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Quais são as complicações da pancreatite aguda?

Fala, galera! Em que pé anda a preparação para as provas da residência? Pensando em vocês, hoje preparamos um post com os principais pontos sobre um tema relevante que pode muito bem aparecer no final do ano: complicações da pancreatite aguda. Bora lá!

A pancreatite aguda pode se apresentar na sua forma grave, traduzida nas complicações dessa patologia, em 10 a 15% dos casos, associando-se a altas taxas de mortalidade. Nos primeiros dias de evolução, as principais causas de óbito são resultado da múltipla disfunção de órgãos, consequência da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS). Já em fases mais tardias, a maior parte das mortes são associadas à infecção da necrose pancreática.

complicações da pancreatite aguda
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Complicações locais da pancreatite aguda

Necrose pancreática

É justamente pela necrose pancreática que vamos começar a conversar. Ela é definida como a presença de uma ou mais áreas focais ou difusas de parênquima pancreático inviável, e faz parte do grupo das complicações locais da pancreatite aguda. Aproximadamente em 70% dos casos, trata-se de material estéril. No entanto, 30% dos pacientes evoluem com infecção, o que torna o risco de óbito 2 a 3 vezes maior nesses pacientes.

O diagnóstico é realizado com base na tomografia computadorizada (TC), a qual possui 90% de acurácia. Em caso de infecção, a qual pode ser suspeitada a partir de sinais e sintomas, além de achados laboratoriais que já conhecemos (febre, queda do estado geral, leucocitose ao hemograma, entre outros), a aspiração com agulha fina e realização de cultura devem ser realizadas – exceto no caso de presença de gás na TC, uma vez que isso diagnostica infecção.

Já em relação ao tratamento, a necrose sintomática deve ser abordada de maneira cirúrgica quando estiver infectada e o paciente apresentar piora clínica. O procedimento a ser escolhido para realização da necrosectomia é assunto controverso mas, no geral, a cirurgia aberta já foi considerada o padrão-ouro de intervenção. Em relação à antibioticoterapia, o uso de carbapenêmicos ou a associação de ciprofloxacino e de metronidazol são consideradas boas opções.

Pseudocistos pancreáticos

Outra manifestação que faz parte do grupo das complicações locais são os pseudocistos pancreáticos, os quais correspondem a coleções líquidas e recebem esse prefixo -pseudo pelo fato de não possuírem revestimento epitelial, necessário à definição de cisto verdadeiro. Dessa forma, as suas paredes consistem em tecido necrosado e em granulação. É considerada complicação tardia na evolução,  uma vez que são  necessárias de quatro a seis semanas para que ocorra o encapsulamento dessa coleção.

Sua forma de apresentação costuma ser dor abdominal ou presença de massa palpável na região do flanco esquerdo do abdome. O diagnóstico é realizado via exames de imagem, como a TC sendo método de escolha, porém com a ultrassom demonstrando boa performance para realização do diagnóstico.

Atualmente, as diretrizes recentes não recomendam abordagem cirúrgica para pseudocistos assintomáticos, independentemente do seu tamanho. Em caso de pacientes oligossintomáticos, a conduta até pode ser expectante, mas, na presença de sintomas, a drenagem via endoscópica ou laparoscópica são boas opções de tratamento. 

Líquido peripancreático

Para fecharmos as principais complicações locais da pancreatite aguda, vamos agora falar sobre líquido peripancreático, o qual geralmente se desenvolve na fase aguda da doença e não possui uma parede bem definida. De maneira geral é assintomático e se resolve espontaneamente em 7 a 10 dias sem necessidade de drenagem.

Ufa! Terminamos as complicações locais. Preparados para as sistêmicas? Bora!

Complicações sistêmicas da pancreatite aguda

Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS)

E quando falamos de complicações sistêmicas na pancreatite aguda, temos que lembrar da Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS).  Para entendê-la em sua origem, precisamos relembrar que o mecanismo crucial para que haja a pancreatite aguda é a conversão patológica do tripsinogênio em tripsina, cuja ação causa morte celular e resposta inflamatória de todo o parênquima pancreático.

Isso, por sua vez, culmina na liberação de enzimas pancreáticas ativas na corrente sanguínea e estimulação da produção de citocinas inflamatórias por neutrófilos, macrófagos e linfócitos (principalmente IL-6, IL-8, TNF-α e IL-1β) . E é a liberação dessas citocinas e do fator de necrose tumoral alfa dos macrófagos  que desencadeia uma cascata inflamatória que leva à síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS).

A SIRS é definida pela presença de 2 ou mais critérios a seguir:

  • Temperatura central < 36º ou > 38º;
  • FC > 90 bpm;
  • FR > 20/min ou PCO2 < 32mmHg;
  • Contagem de leucócitos > 12 000/uL ou < 4 000/uL ou 10% de bastões;
  • APACHE II;
  • Hemoconcentração (hematócrito >44%)
  • Ureia à internação (>45 mg/dL)

Essa resposta inflamatória exacerbada vai ditar alterações em todos os sistemas do organismo, fazendo com que o paciente progrida para falência de múltiplos órgãos, assim sendo considerado um quadro de extrema gravidade.

Curtiu saber tudo sobre as complicações da pancreatite aguda?

Então agora você não vai ter mais dúvidas sobre as complicações da pancreatite aguda. Espero que tenham gostado!

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Abraço e até mais!

* Colaborou Claudia dos Santos Granjeia, aluna da faculdade UFMT.

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.