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Como é o cenário da residência médica no Brasil?

Para muitos médicos em formação a residência médica é o caminho da continuidade dos sonhos, já que o primeiro passo já foi dado com a graduação em medicina. 

Mas, o que é a residência? Como é o cenário da residência médica no Brasil? Pra saber tudo sobre o painel nacional dessa que é a modalidade de especialização mais desejada entre os estudantes de Medicina e médicos recém-formados, vem com a gente! Vamos te contar tudo! 

O que é a residência médica? 

A residência médica é uma modalidade de ensino de pós-graduação, sob a forma de curso especialização com treinamento em serviço destinada aos médicos que desejam uma formação específica em determinada área da Medicina. Ela foi instituída no Brasil em 1977, e atualmente é reconhecida no mundo todo como a forma mais adequada – a única, em muitos países – de formação de médicos especialistas. 

Imagem ilustrativa de médicos
Saiba mais sobre como é a residência médica no Brasil

No nosso país, todos os programas de residência médica oferecidos são gerenciados pelo Ministério da Educação (MEC). No entanto, cabe à Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), vinculada ao MEC, regulamentar e credenciar todos os programas nesta modalidade de ensino de especialização. 

Atualmente, existem programas de RM autorizados nas 55 especialidades médicas e em 59 áreas de atuação reconhecidas pela Comissão Mista de Especialidades (CME), composta pela CNRM, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

A residência médica no Brasil pode ser oferecida por instituições de saúde — universitárias ou não, públicas ou privadas — mas com a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. Apenas ao final do programa de residência médica, o médico recebe o título de especialista e aí sim vai poder atuar na área específica escolhida. 

Pra entrar em um dos mais de 4 mil programas de residência médica no Brasil credenciados, sejam eles de acesso direto ou pré-requisito, é necessário ser aprovado no processo seletivo, que geralmente se dá em duas etapas, com provas teóricas, práticas e entrevistas de análise curricular. 

Uma coisa que varia bastante nos programas de residência é a duração, que vai de 2 até 5 anos, podendo ainda, em determinadas áreas de atuação, acrescentar um ou mais anos. A legislação que regulamenta a residência médica no Brasil prevê uma carga horária de, no máximo, 60 horas semanais, incluindo 24 horas de plantão, descanso obrigatório de 6 horas após plantão noturno de 12 horas e, pelo menos, 1 folga semanal. Na prática, nem sempre isso funciona devido à intensa rotina de estudos teóricos, discussões e estágios. A gente viu isso bastante nas entrevistas que fizemos com os residentes de diversas especialidades da USP, da Unifesp e da Unicamp. Confere lá! 

Muita gente ainda tem dúvidas em relação aos programas de bolsas, por isso a gente vai te explicar agora. Funciona assim: o financiamento da residência médica no Brasil é majoritariamente público, e são concedidas bolsas mensais no valor bruto de R$3.330,43 — valores de 2020, tá? Mas, não só o governo pode custear isso: o Ministério da Saúde, que é hoje o principal financiador, aloca os recursos em bolsas vinculadas a políticas dirigidas ao SUS (Sistema Único de Saúde), como o Pró-Residência (Programa Nacional de Apoio à Formação de Médicos Especialistas em Áreas Estratégicas), enquanto o MEC financia bolsas de hospitais universitários federais. As secretarias estaduais da saúde são a segunda principal fonte financiadora de residências médicas, mas também há bolsas pagas por municípios, hospitais filantrópicos e hospitais privados.

A residência médica no Brasil em números

Segundo os dados da Demografia Médica no Brasil 2020 – um estudo super atual feito em parceria da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com o Conselho Federal de Medicina (CFM), traz pra gente as mais detalhadas informações sobre a população de médicos e seu exercício profissional. E a gente foi lá, nesse documento, pesquisar tudo sobre os dados mais recentes da residência médica no Brasil. Dá só uma olhada: 

  • 809 instituições em todo o país são credenciadas pelo MEC para oferecer programas de residência médica; 
  • 4.862 programas de residência médica foram oferecidos em 2019
  • 53.776 médicos cursaram programas de residência médica no Brasil em 2019; 
  • 16.190 no R1; 
  • 15.214 no R2; 
  •  6.437 no R4;
  • 359 no R5;
  • 119 no R6;
  • 4 no R7;
  • 17.350 médicos ingressaram na R1 em 2019; 
  • 1.160 médicos desistiram, se afastaram ou solicitaram algum tipo de licença na RM;
  • 55% dos 53.776 médicos residentes em 2019 eram mulheres;
  • 58,4% das residentes mulheres tinham entre 25 e 29 anos
  • 57,3% dos 53.776 médicos residentes estão concentrados na região Sudeste do Brasil; 
  • 8.640 residentes estão na região Sul e perfazem 16% do total nacional; 
  • 1/3 de todos dos residentes do país – 33.9% – concentram-se em São Paulo
  • 15,7% do total de médicos residentes se reúnem na região Nordeste; 
  • 7,2% é a porcentagem total de residentes no Centro-Oeste, 
  • 1.993 residentes da região Norte ocupam a faixa de 3,7% do número total de médicos residentes no Brasil; 
  • 43% dos 53.776 médicos faziam residência nas quatro especialidades mais procuradas: Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral (incluindo residentes do Programa de Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica) e Ginecologia e Obstetrícia. 
  • 8.233 residentes colocam Clínica Médica na liderança das especialidades mais buscadas; 
  • 5.156 médicos residentes optaram pela Pediatria
  • 4.609 residentes elencaram Ginecologia e Obstetrícia como a 3ª especialidade mais concorrida; 
  • 59 médicos ocupam os programas com menor número de residentes: Angiologia (4 residentes), Medicina de Tráfego (6), Homeopatia (9), Nutrologia (16) e Acupuntura (24). 

Oferta e demanda: por que nem todas as vagas são preenchidas?

A gente viu que os números são impressionantes, não é mesmo? Mas, não para por aí não! Apesar da enorme oferta de vagas nos processos de seleção para a residência médica, um quarto das vagas autorizadas não é ocupado! Sabe o que isso quer dizer? Que o Brasil deixou de formar, em cinco anos, aproximadamente 36 mil médicos especialistas nas mais variadas áreas. Isso sem contar o que a gente mencionou no tópico lá em cima: só em 2019, dos 17.350 médicos que ingressaram na R1, pelo menos 1.160 não continuaram cursando. 

E você que está na luta por uma vaga na residência médica, deve estar se perguntando: por que isso acontece? Vamos lá! O número de vagas autorizadas é muito dinâmico e muda conforme as chamadas públicas e as solicitações de reconhecimento ou renovação formalizadas pelas instituições de ensino e aceitas pela CNRM. Além disso, uma parte das vagas da residência não é preenchida mesmo depois dos candidatos aprovados! Muitos desistem por motivos pessoais ou pedem licença, ou ainda, depois da aprovação na seleção, não se apresentam pra matrícula nem justificam sua ausência. Perdem a vaga! 

Outro fator preponderante para que um quarto das vagas existentes na residência médica no Brasil não seja ocupado é que pra algumas especialidades, há mais vagas que candidatos! Como é o caso, por exemplo, dos programas de residência em Medicina de Família e Comunidade, que tiveram um aumento expressivo na oferta de vagas nos últimos anos, pra estimular o crescimento da especialidade. 

A gente não pode se esquecer também das dificuldades e dos atrasos de financiamento de bolsas para a totalidade de vagas autorizadas e da forte influência social e o peso da tradição na hora de escolher a especialidade: muitos médicos ainda se sentem influenciados pela família ou pelo senso comum de que algumas especialidades médicas são mais bem vistas ou dão mais status que outras. Logo, os programas de residência médica recém-criados ou ainda sem tradição, costumam ter menor procura de candidatos e com isso, as vagas ficam às moscas! 

Mas uma coisa é fato: são muitos possíveis múltiplos fatores que ainda impedem o pleno preenchimento de vagas de Residência Médica previamente autorizadas e que precisam ser urgentemente estudados e analisados para que isso não seja uma constante. E também abrem espaço para a curiosidade e a pesquisa mais ativa de muitos interessados nas residências médicas que, no entanto, desconhecem ainda muitas áreas e especialidades. 

Curtiu saber mais sobre a residência médica no Brasil? Agora, que tal pensar no seu futuro?

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JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.