O fecaloma é uma condição frequente na prática médica, especialmente em contextos de urgência e emergência. Embora pareça um diagnóstico simples, sua identificação precisa nos exames de imagem é fundamental para evitar complicações graves, como a perfuração estercoral.
Neste artigo, revisaremos a fisiopatologia, os sinais clínicos e, detalhadamente, os achados na radiografia e na tomografia computadorizada.
O fecaloma define-se como uma massa de fezes endurecidas e compactas que se acumulam na luz intestinal. Diferente da constipação comum, o fecaloma representa um estágio de impactação fecal extrema, onde o bolo fecal adquire consistência pétrea.
A localização mais comum para a formação dessas massas é o reto e o cólon sigmoide.
A formação do fecaloma está geralmente associada a condições que lentificam o trânsito intestinal ou prejudicam a evacuação.
Dessa forma, pacientes idosos, com doenças neuropsiquiátricas e hospitalizados/institucionalizados são grupos de alto risco.
Os sintomas são frequentemente inespecíficos, o que exige alto índice de suspeição clínica:
A radiografia costuma ser o exame inicial devido à sua disponibilidade. O sinal clássico é a presença de uma massa heterogênea centrada na região hipogástrica ou trajeto do cólon.
A TC de abdome e pelve possui maior sensibilidade e é essencial para avaliar complicações.
Retirar o fecaloma é vital para prevenir desfechos fatais:
O polietilenoglicol (PEG) é considerado o tratamento de primeira linha para desimpactação fecal, sendo mais eficaz que outros agentes, bem tolerado e com baixo risco de efeitos adversos.O PEG funciona como polímero osmótico minimamente absorvido, promovendo retenção de água no intestino e amolecimento das fezes. Laxativos osmóticos alternativos incluem lactulose e citrato de magnésio.
Enemas são recomendados como terapia de segunda linha quando PEG não está disponível ou falha. Enemas de glicerofosfato são comumente usados na prática clínica no Brasil.
Embora a prática de desimpactação manual seja comum em alguns serviços de pronto atendimento e hospitais no Brasil, a evidência internacional não suporta seu uso rotineiro. A literatura enfatiza que métodos farmacológicos (PEG, enemas, gastrografina) são igualmente ou mais eficazes, com perfil de segurança superior.
Como recorrências são comuns, medidas preventivas são essenciais:
Mineira, millennial e radiologista fanática. Formou-se em Radiologia pelo HCFMUSP na turma 2017-2020 e realizou fellow em Radiologia Torácica e Abdominal em 2020-2021 no mesmo instituto, além de ter sido preceptora da residência de Radiologia por 1 ano e meio. Apaixonada por pão de queijo, café e ensinar radiologia.