As 8 especialidades médicas com menos especialistas no Brasil

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Já fizemos um artigo falando sobre as oito especialidades médicas com mais especialistas no Brasil. Agora, vamos no sentido oposto; ou seja, falaremos sobre as oito especialidades médicas com menos especialistas no Brasil.

A partir do documento “Demografia Médica no Brasil 2023”, identificamos e exploramos quais são essas especialidades. Leia e confira. Elas podem ser um bom campo de atuação para você, menos concorridas e que podem suprir demandas não satisfeitas na área de saúde!

Como foram feitas as estatísticas sobre as especialidades médicas?

As áreas de atuação, derivadas ou relacionadas a determinada especialidade médica, não foram consideradas de forma separada no levantamento feito.

Além disso, a pesquisa não fez uso de dados de especializações obtidas por vias diferentes que não a residência médica ou o título de sociedade médica (cursos isolados de curta duração ou pós-graduação), que são incompatíveis com a emissão do título de especialista.

Afinal, quais são as 8 especialidades médicas com menos especialistas no Brasil?

Vamos mostrar as oito especialidades médicas com menos especialistas em nosso país. Elas somam apenas 1,7% de todos os especialistas. Vejamos quais são elas em ordem crescente:

1. Genética Médica

Foram registrados, em 2022, somente 407 profissionais, o equivalente a 0,1% do total de especialistas.

A Genética Médica diagnostica e trata pessoas que sofrem de doenças genéticas. Em sua maioria, o especialista trata doenças raras e pouco esclarecidas. Mas ela também trata doenças crônicas e congênitas.

O médico faz consultas, análises, exames, diagnósticos. Existem três classes de situações em que acontece o tratamento:

  • condições pré-concepcionais (idade avançada dos pais, pais com doenças genéticas, pais consanguíneos, histórico familiar, anormalidades na ultrassonografia, exposição a agentes danosos durante a gravidez);
  • condições pediátricas (malformações em geral, tumores durante a infância, assimetria do corpo, doenças de metabolismo, características corporais que saem do padrão, irregularidades no crescimento e na puberdade);
  • condições na idade adulta (transtornos intelectuais, defeitos congênitos, doenças neurológicas e neurodegenerativas, câncer).

A residência médica dura três anos. Em nosso país, boa parte da demanda, para o profissional, é ambulatorial. Destaca-se a área pediátrica, com orientação sobre Genética para casais que desejam ter filhos. Também pode fazer diagnósticos em unidades neonatais. O médico geneticista, vale observar, pode atuar em laboratórios e clínicas.

A remuneração média desse profissional é R$ 7.825,00, levando em conta 24 horas de trabalho por semana. Mas é possível acumular funções e, assim, aumentar o valor da remuneração.

2. Medicina de Emergência

A quantidade de médicos de emergência registrados no Brasil em 2022 foi de 779, o que corresponde a 0,2% do total de especialidades.

O médico de emergência dedica-se ao atendimento de pessoas que sofrem problemas que precisam de atendimento médico urgente. Na maior parte das vezes, são situações que não têm diagnóstico prévio e precisam de muito conhecimento e capacidade do profissional.

Apesar de sua importância, a Medicina de Emergência somente começou a ser reconhecida no país como uma especialidade médica em 2015. Esse é um dos motivos para que tenha poucos médicos especializados. Mas a tendência é que a demanda na área continue aumentando.

O período de residência dura três anos e envolve programas em diferentes setores da Medicina, como Cirurgia Geral, Ortopedia, Pediatria e outras.

O mercado de trabalho da Medicina de Emergência tem se destacado cada vez mais por causa do aumento da violência. Em 2020, ocorreu a maior quantidade de mortes violentas em todo o mundo: 70,2 mil mortos. Os atendimentos emergenciais nos postos de saúde e nos hospitais tendem a ficar sobrecarregados.

O salário de um profissional é, em média, de R$ 8.276,00 por 20 horas semanais. Mas pode chegar até R$ 13.864,00.

3. Radioterapia

Essa especialidade também é conhecida como Radio-Oncologia. É utilizada para usar radiação ionizante para tratar pessoas com câncer e neoplasias benignas.

Em 2022, havia 1.014 profissionais no país, o correspondente a 0,2% do total de especialistas do Brasil.

Mesmo que seja relevante na área de Oncologia, a Radioterapia ainda não é muito explorada nas universidades, e é menos explorada pelos estudantes.

O acesso à residência é direto e dura três anos. A rotina do profissional é caracterizada por consultas de ambulatório e de acompanhamento durante e depois do tratamento oncológico.

A rotina envolve assim discussões clínicas multidisciplinares e a efetivação de planejamentos de Radioterapia e de sessões de braquiterapia, em que o material radioativo fica em contato direto com o tumor.

A Radioterapia está ligada intensamente ao tratamento de câncer multidisciplinar, aos centros de alta complexidade. A maior parte desses serviços está no Sudeste e no Sul do Brasil, constituindo assim um mercado fechado.

Felizmente, há alguns anos, estamos percebendo o aparecimento de novos centros de radio-oncologia em grandes cidades do Centro-Oeste e do Nordeste. Dessa forma, já existem oportunidades de contratos de trabalho vantajosos nessas regiões, onde existem menos especialistas.

O especialista recebe em torno de R$ 6.621,00 e R$ 16.424,47, considerando o regime CLT. Mas alguns fatores podem influenciar no valor: carga horária, região do país e local de trabalho.

4. Medicina Física e Reabilitação

A Medicina Física e Reabilitação (Fisiatria) tinha 1.016 profissionais em 2022. Por isso, também é uma das especialidades médicas com menos especialistas, já que corresponde a somente 0,2% do total de especialistas.

O fisiatra é especializado em dor e em reabilitação física e atende pacientes em diferentes perfis: com danos, lesões e disfunções nos músculos e no esqueleto; com sequelas de patologias neurológicas; com lesões esportivas; com quadro de dores crônicas.

A residência médica nesta especialidade dura três anos. O residente acessa estudos teóricos e práticos com uma equipe multidisciplinar com larga experiência em reabilitação.

Depois da residência, o médico pode atuar tanto em clínicas privadas quanto em centros públicos de reabilitação  Ele também pode desenvolver atividades acadêmicas ou associadas a convênios médicos: escolas de postura, parecer para casos complexos, interconsulta em hospitais e outras.

Considerando uma jornada de trabalho de 20 horas semanais, a remuneração de um fisiatra fica em torno de R$ 9.628,94.

5. Medicina Nuclear

Em 2022, foram registrados 1.105 especialistas nessa área (0,2% do total). Essa especialidade faz uso de um conjunto de métodos e procedimentos não invasivos com produtos radioativos, cuja finalidade é terapêutica ou diagnóstica.

Diferente do que muitas pessoas acreditam, o número de radiofármacos usados é pequeno, e os procedimentos oferecem segurança. Não há efeitos danosos para o paciente, nem para o meio ambiente.

A residência médica em Medicina Nuclear dura três anos. Em algumas instituições de ensino, como a USP, é possível fazer o R4, com complementação especializada e possibilidade de fazer estágio em outro país. Uma vantagem é que não existe plantão noturno.

Levando em conta que não há muitos especialistas no Brasil, o mercado de trabalho pode ser promissor para quem pretende atuar na área.

O desenvolvimento tecnológico e das clínicas especializadas em diagnósticos, a procura tende a ser maior, mas sem muita programação, envolvendo o trabalho à noite, nos feriados e nos finais de semana.

A média de remuneração é de, aproximadamente, R$ 4 mil durante uma jornada de trabalho de 20 horas. A escassez de profissionais pode aumentar a jornada diária para 12 horas, o que representa ganhos maiores.

6. Cirurgia de Mão

O número de especialistas em Cirurgia de Mão alcançou, em 2022, 1.120 médicos, ou seja, 0,2% do total de especialistas do Brasil.

A Cirurgia de Mão envolve todo o membro, com seus 27 ossos, tendões e cartilagens. O especialista trata problemas que podem afetar as estruturas constitutivas da mão.

Ele pode, inclusive, realizar microcirurgia de nervos periféricos, reimplantes e cirurgias de retalhos. Alguns especialistas podem até fazer intervenções no braço e no cotovelo.

A duração da residência médica é de dois anos. Ao final dela, é necessário fazer uma prova da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão.

Ainda são poucos os hospitais da rede pública que contam com cirurgiões de mão, especialmente no norte do país, que apresenta somente 3,4% de todos os especialistas da área.

A média de remuneração do profissional fica em torno de R$ 11.675,00 durante 20 horas semanais, de acordo com a Federação Nacional dos Médicos.

7. Cirurgia Torácica

A quantidade de especialistas nessa área em 2022 foi de 1.268 profissionais, ou seja, um percentual de 0,3% do total de médicos especialistas do Brasil.

A Cirurgia Torácica cuida de problemas da caixa torácica recorrendo a intervenções comuns, orientadas por endoscopia ou por imagem (excetuando-se as cirurgias cardíacas, se forem eletivas).

A residência médica dura dois anos de Cirurgia Geral mais dois anos de Cirurgia Torácica, no mínimo. A rotina de um especialista é caracterizada principalmente por cirurgias eletivas em hospitais terciários e quaternários.

No Brasil, 50,6% dos profissionais estão na Região Sudeste, 15,5% trabalham no Nordeste, 22,6% atuam no Sul, 7,1% estão no Centro-Oeste e somente 4,2% se encontram na Região Norte, conforme a Demografia Médica do Brasil.

Concluída a residência, o médico recém-formado costuma ficar nos centros acadêmicos. A remuneração fica em torno de R$ 6.942,83 considerando uma jornada de trabalho de 32 horas semanais. O teto salarial é de, aproximadamente, R$ 15.350,73.

8. Medicina Esportiva

Finalmente, a oitava entre as especialidades médicas com menos especialistas no país é a Medicina Esportiva, com 1.291 profissionais em 2022 (0,3% de todos os especialistas).

A finalidade da Medicina Esportiva é analisar a influência das atividades físicas sobre pessoas doentes ou sadias. Desse modo, é possível realizar a prevenção, o tratamento e a reabilitação das dores crônicas, lesões e patologias diversas.

A residência médica está disponível em quatro universidades nacionais: USP, Unesp, Unifesp e UCS. O período é de três anos. O desenvolvimento do residente acontece por meio de prática e teorias, principalmente em ambulatórios. Posteriormente, ele começa a tratar lesões e a prescrever determinadas atividades específicas.

O mercado de trabalho é promissor. O Brasil é um país que valoriza bastante as diferentes modalidades esportivas. A remuneração média de um especialista recém-formado é de R$ 6 mil por mês. Já um profissional experimentado pode receber até R$ 17 mil.

Essas são as especialidades médicas com menos especialistas no Brasil

Agora você conhece quais são as especialidades médicas com menos especialistas no Brasil: Genética Médica, Medicina de Emergência, Radioterapia, Fisiatria, Medicina Nuclear, Cirurgia de Mão, Cirurgia Torácica e Medicina Esportiva. Elas representam um campo promissor para os profissionais de Medicina.

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar. Siga no Instagram: @joaovitorsfernando