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Como é a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein

Não importa em qual canto do país você esteja, provavelmente já ouviu falar do Hospital Albert Einstein. A instituição, que é referência em assistência médica de ponta, é também muito reconhecida na área do ensino médico. Por isso, hoje vamos falar sobre a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein e trazer informações quentinhas pra quem tem essa instituição como opção. 

A residência médica no Einstein tem mais de 20 programas com treinamentos práticos e técnicos, aulas teóricas, discussões de casos e muito mais. Isso sem falar nos equipamentos, sempre atualizados com as tecnologias mais recentes e inovadoras.

Mas hoje o nosso foco é a Pediatria! Com 4 vagas oferecidas por ano, a concorrência da especialidade em 2021 foi de 14 candidatos por vaga. Além disso, a nota de corte da primeira fase foi 70 — o que não é pouco! Você pode conferir tudo sobre o edital do processo seletivo e acessar a prova de 2021 na íntegra aqui no Blog da Medway. É só clicar nos links!

Agora, pra mergulhar na residência, o melhor mesmo é escutar o que quem está lá dentro tem a dizer. Por isso, conversamos com a Alyne, R1, e com o Alexandre, R3, que contaram em detalhes como é a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein, passando pelos estágios, pelos profissionais que são referências, pela parte acadêmica e teórica, e muito mais! Sem mais delongas, segue aqui com a gente pra conferir esse papo! 

João: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal: qual é o melhor estágio da residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein?

Alexandre: Pra mim, é a enfermaria de Pediatria do Hospital Vila Santa Catarina! É um hospital do SUS, porém com recursos nível Einstein, uma equipe impecável e onde tudo funciona como deveria. É um local extremamente acadêmico, com diaristas notáveis, onde conseguimos aplicar na prática o dia a dia de um pediatra em uma enfermaria. Acho que o que mais anima é o equilíbrio perfeito entre teoria e prática: ao mesmo tempo em que temos liberdade para avaliar pacientes, prescrever e discutir com os internos, o residente pode contar com os diaristas pra colocar um pouco de ciência mesmo nas condutas que soam mais banais. Sem falar que tem todo tipo de caso, da cotidiana bronquiolite até coisas bem mais raras (sempre rendem algum relato de caso)! Um prato cheio pra quem curte a essência da Pediatria!

Alyne: Difícil falar qual o melhor estágio estando no R1, pois ainda tem muita coisa pela frente! Estou bem animada para os estágios dentro próprio Einstein, que é um lugar de ponta. No Einstein, a gente acompanha o pronto-socorro, a enfermaria, a UTI, a neonatologia, a oncologia, além dos consultórios pediátricos. Também temos um estágio optativo externo no R3, em Cincinnati, onde existe a possibilidade de acompanhar o serviço de unidades de terapia intensiva pediátrica, neonatal ou pronto-atendimento pediátrico. É difícil falar qual foi o melhor até agora, mas todos geram muita expectativa. Rodamos em outras unidades gerenciadas pelo Einstein, como o Hospital Municipal Vila Santa Catarina e o Hospital Moysés Deutsch (M’Boi Mirim).

João: Boa! E tem algum médico assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Alexandre: Acho que seria injusto enumerar apenas um aqui. Mas digo sem medo que em praticamente todos os estágios encontrei alguém em quem pudesse me espelhar como pessoa e profissional. A residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein está cheia de pessoas incríveis acadêmica e profissionalmente, que ao mesmo tempo são seres humanos maravilhosos!

Alyne: Durante a nossa formação médica sempre busquei me espelhar em profissionais que eu considerasse um exemplo naquela área, isso é importante para construirmos o profissional que queremos nos tornar. Logo na primeira semana do R1 tive contato com os coordenadores da residência, além de diferentes pediatras de grande renome na especialidade. Ao longo das semanas a gente vai tendo mais e mais contato com eles e concordo com o Alexandre que seria injusto falar um nome só. Pelo fato de sermos 4 residentes por ano, o convívio com os médicos assistentes é bem próximo, o que permite uma troca muito legal!

João: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein.

Alexandre: Bom, acho que a estrutura é um dos pontos fortes da residência.

No R1, passamos a maior parte do tempo em enfermarias: ao todo são 5 meses, sendo que em 3 desses vamos para a UBS à tarde, que é nossa parte mais prática de puericultura. Temos 3 meses de neonatologia (no 1º mês tem ambulatório à tarde) e 3 meses de PSI (ambulatório à tarde nos 2 primeiros meses). Os estágios começam geralmente no próprio Einstein Morumbi, onde estamos sempre mais bem acompanhados, com um preceptor por residente, com bastante tempo pra discussão dos casos, e são seguidos por estágios mais práticos no Hospital M’ Boi Mirim e Vila Santa Catarina. Os ambulatórios são feitos no próprio Einstein Morumbi.

No R2, temos mais foco em UTI e especialidades e passamos bem mais tempo fora do Einstein (é um ano mais focado no SUS). Frequentamos a UTI pediátrica no M’Boi Mirim e no Vila Santa Catarina, e passamos em neonatologia no Vila e por um mês na UTI neonatal do Einstein. Tem um período de 12 semanas no Darcy Vargas, onde passamos em múltiplas especialidades pediátricas: hemato, nefro, onco, etc. O restante é super bem dividido entre enfermaria e emergência.

O R3 ainda tem estágios novos e está em constante aprimoramento (minha turma é a primeira a vivenciar), mas até agora também ficou muito bem organizado. Voltamos bastante para coisas mais específicas no Einstein (muitos ambulatórios de especialidade, UTI pediátrica, oncologia), tem 1 mês de UTI neonatal no Vila Santa Catarina e alguns estágios importantíssimos que são externos, com ênfase em cardiopatias congênitas, no Dante Pazzanese, e infecto, USG Point Of Care e pronto-socorro no Instituto da Criança.

João: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível e comum fazer um estágio fora do país?

Alexandre: No terceiro ano, temos um mês de estágio optativo! A Pediatria do Einstein tem contatos no Cincinnati Children’s Hospital, em Ohio, nos EUA (é o segundo melhor hospital pediátrico do país) e sempre nos oferecem a oportunidade de fazer o optativo lá!!

Alyne: Tem sim. A programação é pra ir em Cincinnati! Mas quem não tiver a possibilidade de ir pra fora, pode rodar em um estágio optativo aqui, existem vários serviços muito bons que nos recebem de portas abertas. Mas eu fortemente recomendo pra ir pra Cincinnati, inclusive estou super empolgada com essa possibilidade.

João: Me conta: sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? 

Alyne: Com certeza eles respeitam as 60 horas semanais. Inclusive, logo no primeiro dia da residência nos mostram que existe uma exigência do MEC e da Sociedade Brasileira de Pediatria a respeito de como são divididas as horas nos estágios como um todo. Eles mostram esse cálculo e realmente seguem à risca essa determinação.

João: E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente como é isso: 

Alexandre: Alguns estágios pontuais (6 ao todo, pra ser exato) tem plantões de até 24 horas, mas temos pós-plantão imediato de 12 horas, não costuma ficar tão cansativo. Os estágios mais puxados pedem que você faça um noturno por semana e dois de 12 horas em fins de semana durante o mês. Como somos apenas 4 residentes por ano, não temos que cumprir escala de residentes (não precisa ter sempre um residente de plantão).

Alyne: Bom, em cada estágio o plantão muda um pouquinho. Em alguns estágios temos plantões noturnos na semana; em outros, além dos noturnos, temos também dois finais de semana por mês; por fim, em outros estágios temos visitas na enfermaria, mas sempre respeitando a carga horária da residência.

João: Me conta rapidinho: de 0 a 10, o quanto a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein foca em parte teórica? Conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem.

Alexandre: Nota 10. A parte teórica é sempre muito valorizada durante toda a residência. Nossos estágios de enfermaria e PSI no Morumbi sempre tem 2 horas dedicadas à discussão de casos e artigos e as visitas são extremamente baseadas em evidências na maioria dos demais estágios. Temos aulas semanais no final da tarde, reunião do departamento a cada 3 meses (onde os residentes sempre apresentam algo) e em alguns estágios você participa e apresenta o Journal Club, que é um grande momento pra aprender a interpretar melhor artigos científicos. Também nos oferecem, durante o R1, como cortesia, a pós-graduação em Emergências Pediátricas do Einstein. É realizada à parte da residência (não conta como carga horária), mas acrescenta grandemente à carga teórica do primeiro ano.

Alyne: Concordo com a nota do Alexandre. A residência tem uma parte acadêmica super forte. Temos aulas, às vezes uma ou duas aulas por semana, com os chefes. Discutimos bastante os artigos nos estágios, junto com a preceptoria. Em todos os estágios temos uma lista de temas a serem discutidos ao longo do estágio por meio de aulas ou artigos, além das aulas que já estão previstas para todos os residentes. Além disso, temos o Journal Club semanal, onde o R1 participa e apresenta os artigos; isso estimula bastante o desenvolvimento dessa capacidade crítica e dessa habilidade de ler artigos com outro olhar e ser capaz de discuti-lo. 

João: E de 0 a 10, o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Explica sua nota também. 

Alexandre: Minha nota é 6. Como comentei, o serviço é grandemente focado em Pediatria baseada em evidências com conhecimentos atualizados. Somos muito bem ensinados a ler corretamente e interpretar artigos científicos, bem como temos acesso garantido às melhores bases de dados. Se você tem interesse em pesquisa, vai encontrar múltiplas pessoas dispostas a ajudar pelo caminho. Como residentes, comumente somos convidados para participar de algum estudo. Mas não é uma obrigatoriedade ou pré-requisito: se você não tiver interesse em publicar nada, você consegue passar pela residência sem fazê-lo.

Alyne: Minha nota é 8. Existe uma preocupação acadêmica, eu acho isso bem legal porque se diferencia um pouco, inclusive, de outras residências. Depende muito do interesse de cada um em publicar um artigo ou desenvolver um projeto de pesquisa. Mas temos grandes oportunidades e mestres disponíveis para quem está animado em crescer na área acadêmica.

João: Quais os pontos fortes da sua residência na instituição em que você está?

Alexandre: Acredito que os maiores diferenciais sejam a grande base teórica (temos contato com pessoas muito acadêmicas, muitas vezes ligados a mais de um hospital-escola e referências em suas áreas) e a possibilidade de viver múltiplas realidades (atendemos bastante SUS mas também temos a possibilidade de vivenciar a prática médica dentro de um grande serviço particular de referência, acabamos sendo pediatras prontos para qualquer cenário). O serviço como um todo também exige muitas habilidades não cognitivas: somos constantemente avaliados pelo relacionamento interpessoal, vínculo com pacientes, resolução de conflitos… Existe um foco nítido para formar médicos humanos e que trabalhem com qualidade.

Alyne: Como ponto positivo, eu acho que tem uma boa base teórica e com certeza uma consolidação boa no mercado. A gente está próximo de grandes nomes da Pediatria aqui de São Paulo e, provavelmente, do país: grandes autores de livros importantes na área são os nossos assistentes, então temos um contato muito próximo com eles e isso é muito diferente de outras residências. Somos em 4 residentes, então a proximidade é muito grande com os assistentes e permite uma troca, um crescimento acadêmico super diferenciado.

João: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar na residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein?

Alexandre: Os estágios externos às vezes fogem um pouco do controle dos chefes, podem não ser tão acadêmicos quanto gostaríamos e são mais sujeitos a imprevistos (como alguns serviços terem se fechado para residentes externos na pandemia), mas no geral nada que não tenha sido contornado. Sendo apenas 4 residentes por ano e rodando em tantos lugares, às vezes pode ser um pouco “solitário” também!

Alyne: Sinceramente, eu sou muito feliz na residência que eu estou. Eu estou no R1 e nesse período não tive nenhuma dificuldade que eu pudesse falar que é pra melhorar. Acho que eu tenho muito mais o que falar de positivo, nesse momento eu não consigo falar o que não está sendo legal, porque tudo tem me surpreendido positivamente!

João: Me diz uma coisa: dá pra conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Alexandre: Dá sim! Vai ficando mais fácil com o tempo, claro. Se você topa a pós em Emergências no R1, isso dificulta um pouco sua vida, mas dá pra fazer uns 3 ou 4 plantões por mês sem atrapalhar muito os estudos. No R2 ainda tem uns estágios de UTI que sugam mais você, mas ainda assim dá pra trabalhar sem sofrer demais.

Alyne: Não acho que seja a maioria que faça, por causa da carga teórica que a gente tem, principalmente porque fazemos a pós em Emergências Pediátricas junto com o R1. As pessoas que dão plantão fora, dificilmente dão plantão fixo semanal, porque temos semanalmente aulas que não são necessariamente em dias fixos, além da reunião de departamento, discussões de bioética, o que exige da gente bastante dedicação. Para quem dá plantão fora, acredito que não que seja impossível, mas que seja bastante difícil. Fora que o local dos estágios — tirando o Einstein, que até é um pouco mais próximo — como M’Boi Mirim, Vila Santa Catarina e a própria UBS que a gente roda, que são bem distantes, então tem que calcular o tempo de ir e vir, algo que influencia na possibilidade de dar plantão ou não fora.

João: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes? 

Alexandre: Não temos oferta de moradia até o momento. Os estágios têm alimentação e não costumam deixar a desejar, especialmente no Morumbi. Mas admito que em alguns estágios acabamos preferindo comprar marmita ou levar porque tem muito “gosto de hospital”.

Alyne: Temos alimentação no M’Boi Mirim e no Einstein. É um refeitório que disponibiliza café da manhã, almoço e um lanche no fim da tarde. Também sei que os residentes têm direito ao uso do local de atividades esportivas da própria faculdade de Medicina do Einstein. Eu nunca fui, não conheço pessoalmente, mas sei que existe e que é super equipado.

João: A Alyne é de São Paulo e pretende ficar aqui, mas o Alexandre não é e também quer ficar. Vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar pra cidade de origem? Acham que é tranquilo para se inserir no mercado?

Alexandre: Acredito que o nome da instituição seja chamativo e é diferencial em qualquer lugar do país. A qualidade a que somos expostos e a variedade de locais de estágio também prepara muito bem pra vida. Não tenho dúvidas de que seria bem fácil se inserir no mercado de trabalho ao voltar. 

Alyne: No meu ano, dos quatro residentes da pediatria do Einstein, três são de São Paulo e um é de Minas Gerais. Nós três de São Paulo fizemos a mesma faculdade. Penso que independentemente de onde a pessoa seja, ela consegue se inserir bem no mercado ficando ou não em São Paulo por conta da formação e do nome Einstein, que é bem forte no nosso país como um todo. 

João: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Alexandre: O que realmente mais me perguntam sobre a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein é o contato com pacientes e “mão”. Acredito que vamos super bem nisso, conseguindo um equilíbrio muito bom. Conseguimos fazer procedimentos, examinar, prescrever e terminar com uma boa base teórica e prática.

Alyne: Cada estágio é um grande crescimento pessoal e profissional. Por fazermos residência em um serviço que mescla o serviço médico particular com o público acredito que saímos mais bem preparados para atuar em diversas frentes.

Curtiu a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein?

O Alexandre e a Alyne mandaram bem demais nas informações, não é? Quase dá pra imaginar o brilho nos olhos deles ao ver a forma empolgada como descrevem a residência em Pediatria no Hospital Albert Einstein. E é esse brilho que a gente, aqui na Medway, quer ver no seu olho também quando você estiver na residência dos seus sonhos! 

Mas pra chegar lá, existe uma jornada importantíssima antes. É só com uma preparação adequada, estudando do jeito certo, que você consegue aumentar de verdade suas chances de ser aprovado em uma instituição como essa. Por isso, recomendo muito que você conheça o Intensivo São Paulo, nosso curso que oferece preparo direcionado pra instituições paulistas. Agora, pra não esquecer nenhum detalhe, você também pode começar baixando o e-book Como ter um currículo padrão-ouro, afinal, nada pode passar despercebido. Boa sorte! 

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.