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Como é a distribuição de médicos no território brasileiro?

A pesquisa Demografia Médica no Brasil 2020, elaborada em parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), traz uma série de informações interessantes e importantes para quem está na área da Medicina. Por meio dos tópicos e insights abordados, dá para ficar por dentro de como anda o mercado de trabalho e quais são as atuais demandas para a profissão nos dias de hoje, incluindo a distribuição de médicos no país.

Imagem ilustrativa de médicos
Qual a distribuição de médicos no Brasil?

Um dos tópicos mais importantes dessa pesquisa trata da distribuição de médicos no território brasileiro. Você já parou para pensar nisso em detalhes? Muitas vezes, ficamos tão concentrados no que está perto de nós que esquecemos de ter um olhar mais abrangente para a área médica no país. Podemos perder oportunidades de atuação, de trabalho e até mesmo de ações que ajudem a melhorar a realidade da população, de maneira geral.

Portanto, se você quer saber mais sobre o assunto, é hora de ler este artigo. A gente explica um pouco mais sobre essa distribuição, com base nos dados recolhidos no estudo. Confira!

Afinal, como é a distribuição de médicos no território brasileiro?

Infelizmente, as estatísticas da pesquisa mostram que há uma grande desigualdade na distribuição de médicos no território brasileiro. De modo geral, o Brasil conta com 2,27 médicos para cada 1000 habitantes, mas muitos estados apresentam uma taxa muito menor do que essa média.

O Norte e o Nordeste são as regiões que mais apresentam diferença. No Norte, a taxa cai para 1,30, ou seja, 43% da média do país. No Nordeste, a taxa é de 1,69. Além disso, todos os seus 16 estados apresentam taxas muito abaixo da média nacional. Não tem nenhum com um valor próximo!

Por outro lado, vale lembrar que a pesquisa mostra uma marca histórica. Pela primeira vez em que ela é realizada, nenhum estado apresenta um número menor que um médico a cada 1000 habitantes.

Entre as taxas mais altas, estão as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com valores que variam entre 3,15 e 2,74 médicos a cada mil habitantes. Mas quando se trata de estados, o grande campeão é o Distrito Federal, que tem 5,11 médicos por mil habitantes, em comparação com Rio de Janeiro, que tem 3,70 e São Paulo, com 3,20.

Qual é a diferença entre a distribuição de médicos nas capitais e nas cidades do interior?

Outra questão fundamental para se entender sobre a distribuição de médicos no território brasileiro é a diferença de profissionais em capitais e cidades do interior. Hoje, de acordo com a pesquisa, existem 5,65 médicos por 1000 habitantes em média nas capitais.

Em comparação, as cidades do interior atingem uma média de apenas 1,49 médicos. Já municípios do interior de estados da região Norte e Nordeste, por exemplo, contam com um ou menos médicos por mil habitantes.

Mesmo que as capitais mostrem uma quantidade muito mais expressiva de médicos, algumas ainda mostram desigualdades. Em Macapá, por exemplo, a razão é de 1,77 médicos, enquanto em Rio Branco, 1,99.

Em Palmas, por sua vez, a taxa aumenta para 4,59. A realidade distinta dos moradores do interior, então, passa a ser ainda mais preocupante com base nesses dados. Os menores números de todo o país, mais uma vez, estão nas regiões Norte e Nordeste.

Em suas áreas rurais, são 0,19 médicos por mil moradores. A média nacional, de 2,48 médicos por mil habitantes, é simplesmente 13,1 vezes maior.

Por fim, a pesquisa ainda considera municípios denominados “rurbanos”, aqueles que vivem em meio rural, mas sobrevivem de atividades urbanas, como serviços e indústrias. São 384 municípios dentro dessa classificação, que somam 14,9 milhões de habitantes e contam com 1,05 médicos para cada 1000 habitantes.

Qual é a diferença da distribuição de médicos no meio urbano e no meio rural?

E a diferença da distribuição de médicos em centros urbanos e rurais, como se dá? Essa é uma classificação fundamental, uma vez que nosso país ainda conta com uma distribuição de zonas rurais bastante significativa em praticamente todas as suas regiões.

Um município é considerado rural quando tem até 50 mil habitantes e uma densidade demográfica menor ou igual a 80 habitantes por km². Enquanto um município urbano tem uma população maior do que 100 mil habitantes.

É importante ter em mente essa separação, para entender o impacto que a presença de profissionais da Medicina realmente causa em cada uma delas. Em algumas regiões, considerando a totalidade de municípios brasileiros, existem menos de um médico por mil habitantes nas áreas rurais.

Ao todo, são 26.123 médicos para quase 44 milhões de habitantes distribuídos em 3.520 municípios. Esse é um cálculo baixo, em relação à média nacional.

O que todos esses dados querem dizer?

Você se encontra em alguma das regiões citadas na pesquisa? Se os índices de distribuição de médicos no território brasileiro não pareceram favoráveis para você em um primeiro momento, não tire conclusões precipitadas. As oportunidades no mercado de trabalho mudam a todo instante.

Primeiro, por causa das demandas de trabalho. Segundo, porque tudo depende das vagas e cursos de graduação em medicina que abrem e se estabelecem em todo o país. Ainda vale lembrar que, quando você escolhe uma residência médica e uma especialidade, ela pode te levar para vários cantos do país, de acordo com seus planos e com as possibilidades de trabalho que surgirem.

Quando se trata de Medicina, não há dúvidas que muita coisa pode melhorar em nosso país. Por exemplo, a pesquisa também mostra que apesar de o número de mulheres na Medicina ser maior, o salário delas ainda não se equipara ao dos homens.

Portanto, também é seu papel, como profissional, ajudar a transformar esse cenário para melhor. Inclusive, na sua região, no seu estado e no seu município.

E então, o que você pensa sobre a distribuição de médicos no território brasileiro? Conseguiu compreender, por meio dessa análise, a realidade da região onde você mora ou quer atuar? Agora que você tem tantas informações em mãos, pode começar a se preparar para o futuro e para as escolhas que começam na residência médica.

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JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.