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Hérnia de disco: conheça sobre esse tipo de lesão

Todos sabemos que a lombalgia é a causa mais comum de afastamento trabalhista na população economicamente ativa. Porém, a verdade é que ela se trata de apenas um sintoma. Entre todas as possibilidades etiológicas, não podemos deixar de destacar uma muito comum: a hérnia de disco.

O que é hérnia de disco? A lesão corresponde à ruptura da camada mais externa do disco intervertebral (ânulo fibroso), em que há extravasamento do componente mais interno do disco (núcleo pulposo). Continue a leitura para conhecer mais sobre o tipo de lesão.

O que é a hérnia de disco?

Geralmente, a dor na coluna vertebral tem origem desconhecida, podendo ser oriunda de diversas estruturas anatômicas, mas é impossível identificar precisamente o que a origina. Estudos clínicos e experimentais sugerem que o disco intervertebral pode ser a causa da dor em até 40% dos pacientes.

A hérnia de disco lombar é a principal causa de cirurgia de coluna na população adulta e o diagnóstico mais comum entre as alterações degenerativas da coluna lombar (acomete de 2 a 3% da população). 

Ela pode ocorrer em qualquer segmento da coluna: lombar, torácica ou cervical (hérnia de disco cervical). Em ordem decrescente de prevalência, ocorre na lombar, na cervical e na torácica.

Fisiopatologia

O fator provocativo exato desse tipo de ruptura permanece desconhecido. Um episódio agudo traumático pode ocasionar o deslocamento do disco. Porém, em geral, a doença ocorre no disco previamente degenerado (discopatia) e no ponto de menor resistência do ânulo fibroso.

O disco intervertebral absorve e distribui a carga da coluna vertebral. Ele também permite o movimento entre os segmentos adjacentes e é constituído de um núcleo pulposo gelatinoso interno, circundado por um ânulo fibroso colagenoso. 

As camadas lamelares entrelaçadas de colágeno presentes no ânulo proporcionam resistência à tensão e limitam a expansão das moléculas viscoelásticas de agrecan. Elas proporcionam resistência compressiva e permitem que ocorra deformação reversível no disco. 

O núcleo pulposo é constituído por uma matriz de colágeno, proteoglicanos e mucopolissacarídeos. O disco intervertebral é avascular e sem células, sendo que a presença de vascularização e inervação em discos saudáveis está limitada às fibras periféricas do ânulo.

Quadro clínico

Na maioria das vezes, as hérnias se manifestam com um quadro agudo de dor irradiada que segue um dermátomo (dependendo da raiz nervosa comprimida). É frequente uma história antiga de lombalgia crônica que traduz a existência prévia de uma discopatia (degeneração do disco).

Inúmeras posturas podem influenciar a pressão intradiscal, sendo que, na flexão do tronco, ela é maior, ocasionando mais dor e incômodos nas regiões do corpo. 

Exames para hérnia de disco

O exame clínico detalhado, incluindo o teste neurológico, é fundamental em todos os casos de pacientes com suspeita de HD. A sensibilidade é difícil de ser graduada, sendo registrada como normal, diminuída ou ausente. 

O exame da força deve ser realizado de forma padronizada, testando-se movimentos em vez de músculos específicos. Ele é graduado de zero a cinco, sendo grau cinco força completa contra resistência. Os reflexos são testados bilateralmente e graduados como normais, diminuídos ou ausentes.

A manifestação clínica clássica da hérnia discal é a dor ciática. O fator que a desencadeia é a compressão mecânica da raiz nervosa pela hérnia discal. Em decorrência dela, há isquemia e fenômenos que sensibilizam a membrana à dor.

A história natural da ciática se caracteriza por um rápido alívio da sintomatologia em um tempo médio de 4 a 6 semanas, com recorrência de 5 a 10%, sem importar o tipo de tratamento instaurado.

Diagnóstico da lesão

A história e o exame físico são muito sugestivos do diagnóstico da hérnia de disco, mas a ressonância magnética é considerada o exame padrão-ouro para o diagnóstico. Ela permite a visualização de todo o disco, fragmentos discais e elementos neurais que possam estar sendo comprimidos.

Na RM, a hérnia é classificada segundo a forma. Essa descrição morfológica é a seguinte, de forma resumida: o material discal, proveniente principalmente do núcleo pulposo, está deslocado para fora dos limites intervertebrais, podendo tomar três formas diferentes: protrusão, extrusão ou sequestro.

A tomografia computadorizada é utilizada como um dos principais métodos nos pacientes que apresentam alguma contraindicação para a realização de ressonância magnética.

Diagnósticos diferenciais

O diagnóstico diferencial deve ser baseado na história clínica, no exame físico e nos exames diagnósticos. Dor radicular pode ser causada por inúmeras doenças compressivas, como estenose do canal, abscesso, tumor, doenças vasculares, problemas intrínsecos da raiz e neuropatia periféricas.

Tratamento da hérnia de disco

Geralmente, o tratamento para hérnia de disco é feito de maneira conservadora. O próprio organismo tem a capacidade de reabsorver o conteúdo herniado em um período variável, que pode ir de quatro a seis semanas. 

Nesse período, medidas de controle de dor são instituídas, como: educação postural, fisioterapia (otimização da força muscular, da flexibilidade e do alongamento) e medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais como primeira escolha, assim como narcóticos e relaxantes musculares).

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico, por meio da retirada da HD, de diversas formas e tipos, pode proporcionar importante alívio dos sintomas de hérnia de disco em pacientes apropriadamente selecionados. É dever do médico identificar os pacientes nos quais os benefícios antecipados excedem os riscos inerentes ao procedimento cirúrgico.

A indicação cirúrgica, por meio da retirada da hérnia, se torna restrita a situações, como: déficits neurológicos progressivos, refratariedade ao tratamento clínico (seis semanas) e síndrome da cauda equina aguda.

A microdiscectomia aberta é o método cirúrgico mais utilizado e considerado padrão-ouro. Consiste na incisão cuidadosa planejada no nível do disco comprometido, na hemilaminectomia para permitir a visualização adequada da patologia, na retração delicada dos elementos neurais e na retirada da hérnia de disco sob visão direta.

A recorrência da hérnia de disco pode ocorrer no mesmo nível vertebral, no mesmo lado, no lado oposto ou em diferente localização. Para ser considerada uma recorrência propriamente dita, deve haver um período de alívio ou ausência de dor após a primeira cirurgia.

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