua, oferta de oxigênio a 100% e glicemia capilar adequada), o recém-nascido manteve o quadro descrito. Então o que deve ser feito? Anticonvulsivante. E qual o anticonvulsivante de escolha no período neonatal? O fenobarbital. 

A. Incorreta. A questão já nos fala que o paciente está com glicemia adequada. Logo, hipoglicemia não é a causa desse quadro convulsivo e, portanto, não há necessidade de correção glicêmica rápida.

B. Correta. Isso mesmo: deve ser feita a dose de ataque de fenobarbital.

C. Incorreta. Nada a ver! Não há nada que nos indique que esse paciente tem uma hipocalcemia e a reposição empírica com gluconato de cálcio com certeza não é a primeira medida de estabilização a ser realizada em um paciente com quadro epiléptico. 

D. Incorreta. O uso de benzodiazepínicos não é a primeira escolha em crises epilépticas em recém-nascidos! Na verdade, essa classe de medicamento é evitada nessa população devido aos seus potenciais efeitos adversos.

Visão do aprovado: memorize: crise epiléptica em recém-nascido é igual a fenobarbital!

Nível de dificuldade: moderada

Gabarito: B

Questão 4

Unifesp 2021 – Um recém-nascido apresenta o resultado FAS no exame de triagem neonatal para hemoglobinopatias. Qual é o diagnóstico?

A. Traço falciforme.

B. Sβ+ talassemia.

C. Anemia falciforme.

D. Hemoglobinopatia SC.

Comentário

Pessoal, questão bem direta sobre teste do pezinho: ela nos pede para interpretarmos um resultado FAS para hemoglobinopatias. Vamos lá: interpretando essa sopa de letrinhas → primeira letra é a hemoglobina em maior concentração, segunda letra é a hemoglobina em concentração menor que a anterior, beleza?

Perfis mais comuns de hemoglobina em recém-nascidos a termo e sua interpretação genotípica
Perfil de hemoglobinaPossibilidades genotípicas
FAIndivíduo AA (normal) ou mutações raras
FASTraço falciforme (AS)
FACPortador de hemoglobina C
FADPortador de hemoglobina D*
FSCHemoglobinopatia SC
FSDHemoglobinopatia SD*
FSAProvável S/β* – talassemia
FS**Anemia falciforme (SS)
S/β0 – talassemia
S/Persistência hereditária de hemoglobina fetal
FF (apenas Hb fetal)β0 – talassemia (talassemia maior) ou, raramente, persistência de hemoglobina fetal em homozigose
* HbD refere-se a um grupo de hemoglobinas que se posicionam, na focalização isoelétrica, imediatamente à esquerda da HbS, isto é, em posição catódica em relação à HbS. A hemoglobina D que causa doença falciforme, quando em dupla heterozigose com a HbS, é apenas a Hb D-Punjab (ou D-Los Angeles). Sua identificação requer uso de métodos moleculares.
** O fenótipo FS significa, na grande maioria dos casos, anemia falciforme (SS). Para identificar as duas outras possibilidades, são necessários métodos moleculares. Pode-se suspeitar de S/β0 – talassemia mais tarde (seis a doze meses de idade) se o volume corpuscular médio (VCM) e/ou hemoglobina corpuscular média (HCM) forem baixos. A investigação dos pais pode ajudar no diagnóstico de S/β0 – talassemia e de S/PHHF.

A. Correta. É isso, FAS significa traço falciforme, pois é o recém nascido que tem mais HbA do que HbS.

B. Incorreta. Sbeta+talassemia apareceria como FSA, pois temos hemoglobina S e HbA presentes.

C. Incorreta. Anemia falciforme aparece como FS (lembrando que anemia falciforme = SS).

D. Incorreta. Hemoglobinopatia SC aparece como FSC na mesma linha de raciocínio.

Visão do aprovado: essa questão é um pouco mais aprofundada em relação ao perfil de hemoglobina e a possibilidade genotípica dos nossos pacientes. O bom é que se soubéssemos os dois tipos de alterações que mais aparecem, conseguimos acertar a questão. Então memorize: FAS = traço falciforme e FS = provável anemia falciforme. E se pensarmos na explicação acima da interpretação do teste do pezinho associado aos tipos de hemoglobina em maior quantidade no paciente, fica mais fácil de memorizar, beleza?

Nível de dificuldade: moderada

Gabarito: A

IAMSPE 2019 – Recém-nascido com 6 horas de vida apresenta icterícia zona II leve. Ele nasceu de parto normal, com idade gestacional de 35 semanas e 3/7, devido pré-eclâmpsia. O Apgar foi 7 e 8. A tipagem sanguínea da mãe é B negativo e a do bebê é A positivo. A principal hipótese para a icterícia é

A. Fisiológica.

B. Por incompatibilidade ABO.

C. Por incompatibilidade Rh.

D. Devido à prematuridade.

E. Devido à anóxia neonatal.

Comentário

Vamos primeiro lembrar porque classificamos essa icterícia como patológica. Quando suspeitamos que a icterícia não é fisiológica?

  • Início nas primeiras 24 horas de vida (icterícia precoce);
  • Velocidade de acúmulo maior que 5 mg/dL/dia;
  • Nível elevado de bilirrubina (fisiológica é até 12 para recém-nascido a termo);
  • Zona de Kramer maior ou igual a 3 (BT > 12 – “passou do umbigo, sinal de perigo”);
  • Alterações clínicas (exemplo: hepatoesplenomegalia);
  • Icterícia persistente (maior que 2 semanas);
  • Sinais de colestase (acolia, colúria, aumento de bilirrubina direta).

Agora vamos às alternativas:

A. Incorreta. Já concluímos que essa icterícia é patológica.

B. Incorreta. Nesse caso, a mãe deveria ser do grupo O e o RN do grupo A ou B para justificar a clínica intensa. A possibilidade de incompatibilidade A / B é possível, mas de significado clínico muito baixo.

C. Correta. Mesmo não havendo relato de sensibilidade materna prévia, isso não exclui incompatibilidade Rh como nossa primeira hipótese.

D. Incorreta. Galerinha, o diagnóstico está gritando pra gente, sem essa de icterícia da prematuridade.

E. Incorreta. Apgar 7 e 8, não tem nada de anóxia aqui, concordam?

Visão do aprovado: icterícia neonatal é um assunto que despenca nas provas! Não vacila, irmão! No comentário da questão deixamos os pontos mais importantes que você deve saber sobre esse assunto. Dica: icterícia precoce normalmente é por incompatibilidade, então na prova fique atento aos exames referentes!

Nível de dificuldade: moderada

Gabarito: C

E aí, o que achou das questões de Neonatologia comentadas?

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É isso galera! Até a próxima!

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Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.