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Meningococcemia: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Fala, pessoal! Aqui no blog sempre tentamos trazer temas importantes que você precisa saber para as provas — e para a vida de médico em geral. Hoje o assunto é muito importante, pois não é muito comum, mas precisa ser identificado rapidamente devido a gravidade. Hoje, vamos discutir um pouco sobre meningococcemia, aprender sobre o assunto e entender como realizar as medidas iniciais!

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Agora, vamos pro texto!

Pra começar esse papo: o que é meningococcemia?

A infecção pela bactéria Neisseria meningitidis, conhecida como meningococo, pode causar desde um quadro clínico mais brando até um quadro grave e fulminante. Aproximadamente 10% da população apresenta colonização bacteriana na nasofaringe, ou seja, são portadoras assintomáticas. Raramente o meningococo consegue invadir a corrente sanguínea provocando a doença meningocócica que pode se apresentar de diferentes formas. Em 70% dos casos a infecção meningocócica manifesta-se como meningite, já os casos de meningococcemia são mais raros.

Primeiro vamos diferenciar a meningite meningocócica e a meningococcemia! A meningite meningocócica é uma infecção exclusiva das meninges causada pelo meningococo que provoca alterações neurológicas e sistêmicas, enquanto que a meningococcemia é causada pelo mesmo agente, porém é definida como uma infecção de corrente sanguínea com manifestações sistêmicas que podem ser potencialmente graves, de rápida evolução e potencialmente fatais. Lembre-se que o paciente com meningite meningocócica pode apresentar meningococcemia. 

Formas clínicas mais comuns
Portador assintomáticoMeningite sem meningococcemiaMeningite com meningococcemiaMeningococcemia
Outras formas clínicas: Pneumonia, osteomielite, miocardite, uretrite

Mesmo após diagnóstico e uso de antibioticoterapia correta, a taxa de letalidade para a infecção por meningococo em geral é de 10% e dos pacientes que sobrevivem, entre 10-20%, apresentam sequelas graves. Já a meningococcemia pode ter uma letalidade de até 50%.

Diagnosticando a meningococcemia

Mas e aí? Como faço o diagnóstico de meningococcemia?

A meningococcemia é uma forma grave e rara de infecção pelo meningococo. Lembre-se: o paciente pode ter meningococcemia sem meningite, portanto pode não apresentar sintomas clássicos de meningite descritos nos livros (febre, vômitos, cefaléia, alterações neurológicas, rigidez de nuca e outros sinais de irritação meníngea), além disso, quando há meningococcemia com meningite esses sintomas clássicos muitas vezes são mais tardios. Em crianças menores, mesmo quando existe meningite associada os sintomas são geralmente mais inespecíficos e podem dificultar ainda mais o diagnóstico.

O quadro inicial evolui com febre, mal estar, mialgia, dor em membros inferiores, prostração e rash cutâneo, porém a rápida deterioração clínica sempre deve acender um alerta para o diagnóstico de meningococcemia. O rash cutâneo pode ser maculopapular, petequial ou purpúrico e pode ajudar na suspeita do diagnóstico, visto que, mais de 50% dos pacientes apresentam petéquias associadas. Os quadros graves e fatais aparecem com choque, coagulação intravascular disseminada, púrpura (púrpura fulminante), rebaixamento do nível de consciência, coma e óbito em menos de 12–24 horas

Na suspeita, exames laboratoriais (hemograma, função renal e hepática, gasometria arterial, lactato, eletrólitos, glicemia, provas inflamatórias e coagulograma) e hemoculturas devem ser coletadas. Nos casos graves o paciente pode apresentar alterações de disfunção múltipla de órgãos. 

Exames de imagem, como tomografia de crânio, são indicados se houver risco de hipertensão intracraniana, alterações do nível de consciência, alterações neurológicas focais e para realizar punção lombar. A punção lombar deve ser realizada se o paciente apresentar estabilidade clínica. Lembrando que a análise deve incluir celularidade, bioquímica, bacterioscopia e cultura. Para confirmar o diagnóstico haverá o isolamento do meningococo em culturas (sangue ou líquor), porém nem sempre a cultura será positiva. Além disso, outra possibilidade para fazer o diagnóstico é realizar o raspado das lesões petequiais. 

A coleta de hemoculturas e cultura do líquor é extremamente importante, MAS se não for possível a coleta por indisponibilidade ou instabilidade do paciente a prioridade é iniciar antibioticoterapia precocemente.

Criança de 4 meses com gangrena em mãos e extremidades inferiores devido a meningococcemia.
Criança de 4 meses com gangrena em mãos e extremidades inferiores devido a meningococcemia. Fonte: CDC

Agora sim: o tratamento da meningococcemia!

Agora, como já diagnosticamos ou suspeitamos do diagnóstico, vamos iniciar o manejo.

O mais difícil é estabelecer um raciocínio e lembrar que a meningococcemia é uma suspeita que deve estar em toda criança com quadro febril e deterioração clínica rápida. Todo o tratamento é baseado em suporte e antibioticoterapia. Assim como na sepse e choque séptico devemos estabelecer o tratamento conforme prioridades (ABCDE). Inicialmente manutenção das vias aéreas e ventilação. Lembre-se de ofertar oxigênio e sempre avaliar a necessidade de intubação orotraqueal. O acesso venoso periférico ou intraósseo deve ser solicitado para iniciar expansão volêmica adequada (40-60 ml/kg de ringer com lactato ou soro fisiológico 0,9%) e se necessário uso de drogas vasoativas.

Além disso, iniciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxone 100mg/kg na primeira hora seguido de 100mg/kg/dia de 12/12 horas ou de 24/24 horas por 7 dias. Após atendimento inicial, nos casos de suspeita de doença meningocócica, encaminhar o paciente para unidade de terapia intensiva para manutenção do tratamento e para acompanhamento rigoroso dos sinais de gravidade mesmo que não apresente inicialmente deterioração clínica importante. O uso de corticóide não mostrou benefício na meningite meningocócica e na meningococcemia, seu uso permanece restrito aos casos de choque refratário com suspeita de insuficiência adrenal. 

Você lembra da profilaxia e do isolamento da doença meningocócica?

Profilaxia deve ser realizada em todos os contatos íntimos do paciente diagnosticado com doença meningocócica. Contatos domiciliares, contato íntimo maior que 20 horas semanais nos últimos sete dias e os profissionais da saúde que tiveram contato com secreções orais do paciente. A criança deve ficar em isolamento respiratório por gotículas até 24 horas de antibioticoterapia. 

Entre as opções medicamentosas para profilaxia temos:

Rifampicina< 1 mês5 mg/kg/dose, via oral de 12/12h por 2 dias> 1 mês10 mg/kg/dose, via oral de 12/12h por 2 diasAdultos600 mg, via oral de 12/12h por 2 dias
Ceftriaxona< 15 anos125 mg, via intramuscular, dose única> 15 anos250 mg, via intramuscular, dose única
CiprofloxacinoAdultos500 mg, via oral, dose única

É isso!

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Até mais, pessoal!

*Colaborou Aline Junqueira Rubio

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AlineJunqueira Rubio

Aline Junqueira Rubio

É formada em Medicina UFCSPA, em Pediatria pelo Hospital Santo Antônio - Santa Casa de POA e em UTI pediátrica pela Unicamp, e também é mestranda em Saúde da Criança e do Adolescente pela Unicamp.