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Oftalmologista: saiba tudo sobre essa especialidade

Muitos estudantes ou recém-formados em Medicina optam por se especializar pela residência médica. Entre tantas opções, uma delas é tornar-se um oftalmologista, atuando em uma ampla área, que oferece diversas oportunidades de trabalho. 

Para te guiar no caminho da especialização em Oftalmologia, vamos explicar tudo sobre as tarefas de um médico da área. Mais que isso, você fica sabendo como é o programa de residência e o mercado de trabalho para o especialista. 

O que é Oftalmologia?

Não tem outro jeito de começar este artigo a não ser respondendo a essa pergunta: o que é Oftalmologia? Trata-se da especialidade responsável pela saúde dos olhos, em que há atuação na prevenção, no tratamento e na preservação dessa importante região do corpo.

Levando isso em consideração, é fácil entender o porquê dessa ser uma especialidade tão famosa. Afinal, é uma área relacionada a um dos principais sentidos humanos. Para ter uma ideia, de acordo com a Demografia Médica, a Oftalmologia ocupa o 9º lugar das 10 especialidades com mais profissionais no Brasil.

Engana-se profundamente quem pensa que a Oftalmologia só tem a ver com correções de miopia e astigmatismo. Na verdade, essa é uma especialidade com abrangência clínica e cirúrgica, o que resulta em uma ampla variedade de tratamentos e diagnósticos complexos.

Sabendo disso, a curiosidade pode ter sido despertada para saber como é a rotina desse profissional. Para isso, o médico oftalmologista Raphael Mazziero, que cursou a residência no Hospital CEMA (SP) e ainda trabalha na instituição, conta alguns detalhes sobre a especialidade. 

O que um oftalmologista faz?

“Essa uma especialidade clínico-cirúrgica muito ampla e completa, abrangendo diversas patologias sistêmicas e oculares funcionais, assim como correções estéticas. Clinicamente pode-se avaliar, diagnosticar e tratar diversas patologias”, comenta Raphael. 

O oftalmologista ainda explica as possibilidades da área cirúrgica. Nela, é possível realizar cirurgias de catarata, retina, glaucoma, estrabismo, plástica ocular, entre outras. Os especialistas ainda devem reconhecer alterações oftalmológicas e manter a conduta da melhor forma possível. 

Quais são as características fundamentais de um oftalmologista?

Como em todas as especialidades, as hard skills citadas anteriormente vão garantir que o paciente seja acompanhado, examinado e tratado da melhor maneira possível em termos técnicos. 

É fundamental que qualquer especialista desenvolva uma série de habilidades que agregam ao dia a dia e potencializam o tratamento. O médico oftalmologista também explica que é importante conciliar soft skills aos conhecimentos teóricos para oferecer as melhores soluções para o paciente.

“O médico deve ser capaz de ouvir o paciente com muita empatia e grande poder de observação aos mínimos detalhes, uma vez que as queixas podem ser bem inespecíficas e a expectativa do paciente ser muito alta. Ele também deve estar sempre estudando e se atualizando, pois a especialidade ainda está em grande desenvolvimento”, explica Raphael.

Como é a rotina e o mercado de trabalho de um oftalmologista?

Sabemos que o dia a dia de qualquer especialista não é fácil e a rotina pode ser densa. Além das eventuais consultas, emergências e cirurgias, o profissional deve estar em constante atualização. Toda especialidade tem particularidades e atividades variadas, como explica Raphael, a seguir. 

“Continuo atuando no mesmo lugar em que concluí a residência (Hospital CEMA), onde estou concluindo a subespecialização na área de cirurgia de catarata. Alguns dias, atendo em consultório ambulatorialmente, e outros, realizando cirurgias. Apesar de ser mais direcionado às cataratas, também atendo Oftalmologia Geral, sendo que a maioria dos atendimentos ainda se deve à refração”.

Embora essa seja a realidade de Raphael, esse não é o único caminho para quem concluiu a residência em Oftalmologia. Na verdade, existem várias possíveis áreas de atuação para esse profissional, como as citadas pelo médico.

“Após a conclusão da residência, pode-se seguir com atendimentos ambulatoriais em Oftalmologia Geral e realizar procedimentos, assim como dar sequência em uma subespecialização e aprofundar o conhecimento e a experiência na área desejada. Deve-se pensar bem a respeito de qual caminho seguir. Caso opte por uma subespecialização, ainda haverá, pelo menos, mais dois anos de dedicação à formação, o que pode postergar o retorno financeiro esperado”.

Quanto ganha um oftalmologista?

Os ganhos variam por diversos fatores, como a especialização, as atividades exercidas, a região e o setor (público ou privado). “O salário depende do quanto você está disposto a trabalhar. Normalmente, um dia de trabalho ambulatorial, com atendimentos oftalmológicos gerais, pode pagar em torno de R$ 1.300,00, o que varia muito dependendo do serviço”. 

Para um oftalmologista estabelecido, os salários também podem variar, principalmente se há prática de cirurgias e procedimentos. Nesses casos, o retorno pode ser maior, entre R$ 15.000,00 e R$ 50.000,00.

A residência médica em Oftalmologia

Para se tornar um especialista em Oftalmologia, o médico deve iniciar uma residência médica em Oftalmologia. O programa tem duração de três anos. Os estudantes têm contato com rotinas ambulatoriais e cirúrgicas. A seguir, confira como foi a experiência de Raphael. 

O R1

“No primeiro ano, acompanhamos os ambulatórios das subespecialidades com atendimentos supervisionados por preceptores especialistas de cada área. Já iniciamos a prática cirúrgica com procedimentos mais básicos de pequenas cirurgias, como exérese de pterígio”. 

Durante o período, o médico conta que os plantões são iniciados com frequência de duas a três vezes na semana. Nos primeiros seis meses, há supervisão, mas, depois, é por conta própria, com suporte dos especialistas de sobreaviso. 

O R2

“No segundo ano, já com uma independência maior, assume-se maior responsabilidade nos atendimentos direcionados às subespecialidades e iniciam-se as primeiras cirurgias de catarata e de maior porte — ainda com carga horária de plantões semanais”.

O R3

“No terceiro e último ano, a rotina e a carga horária são mais leves, porém com maior responsabilidade de orientar e supervisionar os alunoS de R1 e R2. Já comece a pensar na subespecialização, caso opte por fazê-la. Ao longo da residência, rodamos no Hospital CEMA, onde são realizados atendimentos e cirurgias particulares e de convênios, além do Instituto CEMA, direcionado aos atendimentos do SUS”.

Escolhendo a instituição

Decidir a instituição não é uma tarefa fácil, mas também não é indicado se inscrever em todos os processos seletivos. Selecionar opções facilita a objetividade do planejamento e dos estudos com uma rotina direcionada. Para isso, segundo o oftalmologista Raphael, os seguintes aspectos podem ser considerados:

  • preceptores;
  • fluxo de pacientes;
  • estrutura do hospital e recursos tecnológicos;
  • disponibilidade para prática cirúrgica.

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DjonMachado

Djon Machado

Catarinense e médico desde 2015, Djon é formado pela UFSC, fez residência em Clínica Médica na Unicamp e faz parte do time de Medicina Preventiva da Medway. É fissurado por didática e pela criação de novas formas de enxergar a medicina.