Como é a residência em Pediatria na ISCMSP

Fazer a residência em Pediatria na ISCMSP é ter a certeza de que está numa instituição de ensino médico de ponta. E sabe por quê? A ISCMSP (Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) tem tradição e excelência no ensino, e há mais de quatro séculos ela se firma no campo da saúde como destaque na educação e no atendimento aos pacientes, sem perder a conexão com os pilares que a sustenta: a caridade e o altruísmo.

Apesar do nome, a Santa Casa é uma instituição privada e laica, na qual grande parte de sua assistência médica prestada é totalmente financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Com um complexo hospitalar invejável, que conta com o Hospital Central e mais quatro unidades, o Hospital Santa Isabel, o Centro de Saúde Escola Barra Funda, o Hospital São Luiz Gonzaga e o Hospital Dom Pedro II, a Santa Casa exibe hoje com orgulho, o título de maior hospital filantrópico da América Latina e por lá, mais de 8 mil pacientes são atendidos todos os dias nas mais variadas especialidades médicas. 

E se você ainda não sabia, já pode começar a se preparar desde já! A Residência Médica em Pediatria é a segunda especialidade de acesso direto mais procurada pelos estudantes de medicina e isso faz com que a concorrência seja acirradíssima em muitas instituições. Mas também é de longe, a que mais cativa e emociona pelo carinho envolvido na relação médico-paciente. 

Pra animar nosso papo e tirar todas as suas dúvidas sobre a residência em Pediatria, conversamos com o Bruno, R2 do programa de residência em Pediatria na ISCMSP (Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo). Confere aqui o que ele contou pra gente!

Como é a residência em Pediatria na ISCMSP

Joana: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas é inevitável. Qual é o melhor estágio da residência em Pediatria na ISCMSP? Por quê?

Bruno: No Pronto-Socorro e na Retaguarda. São estágios em que você consegue ver pacientes em condições completamente opostas: desde um paciente saudável que só está resfriado, até um nefrótico ou falciforme em sepse. Sem contar que, devido ao grande volume de pacientes, há sempre a possibilidade de discutir diversos aspectos das doenças em situações diferentes.

Joana: Há algum médico-assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Bruno: O Dr. Rafael Forte, atual chefe do pronto-socorro. Compromissado com o funcionamento do serviço e muito didático com os residentes, assim como exigente! 

Joana: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Pediatria na Santa Casa.

Bruno: Bom, no primeiro ano são as áreas básicas:enfermarias, retaguarda, pronto-socorro, sala de parto e cuidados intermediários, alojamento conjunto e puericultura. No segundo e no terceiro ano, passamos nas especialidades. O mais legal da Santa Casa é que por ser um hospital terciário, rodamos em quase todas as subespecialidades pediátricas. E passamos de novo na retaguarda e no pronto-socorro, mas agora cuidando de pacientes mais complexos. Passamos nas UTIs pediátrica e neonatal, um dos pontos fortes da Santa Casa, e agora, com a mudança do currículo, passamos por um estágio de pequenos procedimentos com a cirurgia pediátrica e conceitos básicos de sedação e analgesia com a anestesia.

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Bruno: Existe um mês de estágio eletivo no terceiro ano da residência. Porém, como somos a primeira turma a ter 3 anos de residência, não há precedentes de eletivo, uma vez que até o ano passado, não havia estágio eletivo.

Joana: Sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual é a carga máxima de plantão que você dá? Conta pra gente se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Bruno: Sim. Em média são 7-9 plantões por mês no R1 – uma carga de plantões até que alta! Mas temos pós-plantão após às 11h30, e o horário da rotina acaba às 16h30, o que torna a rotina menos cansativa. A tendência é uma redução na carga de plantões no segundo e terceiro ano da residência. No R2, temos em média 6 plantões por mês, e no R3 a programação é de aproximadamente 3-4.

Joana: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Pediatria na ISCMSP foca em parte teórica?

Bruno: Nota 6. 

Joana: Quais as principais atividades teóricas que vocês têm?

Bruno: Temos aulas, discussão de artigos científicos, reunião de departamento mensal

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Queria entender mais sobre a sua nota. Conta mais pra gente sobre como você enxerga o foco na parte acadêmica na instituição em que você faz residência.

Bruno: Nota 7. A parte acadêmica não é muito o forte da Santa Casa. Somos obrigados a fazer um TCC, mas não há muito incentivo para publicação, uma vez que o serviço tem um foco assistencial muito forte.

Joana: Quais os pontos fortes da residência em Pediatria na Santa Casa? Dá uma aprofundada pra gente.

Bruno: Somos uma instituição reconhecida no país inteiro, tanto que temos residentes de todos os estados do Brasil, o que nos deixa em evidência no mercado de trabalho. Temos a oportunidade também de acompanhar quase todas as subespecialidades pediátricas. Isso é legal também, pois os pacientes que acompanham nessas especialidades acabam sendo internados no serviço, o que aumenta a variedade de casos que conseguimos ver. Devido ao grande volume de pacientes, temos a oportunidade de realizar bastante procedimentos e ver muitos pacientes, o que cria uma confiança, o famoso “pegar mão” de atendimento. 

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Bruno: Com certeza a parte científica. Há pouco estímulo em nossa instituição.

Joana: A residência em Pediatria na ISCMSP disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

Bruno: Dispomos de um refeitório da instituição com comida de graça, porém não dispomos de moradia para residentes, nem outros benefícios. Obviamente, caso precisemos, podemos ser atendidos em qualquer setor do hospital.

Joana: Vocês dois são de São Paulo, né? Mas vocês conhecem alguém de fora que pretende voltar — ou já voltou — para sua cidade de origem depois da residência? Acha que dá para se inserir bem?

Bruno: Conheço pessoas que pretendem voltar ou que já voltaram. Todos conseguiram se inserir facilmente no mercado de trabalho da região de onde vieram. 

Joana: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Bruno: A Santa Casa é uma instituição secular, linda, com diversos defeitos, mas definitivamente lotada de pontos fortes, os quais a tornam uma das melhores para se realizar a residência médica. Além disso, é o principal hospital filantrópico da América Latina, e que fica no centro de São Paulo, o que cria uma oportunidade única de convívio com diversas pessoas diferentes. E tem o atendimento no SUS, auxiliando a população carente da região que tanto necessita de atendimento. Não é à toa que a palavra “misericórdia” está no nome do hospital.

Gostou de saber mais sobre a residência em Pediatria da ISCMSP?

E aí? Gostou? Está pronto para encarar esse desafio para lá de exigente? Uma coisa a gente pode garantir: depois desse bate-papo, vai valer a pena todo esforço e dedicação que você despender nessa caminhada! Aproveita pra conferir quanto ganha um pediatra no Brasil. E na jornada pra residência, você sabe que pode contar com a gente, né? 

Aqui no blog, nós já contamos tudo sobre como é a prova da ISCMSP — inclusive, é bom se preparar, pois a prova prática da Santa Casa tem fama de ser diferente de outras bancas que focam no atendimento completo com a realização de anamnese e exame físico completos. Aproveita e dá uma olhada no nosso Guia Definitivo da ISCMSP pra saber tudo sobre como é fazer residência lá! E se ainda estiver em dúvida sobre a instituição, dá uma olhada em quais são as residências em Pediatria mais buscadas em SP e se liga na entrevista que fizemos com residentes de Pediatria da Unifesp!

Por fim, pra se preparar bem pra qualquer desafio, dá uma olhada no nosso Extensivo São Paulo! É pra você chegar ao fim de 2021 mandando super bem em todas as provas de residência médica da Santa Casa e de todas as outras instituições de São Paulo, com desempenho acima de 80%. São milhares de questões comentadas, material didático online, simulados específicos para as provas de SP, aulas ao vivo e muito mais! Além de contar com um time de professores aprovados nas principais instituições do Brasil! Bora aproveitar que as vagas foram reabertas e CLIQUE AQUI.

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Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.