Como é residência em Medicina de Emergência na USP

Casos variados e estímulo à aprendizagem de forma completa são algumas das características que atraem os médicos para a residência em Medicina de Emergência. Se você já decidiu que esse é o seu objetivo, na hora de escolher a instituição, vale considerar a residência em Medicina de Emergência na USP.

Essa especialização tem a duração de 3 anos, e é realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ao mesmo tempo, envolve outras instituições ao longo dos estágios, o que garante o aprendizado completo.

Mas antes de tomar a decisão de seguir por essa alternativa, vale a pena conhecer melhor essa residência médica – e estamos aqui para te ajudar com isso! Conversamos com o Bruno Marques, que está no terceiro ano do programa. Veja só o que ele contou pra gente sobre como é fazer residência em Medicina de Emergência na USP!

João Vitor: Vou começar com uma pergunta que sei que é muito pessoal, mas é inevitável: para você, qual é o melhor estágio da residência em Medicina de Emergência da USP?

Hospital das Clínicas, onde acontece as atividades de residência em Medicina de Emergência na USP
O Hospital das Clínicas realiza 232 mil atendimentos de urgências e emergências e mais de 50 mil cirurgias por ano

Bruno: Sala de emergência, pois é neste estágio que vivenciamos a experiência mais intensa da nossa especialidade, que são os casos graves que necessitam de cuidados imediatos. É neste estágio que aprendemos não só a teoria das condições ameaçadoras à vida, como também a prática de procedimentos avançados. A vivência na sala de emergência é muito rica e nos ensina, inclusive, a lidar com situações estressantes, trabalhar sob pressão e trabalho em equipe. A sala de emergência nos transforma como médicos e como pessoas, sem sombra de dúvidas.

João Vitor: Tem algum médico assistente que você considera sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Bruno: Sim, vários. Na nossa residência tivemos a sorte de sermos abraçados pelos chefes da disciplina de emergências clínicas (que hoje se chama disciplina de Medicina de Emergência). Eles são pessoas incríveis, tanto em conteúdo teórico como conteúdo humano. E o melhor de tudo: todos são super acessíveis e humildes. São pessoas conhecidas nacionalmente por seus trabalhos que se dispõem a te ouvir, seja lá qual for seu problema.

João Vitor: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Medicina Emergência na USP.

Residência em Medicina de Emergência na USP também tem estágios no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC
Os residentes de Medicina de Emergência da USP também realizam estágios no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas

Bruno: Durante o R1 rodamos em estágios para aprendizado e consolidação de conceitos básicos e avançados: sala de emergência, porta do pronto-socorro, retaguarda do PS, enfermaria do PS, unidade semi-intensiva do PS, UTI, PS de pediatria, PS secundário, PS cirúrgico e um estágio no centro cirúrgico para ganharmos experiência com intubação e punção lombar.

Durante o R2, começamos a afunilar para especialidades, porém sempre vendo as emergências dessas especialidades: sala de emergência, UTI, ortopedia, otorrino, oftalmo, PS pediatria, PS secundário, PS cirúrgico, GRAU (pré-hospitalar do corpo de bombeiros), eletivo.

Durante o R3, continuamos nas especialidades: PS cardiológico (Incor), PS oncológico (ICESP), PS pediatria (ICR), ortopedia, PS cirúrgico, PS ginecologia e obstetrícia, Gestão Hospitalar (Einstein e HC) e eletivo.

João Vitor: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Bruno: Sim, temos 1 mês no R2 e 1 mês no R3. É totalmente viável realizar fora do país, muitos residentes da primeira turma (sou da segunda) e da minha turma foram para os EUA, Irlanda, Portugal, Reino Unido. Estágio estrangeiro é uma realidade em nossa instituição, depende apenas do residente correr atrás.

João Vitor: Sua residência médica, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que você dá e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Bruno: Sim, respeita. São permitidos plantões de 24 horas apenas nos estágios de UTI, que são mais tranquilos. Em todos os outros são permitidos apenas 12 horas consecutivas, sempre com pós-plantão de pelo menos 12 horas.

João Vitor: De 0 (nada) a 10 (demais), quanto a residência em Medicina de Emergência na USP foca em parte teórica? Quais são as principais atividades teóricas que você tem?

Bruno: 9. Todas as quartas-feiras, temos o período das 13:30 até por volta das 18h para aulas, teóricas e práticas, simulações, discussões de casos e artigos etc. Todos os residentes são dispensados de seus estágios para participar das aulas.

João Vitor: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Bruno: 8.

João Vitor: Quais são os pontos fortes da residência em Medicina de Emergência na USP?

Alguns estágios da residência de Medicina de Emergência na USP são no PS pediátrico
O PS pediátrico do Instituto da Criança (ICr) do HC também tem estágios da residência em Medicina de Emergência da USP

Bruno: Temos acesso a professores e médicos assistentes que são referências nacionais e que têm muito a nos ensinar. Somos estimulados a estudar e aprender sempre. Somos expostos a vários casos complexos, difíceis ou raros, que nos forçam a aprender cada vez mais.

O meio é rico e propicia o crescimento profissional. Estamos em contato com pesquisadores e isso é um estímulo a mais para quem quer seguir este caminho. A inserção no mercado é garantida pela falta de profissionais disponíveis da nossa área.

João Vitor: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Bruno: Sim, com certeza. Ainda faltam emergencistas formados como médicos assistentes. E nossos estágios cirúrgicos ainda pecam em muitos pontos. Infelizmente, ainda enfrentamos problemas como atrito com outras especialidades dentro do HC (como cirurgia geral), e isso dificulta muito o nosso aprendizado e crescimento em algumas áreas.

João Vitor: Acha que dá para conciliar a residência médica com plantões externos? A maioria faz isso?

Bruno: Sim, é possível e a maioria dos residentes faz.

João Vitor: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Bruno: Alimentação gratuita em um restaurante por quilo, almoço e jantar. Há uma moradia do residente dentro do complexo hospitalar que é bem cômoda, apesar de ter que dividir um quarto com outra pessoa. Essa moradia fornece café da manhã e lavanderia. Há também serviços de apoio psicológico.

João Vitor: No caso de quem não é de São Paulo, você conhece alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acha que é possível se inserir bem no mercado?

Bruno: Conheço sim. Apenas uma turma se formou até agora na nossa instituição, mas vários desses voltaram pras suas cidades e estão bem inseridos no mercado.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência médica na USP?

A residência em Medicina de Emergência na USP traz diversos desafios e chances de aprendizado, e isso certamente vai contribuir para você se tornar o profissional que sempre quis. Aqui você pode conferir um pouco mais sobre essa especialidade relativamente “nova” e avaliar se ser um emergencista se adequa às suas expectativas!

Está preparado para prestar a prova de residência médica da USP e realizar seu sonho? Contamos aqui no blog tudo sobre a prova de residência médica da USP, e ainda separamos 20 questões de Preventiva que caíram na prova teórica de residência da USP nos últimos anos. Além disso, temos diversos artigos falando sobre outras especialidades nessa famosa instituição, como a Cirurgia Cardiovascular.

Aproveita e dá uma olhada no nosso canal do YouTube! Lá temos trazido uma série de aulas de temas que mais caem nas grandes áreas nas principais provas de residência médica de São Paulo. Um deles é esse aqui em que o Micael fala de um tema super importante de Clínica Médica que sempre cai:

Ah, e se você quer saber ainda mais sobre o assunto, é bom dar uma olhada no podcast Finalmente Residente. Nele, recebemos convidados que falam sobre suas vivências nas mais variadas residências e instituições do país! O mais interessante nisso tudo é que você pode ouvir a voz da experiência e conhecer os principais aspectos dessa etapa por meio de quem vive (ou viveu) com afinco a vida de residente. A Karina Turaça, por exemplo, contou um pouco pra gente sobre a residência em Medicina de Emergência na USP. Ela é fera, então, corre lá pra conferir!

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João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.