Como é a residência em Clínica Médica na USP-RP

A residência em Clínica Médica na USP-RP é ideal para quem busca uma atuação dinâmica e altamente qualificada. O programa de especialização tem duração média de 2 anos e é realizado em diversas instituições, com destaque para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP/USP).

Durante essa formação, você vai ter contato com milhares de pacientes e condições muito diferenciadas. Mas antes de decidir seguir por esse caminho, vale conhecer melhor a residência. Por isso, fomos falar com a Camila e com a Ingrid, ambas do segundo ano da residência em Clínica Médica na USP-RP.

Conheça tudo sobre essa especialização na USP de Ribeirão Preto e veja o que ela tem a oferecer!

Fachada do HCFMUSP-RP (Créditos: USP-RP/Reprodução)
Hospital das Clínicas da USP-RP abriga vários dos estágios da residência em Clínica Médica na USP-RP

João Vitor: Vou começar com uma pergunta que sei que é muito pessoal, mas é inevitável: para vocês, qual é o melhor estágio da residência em Clínica Médica na USP-RP?

Camila: Sala de Urgência e Semi-Intensivo.

Ingrid: Sem dúvida, um dos melhores estágios da residência é o da unidade de emergência. Ele se constitui no estágio noturno, diurno, ambos na linha de frente do PA e outra vertente na enfermaria da unidade de emergência. O pronto-socorro funciona sob regulação de casos do município, assim como das cidades vizinhas. Isso acaba por gerar um convívio com casos mais complexos, deixando de lado os resfriados e gastroenterites comuns em pronto atendimentos de porta aberta.

Como somos a porta de entrada, possuímos interface com outras especialidades clínicas, de modo que a cada interconsulta delas podemos aprender ainda mais sobre os assuntos. Durante todos os estágios, possuímos médicos assistentes com os quais discutimos todos os casos, não ficando em nenhum momento desassistidos.

No estágio da enfermaria da unidade de emergência, temos acesso a muitos dos casos que recebemos na porta, mas que necessitam de uma investigação diagnóstica mais aprofundada. Nele, evoluímos os pacientes diariamente e conduzimos a investigação desde o início com referência às especialidades devidas, quando firmado uma hipótese diagnóstica.

João Vitor: Tem algum médico assistente que vocês considerem sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Camila: Sim, Dra. Valéria, responsável pelas discussões e condutas do Semi-Intensivo. Pelas discussões dos casos sempre ricas, baseadas em evidências e condutas, sempre considerando a individualidade de cada paciente, sem se prender necessariamente apenas a protocolos. Também pela presença constante no Semi-Intensivo e pelo fato de “pegar o residente pela mão” (mesmo que com alguns puxões de orelha), até que ele de fato aprenda.

Além dela, tem a Dra. Maria Isabel, hospitalista (nefrologista e intensivista) que olha e cuida de cada paciente como se fosse da sua família e que faz a discussão de qualquer caso virar um mini curso digno da AMIB. É ela quem nos alimenta constantemente de artigos e diretrizes fundamentais e/ou interessantes.

Ingrid: Dra. Valéria e Dr. Aron. Ambos presentes na unidade de emergência. São exemplos da medicina investigativa e do conhecimento geral da medicina interna.

João Vitor: Contem um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Clínica Médica na USP-RP.

Camila: No R1, passamos 4 semanas em cada subespecialidade, incluindo nutrologia, pneumo, reumato, gastro, nefro, infecto, cardio, endócrino e hematologia. Também temos 4 semanas de plantões diurnos e 4 semanas de plantões noturnos em salas de urgências. Ainda no R1, temos 10 dias de enfermaria de clínica médica, 10 dias de Semi Intensivo e 10 dias de hospitalista (interconsultas).

Imagem do Hospital Estadual de Serrana
Quem faz residência em Clínica Médica na USP-RP também desenvolve atividades no Hospital Estadual de Serrana

No R2, no pré-covid, tínhamos estágio noturno em sala de urgência, UCO (Unidade Coronariana) e semi-intensivo, 1 mês no CTI HC, oncologia e dermato, geriatria, 1 mês de Enfermaria de Clínica investigativa, 10 dias no CTI do Hospital Estadual de Américo, 10 dias na enfermaria, 10 dias nos cuidados paliativos, 20 dias na enfermaria de clínica do Hospital Estadual de Ribeirão Preto, 10 dias no hospitalista (interconsulta) na Unidade de Emergência, 10 dias na Neuro, 10 dias na enfermaria de Clínica do Hospital Estadual de Serrana, 10 dias na UPA de Serrana e 1 mês de optativo.

Durante os dois anos, temos muitos plantões, principalmente no R1, na sala de urgência, enfermaria (R1) e semi intensivo e uco (ambos, R2).

Com a pandemia de covid-19, não temos mais geriatria, onco, dermato e enfermaria de Clínica Geral. Passamos na Sala Vermelha, onde atendemos sintomáticos respiratórios graves e no CTI do Hospital Estadual de Serrana. Também passamos 20 dias no CTI do Hospital Estadual de Américo.

João Vitor: Existem estágios eletivos na residência em Clínica Médica na USP-RP? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Ingrid: No R2, temos um mês de estágio eletivo. É possível, sim, fazer eletivo em universidades associadas à USP no exterior, apesar de não ser o mais comum. Apesar disso, alguns R+ fizeram estágio em Portugal, EUA, dentre outros, no eletivo.

João Vitor: Sua residência médica, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que vocês dão e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Camila: Não, em média, são 80 horas semanais. Em estágios “normais” de especialidades, damos cerca de 1 a 2 plantões por semana, sempre com pós plantão. Se o plantão for em enfermaria, temos pós-plantão na tarde seguinte. Se for na sala de urgência, temos 24h de plantão imediatamente após. Nos estágios diurnos da sala de urgência, damos 5 plantões (60h por semana). Nos estágios noturnos, são 4 plantões.

João Vitor: De 0 (nada) a 10 (demais), quanto a residência em Clínica Médica na USP-RP foca em parte teórica? Quais são as principais atividades teóricas que vocês têm?

Camila: 3. Bem, a residência de clínica tem uma carga teórica pequena.. temos 1 aula por semana ou a cada 15 dias. Porém, acabamos aproveitando a carga teórica das especialidades quando rodamos nos estágios, por exemplo, ou Journal [Clubs – discussão de artigos] semanais da infecto, endócrino. No entanto, não é um conteúdo voltado para os residentes de clínica. De qualquer forma, acho que essa falha é compensada nas discussões de caso (em parte, pelo menos).

Ingrid: 6. Durante toda residência de clínica temos 1 aula semanal de temas diversos. Quando em rodízios das especialidades clínicas, temos reunião semanal com os chefes com discussão de todos os casos da enfermaria. Quando na enfermaria da unidade de emergência, temos, semanalmente, discussão de artigos científicos.

João Vitor: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Camila: 8. Na USP-RP a área acadêmica é muito forte. Basicamente, todos os preceptores estão envolvidos em algum projeto de pesquisa promissor, mas, geralmente, os participantes (mestrado, doutorado) desses projetos são os residentes das subespecialidades (o que é um grande ponto positivo para quem quer fazer sub aqui. A maioria faz mestrado em conjunto ou após). Nada impede o residente da clínica de tentar participar, só não é comum.

Ingrid: 6. A instituição em si tem bastante ênfase da parte acadêmica, com diversas publicações das mais diversas especialidades (Hemato, reumato, Endocrino são as de mais magnitude), porém como residentes da clínica, por toda carga horária que temos que preencher, acabamos não entrando muito nesse mundo. Como R3s e R4s, vejo muito mais incentivo, de modo que em grande parte os residentes, nas subs, acabam engatando em trabalhos de mestrados e doutorados ainda enquanto residentes.

João Vitor: Quais são os pontos fortes da residência em Clínica Médica na USP-RP?

Camila: Como pontos positivos, posso citar:

  •     Muita mão: nós trabalhamos muito e vemos de tudo. Os ambulatórios são cheios e diversos (até o que é “raro”, tem muito) e rodamos por ambulatórios de diversas especialidades o ano todo. Por exemplo, quando estamos em gastro ainda passamos pelo ambulatório de nefro e pneumo — dessa forma, o conhecimento e a prática não são esquecidos. As enfermarias também são cheias e com muitos casos interessantes, tanto investigativo, quanto para realização de procedimentos mais específicos ou só tratamento mesmo. E temos muitos plantões na sala de urgência, o que invariavelmente te faz pegar mão de paciente grave;
  •     Completa: como explicado, nossa carga horária, na residência em Clínica Médica na USP Ribeirão, é bem dividida em relação às áreas de atuação (ambulatório, enfermaria de especialidade, urgência e emergência, enfermaria de clínica médica e terapia intensiva) — essa última um pouco menos, mas, como peguei a fase de pandemia que aumentou muito nossa carga horária de intensiva, foi mais que suficiente. E, algumas áreas, têm a proposta de ser mantida após pandemia, como o estágio no CTI de Serrana e mais tempo no CTI de Américo;
  •     Preceptores qualificados: a maioria dos preceptores são ”referência” nos assuntos que estão sob sua responsabilidade, principalmente os subespecialistas. Conviver com pessoas com tanto conhecimento teórico associado à experiência prática enriquece muito o treinamento;
  •     Recursos financeiros: apesar de ser um hospital público, o HC tem muitos recursos (propedêuticos e terapêuticos) que faltam em outros hospitais (formei na UFMG e essa é minha base de comparação; mas também é a opinião de colegas que já trabalharam em hospitais particulares). Raramente somos prejudicados por não dispor de alguma ferramenta (por exemplo, o ECMO, que ainda não temos); e
  •     Colegas capacitados e empolgados: pode ser uma opinião parcial enviesada pela minha experiência pessoal, mas meus colegas R2 de clínica, meus R+ e os residentes de outras especialidades são, em sua maioria, muito capacitados e interessados, o que estimula a crescer também para não “ficar pra trás”.

Ingrid: Temos boa base prática, inicialmente, no que tange ao âmbito ambulatorial. Afinal, passamos todo nosso R1 nas mais diversas especialidades, com grande volume de casos e grandes discussões durante os ambulatórios (nesse ponto acabamos tendo grande base teórica vinculada a prática).

Também acontece isso no pronto atendimento, pois só no R1 passamos 3 meses completos imersos na unidade de emergência, o que é complementado no R2, no qual passamos a maior parte do tempo em serviços de PA e UTI.

Acredito que, apesar de não termos tanto a parte teórica propriamente dita, como aulas, isso é compensado por todas as discussões vinculadas a prática que possuímos tanto nos ambulatórios, quanto no PA.

Ainda, é inegável o reconhecimento externo da USP de Ribeirão Preto em nível nacional, assim como internacional, com vários chefes publicando nas revistas mais conceituadas e tendo vínculo acadêmico com instituições no exterior.

João Vitor: E tem algum ponto que vocês acham que poderia melhorar?

Camila: Pontos que poderiam melhorar a residência em Clínica Médica na USP-RP:

  •     Carga teórica: poderia ser feito um journal para clínica médica, por exemplo. Era um plano nosso, mas não conseguimos concretizá-lo;
  •     Equipe de preceptoria mais dedicada: e digo no sentido de “empenhada” também à Clínica Médica, uma vez que o hospital é em sua maior parte voltado para as especialidades. Às vezes nós da clínica ficamos à mercê do R+ e dos preceptores da subespecialidade; e
  •     Mais procedimentos (leia-se IOT): como nossa urgência quase só aceita casos regulados, muito dos pacientes já chegam entubados (com exceção na pandemia, onde o número de procedimentos aumentou exponencialmente).

Ingrid: Acredito que poderíamos melhorar no aspecto de discussões de artigos científicos, podendo ser algo fixo do calendário da residência, independente do rodízio pelo qual estamos passando.

João Vitor: Acham que dá para conciliar a residência médica com plantões externos? A maioria faz isso?

Camila: A maioria faz isso, mas não é tão tranquilo. A maioria dava 1-2 plantões por mês. Eu e meus amigos mais próximos não fizemos isso no R1. No R2 é mais fácil conciliar, conseguimos dar até 4 ou mais (para os mais ousados) plantões por mês.

João Vitor: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Ingrid: Temos direito a tomar café, almoçar, jantar e cear na instituição, assim como nas instituições vinculadas. Quando em estágios em municípios vizinhos mais distantes, é disponibilizado alojamento e refeições, porém, sem ajuda de custos quanto a transporte. Quanto à seleção para moradia, desconheço se a instituição dispõe.

João Vitor: No caso de vocês, que não são de São Paulo, pretendem voltar ao estado de origem de vocês? Conhecem quem já tenha voltado? Acham que é possível se inserir bem?

Camila: Não pretendo voltar, mas acho que é possível se inserir bem. Todas as pessoas que eu conheço que tentaram conseguiram sem problemas

Ingrid: Sim, pretendo voltar. A maior parte dos meus professores na minha instituição de origem tinha feito residência fora e retornado, assim como alguns familiares e colegas. Todos mencionam que quem faz residência no local em que quer atuar acaba fazendo mais fácil essa inserção, visto que já conhece chefes da instituição, que ajudam nesse primeiro momento.

Inclusive, durante a própria residência já é possível trabalhar em serviços que não o da pós-graduação, o que já garante essa inserção e “fazer o nome”. No entanto, essa inserção para quem vem de fora, ainda mais quando feita em instituições renomadas e quando bem feita, ocorre, às vezes, com um pouco mais de lentidão, necessitando fazer step em atendimentos de pronto atendimento antes de trabalhar inteiramente com a especialidade escolhida. Esse processo pode demorar por volta de 2 anos.

João Vitor: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Ingrid: Nossa residência apresenta um clima muito agradável, aqui não vejo instinto de competição, de um querer passar na frente do outro. Temos oportunidade de entrar em contato com residentes de várias outras regiões do país e isso permite uma troca de conhecimento que vai além do acadêmico.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência médica na USP-RP?

A residência em Clínica Médica na USP-RP é conhecida por ser porta-aberta e, por isso, receber casos de diversas complexidades e até raridades. Com tanta prática e o apoio de uma equipe especializada, é possível “pegar mão” de diversos procedimentos e diagnósticos.

Se não tiver certeza se essa é a opção certa para você, é só ficar de olho na nossa série de entrevistas, com diversas especialidades e instituições. Já falamos sobre como é a residência em Clínica Médica na USP, na Unifesp e na Santa Casa, que tal dar uma olhada? Se quiser saber algo sobre alguma instituição que ainda não foi, deixe nos comentários!

Já se quiser investir na residência em Clínica Médica na USP Ribeirão, é preciso começar a se preparar. Por isso, veja como é a prova de residência médica da USP-RP direto ao ponto e dá uma olhada no nosso Guia Estatístico com os seis focos que mais caíram na prova nos últimos cinco anos!

A residência em Clínica Médica na USP-RP é uma excelente alternativa para quem deseja ter uma formação completa, em uma das instituições mais renomadas e completas do país.

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João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.